Descoberta histórica em Israel revela sociedade pré-humana complexa com artefatos de 400 mil anos

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caverna Foto: caverna - Tomasz Wozniak/Shutterstock.com

Uma caverna recém-encontrada no norte de Israel revela a presença de seres pré-neandertais há aproximadamente 400 mil anos. O local, considerado um dos poucos acessíveis a cientistas para estudo desse período enigmático da história humana, oferece insights cruciais sobre as comunidades antigas.

A investigação arqueológica começou porque a caverna estava localizada nas proximidades da cidade de Fureidis e seria impactada por projetos de construção na região. Antes das obras, especialistas iniciaram uma prospecção detalhada.

Estudos iniciais, realizados na década de 1970, estimavam que a caverna teria sido habitada há cerca de 200 mil anos. A informação foi compartilhada por Kobi Vardi, arqueólogo da Autoridade de Antiguidades de Israel.

Contudo, Vardi e seu colega Ron Shimelmitz, professor associado de arqueologia na Universidade de Haifa, agora confirmam que o sítio foi ocupado por grupos humanos muito antes, datando de até 400 mil anos.

A equipe chegou a essa nova datação ao encontrar ferramentas de sílex. Machados de mão, raspadores e lâminas, todos característicos da cultura Acheulo-Yabrudiana, que corresponde aos hominídeos pré-neandertais daquela era na área, foram identificados.

caverna pré-histórica
caverna pré-histórica – Emil Aladjem/Autoridade de Antiguidades de Israel

Vardi expressou surpresa com a descoberta da idade real da caverna, que foi utilizada por membros da cultura Acheulo-Yabrudiana. Esses hominídeos viveram no Levante, ou Oriente Próximo, entre 400 mil e 250 mil anos atrás.

Além dos instrumentos de pedra, os pesquisadores também desenterraram ossos de animais, como gamos e gazelas, o que oferece pistas sobre a dieta e o ambiente da época.

Tais achados indicam que grandes comunidades de hominídeos conviviam nas cavernas, caçando animais selvagens e dominando o fogo. Essa evidência sugere uma “vida de acampamento complexa e rica”, conforme detalhado por Shimelmitz em um comunicado.

Apesar da riqueza de artefatos, até o momento, não foram encontrados vestígios humanos significativos em nenhuma das cavernas descobertas que datam desse período.

A caverna de Fureidis é classificada como “um sítio único de importância global” por Shimelmitz.

Ele destacou que a “cápsula do tempo” remete a uma fase singular do Paleolítico Inferior, que antecede a predominância e a dispersão dos Neandertais e dos humanos modernos por diversas regiões.

Shimelmitz acrescentou que são poucos os locais arqueológicos dessa fase crucial encontrados em Israel e no Levante em geral, sendo a maioria inacessível para estudos. Essa nova descoberta, portanto, preenche lacunas importantes no conhecimento da transição evolutiva humana.

Diante da relevância das descobertas, a equipe de arqueólogos apresentou seus resultados à construtora. Uma ponte rodoviária foi então projetada para garantir a preservação da caverna, mantendo-a disponível para futuras investigações.

Vardi informou que os pesquisadores planejam estudos aprofundados no local, um processo que deve durar vários anos.

A expectativa maior dos cientistas é encontrar vestígios de hominídeos durante as escavações. “Estamos muito ansiosos para encontrá-los”, disse Vardi.

Especialistas avaliam impacto da descoberta na compreensão da pré-história

Armando Falcucci, professor de arqueologia paleolítica na Universidade de Southampton, que não participou do estudo, comentou que a descoberta enriquece significativamente o entendimento de um período da história humana frequentemente negligenciado.

O professor Falcucci ressaltou que o valor da descoberta reside em revelar um período crucial e mais antigo (entre 400 mil e 200 mil anos atrás), marcado por importantes transformações comportamentais e tecnológicas na África e Eurásia. Isso inclui a mudança para o uso intensivo de cavernas como pontos centrais na paisagem, e os depósitos desse período são raríssimos na região.

Ele também pontuou que “as evidências do uso intensivo do fogo neste sítio são particularmente significativas”. Segundo Falcucci, é nesse período e em locais como este que o uso controlado e habitual do fogo se torna claramente visível no registro arqueológico, marcando um avanço comportamental vital na evolução humana.

Catriona Pickard, professora de pré-história e arqueometria da Universidade de Edimburgo, também não envolvida na pesquisa, afirmou que os achados “fornecem informações raras sobre a cultura material e os modos de vida dos primeiros hominídeos”. Para ela, o sítio tem o potencial de “transformar nossa compreensão do Paleolítico Inferior no Levante”.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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