As aplicações de recursos no Tesouro Direto somaram R$ 15,00 bilhões em agosto de 2026, atingindo o maior patamar mensal de toda a série histórica do programa de compra e venda de títulos públicos para pessoas físicas. O montante financeiro recorde resultou de 1.320.001 operações de compra no mês, de acordo com o relatório divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026.
Apesar do ingresso financeiro em volume inédito, o programa apurou captação líquida negativa de R$ 2,21 bilhões no período de apuração. Isso aconteceu porque o somatório de resgates antecipados e vencimentos de contratos chegou a R$ 17,22 bilhões, ultrapassando o total investido pelos cidadãos.
Concentração de vencimentos do Tesouro IPCA+ eleva resgates
O resultado líquido negativo foi impulsionado pela concentração do calendário de vencimento de papéis indexados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a métrica oficial da inflação no país. Dois títulos de dívida pública dessa categoria encerraram seus prazos no mês de agosto de 2026, gerando o pagamento compulsório do saldo corrigido aos investidores cadastrados que mantinham posição em carteira.
Somente o encerramento do papel Tesouro IPCA+ 2026 representou uma devolução de R$ 11,3 bilhões, enquanto o título Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2026 respondeu pelo pagamento de mais R$ 1,5 bilhão. Dessa maneira, apenas o vencimento regular desses dois instrumentos injetou R$ 12,8 bilhões nas contas dos participantes cadastrados no sistema, elevando expressivamente as saídas registradas.
Papéis atrelados à taxa Selic lideram a preferência do mercado
Os papéis pós-fixados indexados à taxa básica de juros continuaram concentrando o maior interesse dos investidores. A soma das vendas de papéis Tesouro Selic e Tesouro Reserva alcançou R$ 7,0 bilhões em agosto de 2026, fatia correspondente a 46,9% de todos os investimentos realizados na plataforma de renda fixa. Os títulos indexados ao IPCA ficaram na segunda colocação, com R$ 5,5 bilhões e 36,3% das vendas, seguidos pelos prefixados, com R$ 2,5 bilhões e 16,7% do total.
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Nas recompras antecipadas, modalidade em que o detentor vende os títulos públicos de volta para a União antes do prazo final, os instrumentos atrelados aos juros básicos também mantiveram a liderança. Os resgates voluntários somaram R$ 3,0 bilhões nesses papéis pós-fixados, ou 67,4% de todas as operações antecipadas. Os papéis de inflação responderam por R$ 1,006 bilhão nessas recompras, correspondendo a 22,9%, e os prefixados responderam por R$ 423,6 milhões, fatia de 9,7%.
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Como ficou o perfil dos prazos escolhidos pelos compradores?
Em relação ao horizonte temporal das aquisições fechadas em agosto de 2026, os investidores priorizaram instrumentos com vencimento programado no médio prazo, seguidos pelas opções com prazo intermediário:
- Títulos com vencimento entre um e cinco anos: 45,2% das aplicações efetuadas.
- Títulos com vencimento entre cinco e dez anos: 43,2% das aplicações efetuadas.
- Títulos com prazo superior a dez anos: 11,7% das aplicações efetuadas.
O tíquete médio por aplicação financeira foi de R$ 11.366,43 ao longo das transações efetuadas. No entanto, os pequenos investidores sustentaram a base do programa: as operações com valores de até R$ 1.000 representaram 55,7% de todas as transações de compra de títulos anotadas no mês de agosto de 2026 pela Secretaria do Tesouro Nacional.
Estoque total e histórico recente de captação da plataforma
O estoque acumulado sob custódia no Tesouro Direto encerrou agosto de 2026 em R$ 272,0 bilhões, registrando variação neutra de 0,1% negativo em relação ao fechamento de julho de 2026, quando marcava R$ 272,3 bilhões. Na comparação anual, o avanço do volume sob custódia atingiu 43,0%, considerando que em agosto de 2025 o estoque acumulado da dívida em mãos de pessoas físicas estava situado em R$ 190,2 bilhões.
O topo histórico mensal anterior de aplicações pertencia a março de 2026, quando os investidores haviam injetado R$ 14,79 bilhões no sistema, e a junho de 2026, com R$ 14,76 bilhões. Esse ciclo anterior de captações elevadas coincidiu com o lançamento e a consolidação do produto Tesouro Reserva no catálogo oficial.
A divisão patrimonial acumulada no estoque do programa ao término de agosto de 2026 mostra a seguinte composição por indicador e cronograma de pagamento:
- Títulos atrelados à inflação: R$ 128,0 bilhões sob custódia, equivalente a 47,1% da carteira.
- Títulos atrelados à taxa Selic: R$ 106,9 bilhões sob custódia, correspondendo a 39,3% do estoque.
- Títulos com taxas prefixadas: R$ 37,1 bilhões sob custódia, somando 13,6% do montante total.
- Prazos de até um ano no estoque: R$ 20,2 bilhões em papéis a vencer, totalizando 7,4%.
- Prazos entre um e cinco anos no estoque: R$ 131,4 bilhões em papéis a vencer, ou 48,3%.
- Prazos acima de cinco anos no estoque: R$ 120,5 bilhões em papéis a vencer, alcançando 44,3%.
A base de investidores com aplicações ativas em custódia fechou o período em 3,83 milhões de pessoas, número que reflete acréscimo de 23.962 participantes sobre o mês imediatamente anterior e avanço de 21,7% na comparação de doze meses. Já o número absoluto de pessoas cadastradas no sistema alcançou 36,44 milhões, acumulando expansão de 9,6% em um ano após a inscrição de 315.217 novos usuários ao longo do mês de agosto de 2026.
