Com a chegada do período mais frio e seco do ano, aumenta a incidência de casos de rinite alérgica, condição que causa sintomas como espirros frequentes, coriza, obstrução nasal e coceira. Muitos desconhecem que os principais remédios para controlar essa doença podem ser retirados sem custo por meio do Programa Farmácia Popular.
Atualmente, o programa oferece dois tipos de substâncias ativas para o manejo da rinite: a budesonida, disponível em concentrações de 32 mcg e 50 mcg, e o dipropionato de beclometasona (50 mcg/dose), ambos administrados via spray nasal.
Os medicamentos podem ser obtidos em farmácias credenciadas, bastando a apresentação de uma receita médica válida, que pode ser emitida por profissionais tanto do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto da rede particular.
Na região da Grande Vitória, o programa conta com 222 farmácias parceiras. Desse total, 76 estão localizadas em Vila Velha, 52 em Cariacica, 40 na Serra, 33 em Vitória, 16 em Guarapari e cinco em Viana.
Segundo o otorrinolaringologista José Vicente Boleli Scardini Alves, da Bluzz Saúde, os remédios disponibilizados pelo programa agem diretamente na inflamação da mucosa do nariz, que é a causa dos sintomas mais comuns da rinite alérgica. Os medicamentos oferecidos pelo Farmácia Popular são corticosteroides de uso intranasal. Eles têm a função de reduzir a inflamação na mucosa do nariz, aliviando a obstrução, espirros, coriza e coceira. São especialmente recomendados para pacientes com rinite alérgica cujos sintomas são persistentes ou afetam a qualidade de vida.
O especialista alerta, contudo, que nem todas as ocorrências de obstrução nasal são causadas por rinite. Condições como desvio de septo, pólipos nasais e sinusites podem gerar sintomas parecidos, o que torna a avaliação de um médico essencial para identificar o tratamento mais apropriado. “Como agem localmente, esses medicamentos têm um perfil de segurança excelente quando usados corretamente. No entanto, é importante lembrar que nem toda obstrução nasal é causada por rinite. Alterações como desvio de septo, pólipos nasais e sinusites também podem provocar sintomas semelhantes, tornando a avaliação médica fundamental para o diagnóstico correto”, explicou.
Especialistas confirmam eficácia dos tratamentos oferecidos
Os sprays nasais distribuídos gratuitamente pelo Farmácia Popular estão entre as opções de primeira escolha para o tratamento da rinite alérgica. Especialistas afirmam que eles permanecem amplamente recomendados pelas principais diretrizes médicas, mesmo com a chegada de remédios mais recentes no mercado.
“A budesonida e a beclometasona possuem eficácia amplamente comprovada e estão entre os medicamentos mais recomendados para o tratamento da rinite alérgica. As principais diretrizes nacionais e internacionais apontam os corticoides intranasais como tratamento de primeira escolha porque são os medicamentos que melhor controlam a inflamação da mucosa nasal e, consequentemente, o conjunto dos sintomas”, afirmou José Vicente. Embora existam corticoides intranasais mais novos, como a mometasona e a fluticasona, o médico esclarece que isso não significa que sejam mais eficazes. Ele ressalta que a budesonida e a beclometasona continuam sendo alternativas terapêuticas de excelência e seguem na lista de medicamentos indicados para controlar a doença.
Outro aspecto relevante, conforme o especialista, é a forma correta de aplicar o medicamento. A técnica influencia diretamente a eficácia do tratamento e pode diminuir o risco de irritação ou sangramentos. Além disso, o efeito do remédio não costuma ser imediato, exigindo o uso contínuo por alguns dias para atingir o benefício máximo. “O spray deve ser utilizado com a cabeça levemente inclinada para frente e direcionado para a parede lateral do nariz, apontando em direção à orelha do mesmo lado e evitando o septo nasal. Essa técnica melhora a distribuição do medicamento e reduz o risco de irritação e sangramentos. Além disso, o paciente deve saber que o benefício não costuma ser imediato: o efeito máximo geralmente ocorre após alguns dias de uso contínuo”, explica.
A pneumologista Dyanne Dalcomune, do Hospital Santa Rita, enfatiza que os medicamentos oferecidos gratuitamente são considerados ótimos para o controle da rinite alérgica, mas reforça que o diagnóstico deve ser sempre feito por um profissional da saúde. Isso porque existem diferentes tipos de rinite, e nem todas respondem de igual forma ao tratamento. “Os principais sintomas da rinite são obstrução nasal, coriza clara, espirros, coceira nasal e alteração do olfato. O que está disponibilizado pelo SUS nesse momento é o principal tratamento para a rinite do tipo alérgica. Esses medicamentos são excelentes em controlar esse tipo de rinite, mas quem vai definir isso é a avaliação médica.”
Ela também adverte que, apesar de serem aplicados somente na mucosa nasal e apresentarem poucos efeitos colaterais, os medicamentos contêm corticoides e devem ser usados com acompanhamento médico, especialmente porque a rinite é, em geral, uma doença crônica e pode estar associada a outras condições respiratórias. “Eles são todos à base de corticoide. É uma dose baixa, de aplicação local, tópica. Os efeitos colaterais são poucos, mas eles existem. Por isso, é muito importante não se automedicar. Como é um problema crônico, relacionado às alergias respiratórias, muitas pessoas vão precisar usar essas medicações por bastante tempo e devem ter acompanhamento médico”, complementa Dalcomune.
Entenda os motivos da piora da rinite durante a estação fria
É comum que muitas pessoas associem o agravamento da rinite apenas ao frio, mas os especialistas explicam que o principal fator está nas alterações de comportamento durante essa época do ano. Permanecer por mais tempo em ambientes fechados aumenta a exposição aos ácaros da poeira, o principal gatilho da rinite alérgica, enquanto o ar mais seco causa irritação na mucosa nasal.
“Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o frio, por si só, não causa rinite. O que acontece é que, nesta época do ano, permanecemos mais tempo em ambientes fechados, aumentando a exposição aos ácaros da poeira, que são o principal desencadeante da rinite alérgica. Além disso, a redução da umidade do ar resseca a mucosa nasal, favorecendo irritação, e o aumento das infecções respiratórias pode agravar os sintomas em pessoas predispostas”, explica o otorrinolaringologista José Vicente.
A alergista e imunologista pediátrica Bruna Guaitolini, professora do Unesc, adiciona que a maior circulação de vírus respiratórios durante o inverno também colabora para desencadear ou intensificar as crises, especialmente entre crianças em idade escolar. “As mudanças climáticas e o frio contribuem para o agravamento da rinite. As crianças ficam mais aglomeradas com a volta às aulas e o contato com os vírus também é um fator que favorece o aparecimento das crises alérgicas”, acentua Guaitolini.
Medidas ambientais complementam o cuidado com a rinite
Os especialistas destacam que o controle da rinite não se resume apenas ao uso dos sprays nasais. Ações simples de higiene do ambiente contribuem para diminuir a exposição aos fatores que provocam as crises e potencializam o efeito do tratamento.
Entre as principais recomendações estão manter os ambientes limpos e arejados, evitar o acúmulo de poeira, fazer lavagem nasal com soro fisiológico e reduzir o contato com fumaça de cigarro e outros agentes irritantes. Pessoas com alergia a ácaros também podem se beneficiar do uso de capas impermeáveis em colchões e travesseiros.
“O controle da rinite depende da combinação entre tratamento medicamentoso e higiene ambiental, para redução da exposição aos fatores desencadeantes. Entre as principais medidas estão manter os ambientes limpos e bem ventilados, reduzir o acúmulo de poeira, evitar fumaça de cigarro e realizar lavagem nasal com solução fisiológica”, orientou José Vicente.
Dyanne Dalcomune salienta que o local onde a pessoa vive pode comprometer totalmente o tratamento quando não recebe os cuidados adequados. “Além da terapia medicamentosa, é preciso controlar o ambiente. Ar-condicionado e ventilador precisam estar limpos, assim como colchões, travesseiros, cortinas, tapetes e almofadas, que acumulam ácaros. Senão, você está tratando, mas continua exposto ao que provoca a alergia”, disse.
Passos para acessar os remédios gratuitos pelo programa
Para retirar gratuitamente os medicamentos pelo Programa Farmácia Popular, é preciso apresentar:
- documento oficial com foto e CPF;
- receita médica dentro do prazo de validade, emitida por profissional do SUS ou da rede privada.
Caso o paciente esteja acamado ou impossibilitado de ir à farmácia, a retirada pode ser realizada por um representante legal ou procurador, desde que os documentos exigidos pelo programa sejam apresentados.
Outros tratamentos e insumos disponíveis na Farmácia Popular
Além dos medicamentos para rinite, o Programa Farmácia Popular oferece gratuitamente remédios e insumos para outras condições de saúde. Confira a lista completa:
- Hipertensão
- Atenolol
- Anlodipino
- Captopril
- Propranolol
- Hidroclorotiazida
- Losartana
- Enalapril
- Espironolactona
- Furosemida
- Metoprolol
- Diabetes
- Metformina
- Glibenclamida
- Insulina humana NPH
- Insulina humana regular
- Asma
- Brometo de ipratrópio
- Dipropionato de beclometasona
- Salbutamol
- Osteoporose
- Alendronato de sódio
- Colesterol alto (dislipidemia)
- Sinvastatina
- Doença de Parkinson
- Carbidopa + levodopa
- Benserazida + levodopa
- Glaucoma
- Maleato de timolol
- Diabetes associada a doença cardiovascular
- Dapagliflozina
- Anticoncepção
- Acetato de medroxiprogesterona
- Etinilestradiol + levonorgestrel
- Noretisterona
- Valerato de estradiol + enantato de noretisterona
O programa também fornece fraldas geriátricas para pessoas com 60 anos ou mais ou para indivíduos com deficiência que atendam aos requisitos estabelecidos, e absorventes higiênicos, por meio do Programa Dignidade Menstrual, destinado às beneficiárias da iniciativa.
