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A pesquisa Raio-X do Investidor Brasileiro revelou em 2025 que 93% dos aposentados no país dependem do Instituto Nacional do Seguro Social como principal fonte financeira. O levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais indicou ainda que apenas 16% dos trabalhadores guardam recursos com foco na aposentadoria.

Dependência da previdência pública atinge a maioria dos aposentados

Cerca de 60% dos profissionais que ainda trabalham acreditam que o sustento futuro virá exclusivamente dos cofres do INSS.

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O empresário Ricardo Krolikowski, de 62 anos, administra um atacado de autopeças há 37 anos e priorizou os investimentos na própria empresa durante as últimas décadas. A opção reduziu as contribuições previdenciárias mensais recolhidas ao longo da carreira. ‘Eu e a minha esposa nos aposentamos pelo INSS, mas, por conta de ter começado a empresa do zero, se deu prioridade para o negócio’, afirmou Ricardo Krolikowski.

O comerciante mantém a loja aberta para garantir a maior parcela do orçamento familiar. ‘Então, nós contribuímos pouco com o INSS e acabamos nos aposentando com uma renda pequena’, relatou Ricardo Krolikowski ao detalhar que o valor recebido banca o plano de saúde.

Falta de reserva financeira atinge grande parcela da população

Os dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais expõem a ausência de proteção para despesas inesperadas entre os cidadãos.

A quantia guardada para emergências serve para sustentar custos imprevistos como demissões, contas médicas ou tratamentos com remédios. A pesquisa registrou que 31% dos brasileiros não possuem qualquer reserva monetária guardada para contingências. Outros 10% dos participantes mantêm recursos suficientes apenas para cobrir períodos inferiores a sete dias.

  • Apenas 3% dos entrevistados possuem reserva financeira para cinco anos ou mais.
  • Cerca de 10% conseguem cobrir gastos por menos de uma semana com o valor guardado.
  • Um grupo de 31% não mantém nenhuma reserva monetária para imprevistos.

Apenas 3% dos cidadãos ouvidos pela entidade afirmaram manter economias capazes de garantir o sustento por cinco anos ou mais. Esse grupo restrito reflete o distanciamento da população em relação ao planejamento financeiro prolongado.

Juros compostos exigem mais tempo para multiplicar patrimônio

O professor Marcelo Perlin, da Escola de Administração da UFRGS, defende a aplicação contínua de parcelas salariais em investimentos.

A aplicação dos juros compostos faz com que os rendimentos gerados pelo próprio investimento passem a render novos valores nos meses seguintes. Poupar cedo faz diferença. ‘A única forma de construir uma reserva é poupar mais, e quem começou mais tarde vai ter que aumentar a taxa de poupança para equilibrar essa diferença’, explicou Marcelo Perlin.

O especialista da Escola de Administração da UFRGS avaliou que o aumento da fatia de remuneração poupada mensalmente encurta o período necessário para que o montante acumulado passe a bancar as despesas básicas da vida após o encerramento das atividades profissionais. ‘Isso quer dizer que, quanto mais tempo você deixar dinheiro investido, maior será o valor final para você usar na aposentadoria’, afirmou Marcelo Perlin.

Regras atuais definem idade e tempo de contribuição ao INSS

A advogada previdenciarista Jane Berwanger apontou que as normas em vigor estabelecem idade mínima de 65 anos para homens e de 62 anos para mulheres, acompanhadas de pelo menos 15 anos de contribuição ao INSS.

As regras de transição criadas na reforma da Previdência ainda alteram o acesso aos pagamentos governamentais. ‘Para o homem que ingressou no mercado de trabalho após a reforma, a idade é 65 também, mas o tempo de contribuição é de 20 anos’, disse Jane Berwanger. A advogada constatou que a ausência de planejamento prévio entre os trabalhadores costuma gerar frustrações jurídicas nos balcões de atendimento.

Teto previdenciário e cálculo da média reduzem valor do benefício

O valor máximo pago pela Previdência Social atinge R$ 8.475,55 por mês, enquanto o salário mínimo nacional se fixa em R$ 1.621,00. O cálculo oficial utiliza a média de todas as remunerações recebidas ao longo da trajetória profissional, fato que comumente afasta o pagamento final do patamar teto.

Jane Berwanger relatou que muitos segurados tentam elevar o recolhimento nos últimos anos de trabalho, mas encontram barreiras no cálculo legal da Previdência.

‘Muitas pessoas chegam até mim já perto da idade de aposentadoria, e aí começam a pensar em pagar mais, mas, nessa altura, não tem mais jeito’, informou Jane Berwanger. Quem começou com recolhimentos menores e ampliou os aportes na reta final da carreira não consegue compensar o histórico previdenciário acumulado.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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