Produção nacional do principal antirretroviral contra HIV é iniciada no BrasilPor Carolina Costa
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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) finalizou, nesta quarta-feira, 22 de maio, a transferência de tecnologia que permitirá a produção integral no Brasil do dolutegravir, o principal antirretroviral usado no tratamento do HIV. O medicamento, essencial para mais de 770 mil brasileiros que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), marca um avanço significativo na autonomia do país em saúde pública.
Conclusão de ciclo fortalece a fabricação nacional de medicamentos
Com a conclusão do processo, o Brasil se prepara para abastecer o SUS com um medicamento crucial, reduzindo a dependência de importações. Três lotes do dolutegravir já foram fabricados pela Fiocruz e receberam aprovação nos rigorosos testes de qualidade. A etapa final para a distribuição reside na autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que permitirá que o medicamento chegue aos pacientes. A instituição reforçou que “a conclusão dessa etapa fortalece a produção nacional e amplia a segurança no fornecimento do medicamento à população”.
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Os detalhes da trajetória da transferência de tecnologia
O acordo para a nacionalização do dolutegravir foi estabelecido em 2020, por meio de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), uma unidade da Fiocruz, e a ViiV Healthcare. Esta última é a empresa responsável pelo desenvolvimento do medicamento e pertence à biofarmacêutica GSK. Desde o início da colaboração, foram feitos investimentos substanciais para aprimorar a fábrica, adquirir equipamentos modernos, capacitar profissionais e estruturar todas as etapas necessárias para que a produção do remédio pudesse ser realizada integralmente em território brasileiro.
Desde 2022, antes mesmo da conclusão total da transferência, Farmanguinhos já desempenhava um papel vital na distribuição de comprimidos produzidos pela GSK para o SUS, garantindo que o tratamento não fosse interrompido. Em 2025, a unidade também assumiu o controle laboratorial completo da qualidade do medicamento, um passo fundamental para assegurar a excelência do produto nacional. Nesse período, mais de 739 milhões de unidades foram entregues à rede pública.
O impacto do dolutegravir na qualidade de vida dos pacientes
O dolutegravir é amplamente reconhecido como um dos medicamentos mais eficazes no combate ao HIV globalmente. Sua ação principal consiste em bloquear a enzima integrase, impedindo a multiplicação do vírus e, consequentemente, reduzindo a carga viral do paciente a níveis indetectáveis quando o tratamento é seguido corretamente. Para quem vive com HIV, isso se traduz em um impacto direto na qualidade de vida:
- Preserva o sistema imunológico, mantendo as defesas do organismo ativas;
- Evita a evolução da infecção para a Aids, protegendo contra doenças oportunistas;
- Melhora significativamente a saúde geral e a expectativa de vida das pessoas em tratamento;
- Impede a transmissão do vírus para outras pessoas quando a carga viral está indetectável.
Essa eficácia não apenas prolonga a vida, mas também permite que as pessoas vivendo com HIV tenham uma expectativa e qualidade de vida semelhantes à da população em geral.
Por que o dolutegravir é a principal escolha global no tratamento do HIV?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o dolutegravir como a primeira escolha para o tratamento de adultos, crianças, gestantes e pessoas com potencial para engravidar desde 2019. Essa recomendação universal é um reflexo de sua comprovada eficácia e de um perfil de segurança robusto, tornando-o um pilar nos esquemas de tratamento em todo o mundo.
A produção nacional desse medicamento reforça a histórica postura do Brasil em relação à saúde pública e ao acesso universal. O país, que foi pioneiro na distribuição gratuita de antirretrovirais nos anos 90, reafirma seu compromisso com a soberania sanitária e a garantia de tratamentos inovadores para a população, um pilar fundamental do SUS.
Próximos passos na nacionalização de tratamentos para HIV
A parceria entre Fiocruz e ViiV Healthcare não se encerra com a produção do dolutegravir isoladamente. Já está prevista uma nova etapa de nacionalização que focará na fabricação da combinação de dolutegravir com lamivudina. Este é outro medicamento essencial no combate à infecção pelo HIV, também distribuído gratuitamente pelo SUS, e sua produção doméstica representa mais um passo para a completa autonomia brasileira nos tratamentos de doenças de alto impacto.














