Um estudo recente do Núcleo de Estudos Raciais do Insper revelou que o programa federal Pé-de-Meia tem sido fundamental para o aumento da permanência de alunos de baixa renda no ensino médio. A análise aponta para uma melhoria significativa nos índices educacionais dos jovens participantes.
Lançado em 2024, o Pé-de-Meia é uma política governamental que distribui bolsas e poupanças. Os recursos são destinados a estudantes do ensino médio da rede pública que estão registrados no Cadastro Único, com os pagamentos condicionados à matrícula regular, à frequência escolar e à conclusão dessa etapa de ensino.
A pesquisa concluiu que esta ação governamental incrementou entre 2 e 4,3 pontos percentuais a parcela de jovens qualificados que se matricularam ou finalizaram o ensino médio, variando conforme a faixa etária estudada. Esse impacto direto sublinha a eficácia de incentivos financeiros articulados para combater a evasão escolar e promover a equidade educacional.
O levantamento detalhado foi conduzido pelos pesquisadores Daniel Duque e Michael França. Eles utilizaram microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) abrangendo o período de 2022 a 2025 e aplicaram uma metodologia comparativa entre grupos de alunos antes e após a implementação do programa.
Na configuração metodológica que os próprios autores consideraram mais robusta, o impacto observado foi de 2 pontos percentuais para jovens com idades entre 15 e 19 anos. Para o grupo de 15 a 24 anos, a elevação na permanência e conclusão escolar alcançou 4,3 pontos percentuais.
A pesquisa ainda ressaltou que a elevação na permanência escolar começou a ser perceptível exatamente a partir de 2024, ano de lançamento do Pé-de-Meia. Não foram identificados sinais de tendências similares em períodos anteriores, o que corrobora a tese de que o programa é o responsável pelo efeito positivo. Os pesquisadores confirmaram a consistência desses resultados ao replicar a análise com dados trimestrais da PNAD Contínua, de 2022 até o primeiro trimestre de 2026.
Em um recorte específico que examinou a diferença entre jovens brancos e pretos, ambos os grupos mostraram efeitos positivos na faixa etária de 15 a 24 anos. Quando a análise foi por gênero, os resultados indicaram uma resposta mais acentuada entre os homens.
