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Morcegos vespertinos, uma das maiores famílias de morcegos, possuem um sistema genético de anticorpos nunca antes observado em outros mamíferos, o que revela uma notável diversidade em sua imunidade. A descoberta oferece novas perspectivas sobre como esses animais conseguem conviver com diversos vírus sem desenvolver doenças graves.

A capacidade dos morcegos de abrigar patógenos perigosos sem sofrer de enfermidades severas é um mistério que desafia a ciência por muitos anos. No entanto, pesquisadores da Universidade de Tulane, em parceria com a Universidade de Stanford e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), anunciaram ter desvendado parte dessa intrigante questão em um estudo divulgado em 28 de agosto de 2026.

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Uma pesquisa publicada na revista Science Advances apontou que os morcegos vespertinos, que representam a maior família de morcegos globalmente, dispõem de duas versões distintas dos genes responsáveis pela produção de anticorpos. Enquanto todos os outros mamíferos conhecidos possuem apenas um único conjunto desses genes, a singularidade dos morcegos modifica substancialmente a compreensão atual sobre a organização da imunidade mamífera. Isso levanta novas e empolgantes questões sobre o sucesso evolutivo desses animais e suas respostas a infecções virais.

“Nunca presenciamos algo assim em nenhum outro mamífero”, comentou Hannah Frank, professora associada de ecologia e biologia evolutiva na Escola de Ciências e Engenharia da Universidade de Tulane, e autora responsável pelo estudo. Ela acrescentou que a descoberta “transforma completamente nossa visão de como os sistemas imunológicos dos mamíferos podem ser estruturados e abre novas e fascinantes vias para investigar o êxito evolutivo dos morcegos e a forma como enfrentam os vírus.”

Essa revelação surgiu a partir do estudo dos morcegos vespertinos, um grupo com mais de 500 espécies distribuídas por todos os continentes, com exceção da Antártida. O vasto sucesso evolutivo desses animais sempre foi um ponto de grande interesse para a comunidade científica, e este sistema de anticorpos recém-identificado pode ser uma peça fundamental para explicar essa longevidade.

Uma organização genética que expande a variedade de anticorpos

Os anticorpos são proteínas em formato de Y, constituídas por duas cadeias proteicas pesadas e duas leves. Em seres humanos e em todos os outros mamíferos previamente estudados pela ciência, as cadeias pesadas são geradas a partir de um único conjunto de genes.

Frank e sua equipe de colaboradores identificaram que os morcegos vespertinos detêm dois sistemas distintos de genes de cadeia pesada. Esta característica oferece a eles uma via adicional para gerar uma maior diversidade de anticorpos, ampliando significativamente suas defesas.

morcego
morcego – Rudmer Zwerver/Shutterstock.com

Imunidade adaptativa: um campo promissor para novas descobertas

Grande parte das investigações anteriores sobre a resistência dos morcegos a doenças focou-se na imunidade inata, que corresponde à primeira linha de defesa do organismo contra infecções. Frank afirmou que os novos resultados direcionam a atenção para outra área que merece mais investigação: a imunidade adaptativa, o componente responsável pela criação de anticorpos.

“Acreditamos que esta descoberta representa uma peça essencial do enigma”, disse Frank. Ela complementou que, embora a descoberta não explique por completo a eficácia dos morcegos como reservatórios virais, “ela revela um nível de variedade imunológica até então desconhecido e nos oferece uma orientação totalmente nova para futuras explorações.”

Conhecimentos sobre a imunidade de morcegos e seu potencial para a saúde pública

Os morcegos desempenham papéis ecológicos cruciais, atuando como polinizadores, dispersores de sementes e controladores naturais de pragas. Além disso, eles servem como hospedeiros naturais para uma ampla gama de vírus, conforme explicou Frank. Compreender como esses animais conseguem coexistir com tais vírus sem adoecer pode, ao longo do tempo, aprofundar o entendimento sobre as respostas imunológicas em diferentes espécies e contribuir para o desenvolvimento de estratégias voltadas à redução da transmissão de doenças.

“Nós adquirimos vasto conhecimento sobre imunidade através do estudo de seres humanos e ratos de laboratório”, afirmou Frank. “Contudo, a natureza é muito mais diversa do que isso. Cada vez que examinamos uma espécie que evoluiu de uma maneira singular, ganhamos a chance de fazer uma descoberta completamente inédita.”

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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