Entenda por que o uso de Ozempic pode causar mau hálito e como resolver o problemaPor Carolina Costa
4 min de leitura
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Relatos de usuários de medicamentos para emagrecer, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, têm levantado uma questão incômoda: o desenvolvimento de mau hálito. Embora a halitose não seja listada como um efeito colateral oficial desses agonistas de GLP-1, a experiência de quem os utiliza indica o contrário, conforme evidenciado pelo aumento de 8% nas vendas de chicletes e balas de menta no primeiro trimestre do ano, conforme apurado pela fabricante de doces Hershey em 18 de agosto de 2026.
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Apesar da crescente preocupação, ainda não existem estudos científicos revisados por pares que expliquem diretamente essa relação. No entanto, uma pesquisa interna da Novo Nordisk, empresa que fabrica o Ozempic, indicou que quase 9% dos usuários de semaglutida experimentam arrotos. Este pode ser um dos fatores por trás do que tem sido popularmente chamado de “bafo de Ozempic”, mas outras razões também contribuem para o fenômeno.
Retardo na digestão e a origem dos arrotos
Os medicamentos como Ozempic funcionam retardando o processo digestivo. Isso significa que os alimentos permanecem no estômago por um período maior do que o habitual de quatro horas. Essa permanência prolongada favorece a fermentação e a produção de gases. Quando esses gases são eliminados através de arrotos, carregam consigo o odor desagradável da massa orgânica em decomposição, contribuindo para o mau cheiro na boca.
Desidratação como fator desencadeante do hálito
Um dos efeitos colaterais mais comuns associados ao uso de agonistas de GLP-1 são os episódios de vômito e diarreia. Essas condições podem levar rapidamente à desidratação do organismo. A boca seca, que é uma consequência direta da falta de hidratação adequada, é um gatilho frequente para o mau hálito. Segundo uma especialista em perda de peso, a Dra. Sue Decotiis, pacientes que utilizam esses medicamentos necessitam de cerca de 3,7 litros de água por dia para manter um metabolismo saudável e a hidratação correta, mas poucos recebem ou seguem essa orientação.
Refluxo gastroesofágico: um agravante para o problema
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) ocorre quando o ácido estomacal retorna ao esôfago, causando irritação e sensações de azia. Essa condição pode piorar significativamente o mau hálito ao transportar compostos voláteis sulfurados, resíduos bacterianos malcheirosos, para a cavidade bucal. Como os medicamentos para emagrecer diminuem o esvaziamento gástrico, eles podem intensificar ou até mesmo provocar os sintomas de refluxo em alguns indivíduos.
Cetose e outros problemas na saúde bucal
A cetose, um estado metabólico onde o corpo queima gordura para gerar energia, também pode estar por trás do mau hálito. Um gastroenterologista afirmou que esse processo frequentemente resulta em um hálito com odor adocicado, similar ao da acetona. A manutenção de uma dieta balanceada, com todos os macronutrientes, é recomendada para evitar essa condição.
Além disso, o uso desses medicamentos pode estar ligado a outros problemas de saúde bucal. Usuários podem experimentar:
- Gengivite
- Apodrecimento dos dentes
- Erosão do esmalte dentário
- Sensibilidade nos dentes
- Gosto ácido na boca
É importante notar que pessoas com diabetes, o público-alvo original desses tratamentos, já são mais propensas a desenvolver questões dentárias.
Medidas práticas para combater o mau hálito
A boa notícia é que, para a maioria dos usuários, o mau hálito e outros efeitos colaterais tendem a diminuir à medida que o corpo se adapta ao medicamento. Enquanto isso, algumas medidas podem ser adotadas para mitigar o problema:
- Realizar a escovação dos dentes e usar fio dental diariamente, seguindo as recomendações de higiene bucal.
- Manter uma hidratação constante, ingerindo bastante água, especialmente em casos de vômitos ou diarreia.
- Adotar uma alimentação equilibrada, priorizando proteínas magras, frutas e vegetais, e reduzindo o consumo de alimentos gordurosos que demandam maior tempo de digestão.
- Evitar refeições pesadas pouco antes de dormir, buscando um intervalo mínimo de três horas entre a última refeição e o repouso.
- Agendar consultas odontológicas regulares para exames preventivos, garantindo a saúde bucal e a detecção precoce de possíveis problemas como cáries e doenças gengivais.















