Greve da Caixa atinge o 13º dia e afeta atendimento de financiamento imobiliárioPor Jeronimo Santos
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Os empregados da Caixa Econômica Federal completaram o 13º dia consecutivo de greve nacional nesta quarta-feira (23), mantendo o atendimento presencial reduzido em agências de todo o país. O impasse entre a instituição bancária e as entidades de representação dos trabalhadores persiste após a recusa de uma nova contraproposta apresentada pela direção da empresa pública, que teve início em 10 de setembro de 2026 e segue sem previsão oficial de encerramento em Brasília.
Em nota oficial, a Caixa Econômica Federal declarou que “segue empenhada na construção de uma solução que preserve os interesses dos empregados, da instituição, dos clientes e da sociedade brasileira”. A instituição financeira informou que pretende buscar uma saída direta com os representantes da categoria e que, no momento, não planeja ajuizar dissídio coletivo de greve perante a Justiça do Trabalho, embora a hipótese continue em avaliação interna pelo banco público.
Custeio da assistência médica trava as negociações
O ponto central do desentendimento diz respeito ao Saúde Caixa, plano de assistência médica destinado aos funcionários do banco. A direção da Caixa ofereceu elevar o teto de participação do banco no custeio da assistência de 6,5% para 9% da folha salarial a partir de 2027, mantendo as mensalidades sem reajuste ao longo de 2026. Os trabalhadores, por sua vez, rejeitaram os termos sob a justificativa de que a fórmula de partilha de despesas compromete os ganhos salariais obtidos nas negociações gerais do setor financeiro.
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A recusa foi formalizada em assembleias virtuais realizadas na segunda-feira (21), quando 102 sindicatos de base, incluindo capitais como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre, votaram contra a proposta patronal, diante de 30 bases que votaram favoravelmente. Sergio Takemoto, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), afirmou que “a retomada das negociações é considerada um passo importante para que as partes possam voltar a discutir alternativas para o plano, diante das preocupações dos empregados principalmente com os custos e com a sustentabilidade do Saúde Caixa”. A coordenação das negociações dos trabalhadores é conduzida por Luiza Hansen, coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa.
Como pagar contas e movimentar serviços durante a paralisação?
O movimento paredista nos bancos não suspende a data de vencimento de boletos, faturas comerciais ou parcelas de dívidas. O consumidor precisa utilizar métodos alternativos para quitar os débitos em dia e evitar juros e encargos moratórios, já que as regras de cobrança permanecem válidas conforme a legislação de consumo. O usuário que enfrentar barreiras deve manter registro formal da impossibilidade de atendimento para resguardo de direitos.
As opções ativas de atendimento financeiro incluem:
Continue lendo: Caixa amplia teto do Saúde Caixa, mas bancários mantêm greve
- Canais remotos como Internet Banking, App Caixa e o aplicativo Caixa Tem para transferências, consultas e pagamentos de títulos.
- Rede física compartilhada operada em casas lotéricas e estabelecimentos correspondentes Caixa Aqui espalhados pelo país.
- Terminais de autoatendimento instalados nas salas de caixas eletrônicos das agências para saques e depósitos bancários.
FGTS, financiamento imobiliário e benefícios sociais
O acesso aos recursos trabalhistas e aos programas do governo federal segue regras específicas durante a mobilização dos servidores do banco. A maior parte das modalidades de saque do FGTS continua sendo solicitada diretamente pelo aplicativo FGTS, com depósito em conta bancária indicado em até cinco dias úteis após a solicitação pelo trabalhador. Da mesma forma, os pagamentos do Bolsa Família e do programa Pé-de-Meia para o mês de setembro de 2026 são realizados de maneira automática por meio de contas digitais gerenciadas pelo banco, sem necessidade de comparecimento às agências.
O setor habitacional, no entanto, apresenta divergências de funcionamento durante a paralisação. A Caixa sustenta que os serviços habitacionais permanecem em andamento por via digital, mas entidades sindicais e corretores de imóveis apontam retenções e atrasos significativos na validação de documentos e na assinatura presencial de escrituras. O banco movimenta uma média diária de R$ 920 milhões em crédito imobiliário, correspondendo a um ritmo de 3,2 mil contratos fechados por dia em território nacional.
Ficha da paralisação dos trabalhadores da Caixa
- Duração confirmada: 13 dias consecutivos até 23 de setembro de 2026.
- Proposta econômica em debate: elevação de 6,5% para 9% no teto de custeio patronal da folha salarial sobre a assistência médica.
- Resultado da votação sindical: 102 bases contrárias à proposta da Caixa e 30 bases favoráveis.
Cronologia das decisões e do movimento nacional
- 10 de setembro de 2026 — Início da greve simultânea de funcionários da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Correios após rejeição das cláusulas salariais iniciais.
- 21 de setembro de 2026 — Assembleias virtuais mobilizam bancários da Caixa, que recusam em maioria a contraproposta sobre o modelo de custeio do plano médico.
- 23 de setembro de 2026 — Paralisação dos empregados da Caixa alcança 13 dias sem resolução conjunta das pendências trabalhistas.
- 24 de setembro de 2026 — Tribunal Superior do Trabalho programa julgamento do dissídio coletivo de greve referente aos trabalhadores dos Correios.
- 1 de janeiro de 2027 — Data estabelecida na oferta rejeitada da Caixa para a vigência do aumento no percentual de participação do banco no plano de saúde.
Enquanto o Banco do Brasil encerrou o movimento após aceitar a convenção e o processo dos Correios foi direcionado a julgamento pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), a direção da Caixa e o comando nacional dos bancários ainda não formalizaram o agendamento de uma nova data para reabrir a mesa unificada de negociação salarial.








