Nutricionista relata síndrome energética após atingir 10% de gordura

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balança de peso Foto: balança de peso - Pixel-Shot/Shutterstock.com

A nutricionista Laísla Gebauer, de 38 anos, relatou neste sábado (17) os danos físicos e psicológicos que sofreu no Brasil após reduzir seu índice de gordura corporal para o mínimo de 10%. O quadro de restrição calórica severa aliado a exercícios intensos provocou o desenvolvimento da Síndrome da Deficiência Relativa de Energia no Esporte (RED-S), condição médica decorrente da falta de calorias para sustentar o organismo. Como resultado direto do déficit energético, a profissional ficou seis meses sem menstruar e enfrenta dificuldades para engravidar.

A síndrome deixou sequelas no sistema reprodutivo que persistem mesmo após o fim das dietas restritivas. “A primeira coisa na mulher é a ausência da menstruação: fiquei seis meses sem menstruar. Na época, isso não me importava, mas hoje estou tentando engravidar e tenho uma descompensação no estradiol, com poucas ovulações no ano”, afirmou Laísla Gebauer. Diante da popularização de vídeos em redes sociais que exaltam a magreza extrema, ela resumiu o risco: “Vejo meninas que querem ser muito magras e definidas e penso: isso tem um preço e eu sei. Essas meninas não estão vendo o que pode acontecer no futuro.”

Transição de 50 kg para 10% de gordura corporal e sintomas de menopausa

O processo de transformação física de Laísla Gebauer começou quando ela pesava 50 kg e passou a aumentar a ingestão alimentar e a carga de treinos para ganhar massa muscular, atingindo o pico de 65 kg. A mudança para a restrição severa ocorreu com a adoção de dietas de baixo carboidrato voltadas à definição muscular, fase em que seu peso caiu para 58 kg e o índice de gordura chegou a 10%. A rotina exigia exercícios aeróbicos rigorosos, privação alimentar e isolamento social em eventos como festas, deixando de consumir bolos, doces ou ir a pizzarias, o que gerou desgaste psicológico e alertas de pessoas próximas sobre o exagero.

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No campo fisiológico, a escassez de tecido adiposo prejudicou a circulação hormonal e desencadeou reações semelhantes às do climatério. Durante os anos em que manteve o déficit calórico, a nutricionista registrou alterações severas no sono, ondas de calor e episódios de suor noturno intenso, nos quais acordava com a roupa de cama molhada.

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Para reverter o quadro de saúde, Laísla abandonou a privação extrema e estabilizou seu peso em 62 kg, mantendo cerca de 13% de gordura corporal. Em agosto de 2026, em publicações nas redes sociais, ela já relatava a decisão de não cortar carboidratos da rotina e de buscar uma estrutura física compatível com sua vida pessoal.

O que é a síndrome RED-S reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional

A Síndrome da Deficiência Relativa de Energia no Esporte (RED-S), conceito oficializado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), ocorre quando a ingestão de calorias pela alimentação é insuficiente para cobrir simultaneamente o gasto energético das atividades físicas e a manutenção das funções vitais diárias do ser humano. Na literatura médica e científica, essa classificação substituiu e ampliou o antigo termo “Tríade da Atleta Feminina”, pois a comunidade científica comprovou que a falta crônica de energia não se limita a causar distúrbios menstruais e perda óssea em mulheres, afetando múltiplos sistemas do organismo e atingindo também atletas do sexo masculino, nos quais provoca hipogonadismo (redução da atividade dos testículos) e queda nos níveis de testosterona.

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Além da amenorreia (interrupção da menstruação) e das falhas na ovulação relatadas por Laísla Gebauer, a persistência da RED-S reduz a densidade mineral dos ossos — abrindo caminho para quadros de osteopenia, osteoporose e fraturas por estresse —, deprime o sistema imunológico e reduz o desempenho esportivo.

Limites de gordura corporal e funções hormonais segundo especialistas

Embora o excesso de tecido adiposo esteja associado a problemas metabólicos, a presença de gordura em níveis adequados é indispensável para a sobrevivência humana. A nutricionista Madalena Vallinoti informou que a gordura atua como reserva energética para períodos de jejum prolongado, isolante térmico para estabilizar a temperatura do corpo, proteção mecânica para os órgãos contra impactos e depósito para o armazenamento das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K.

O tecido adiposo também exerce função endócrina ao secretar hormônios diretamente na corrente sanguínea, como a leptina, substância que regula a sensação de saciedade, e a adiponectina, que atua no controle da glicemia (taxa de açúcar no sangue). “Percentuais de gordura corporal muito baixos podem comprometer o sistema imunológico, a saúde cognitiva e emocional, pelas possíveis alterações de humor e bem-estar, além da disposição, performance física e qualidade de sono”, declarou Madalena Vallinoti.

Os parâmetros fisiológicos de composição corporal e de risco metabólico variam conforme o sexo e a localização do tecido adiposo no organismo:

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  • Faixa saudável para mulheres adultas (de 18 a 65 anos): de 13% a 32% de gordura corporal total;
  • Limite mínimo para manter o metabolismo regular em mulheres adultas: de 10% a 13% de gordura corporal;
  • Limite mínimo para manter o metabolismo regular em homens adultos: de 2% a 5% de gordura corporal;
  • Alerta para excesso de gordura visceral em mulheres: circunferência abdominal na altura do umbigo a partir de 89 cm;
  • Alerta para excesso de gordura visceral em homens: circunferência abdominal na altura do umbigo a partir de 101,5 cm.

Diferença entre magreza aparente, gordura visceral e orientação profissional

A avaliação clínica da saúde não depende apenas do peso na balança ou da ausência de gordura subcutânea visível. A nutricionista Nathalia Torres, especialista pelo Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (Ambulim/HC-USP), explicou que o maior perigo cardiovascular, com risco elevado de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e diabetes tipo 2, reside na gordura visceral, que se aloja profundamente na cavidade do abdome ao redor de órgãos vitais como fígado, pâncreas e intestino.

“Existem pessoas magras por terem um metabolismo naturalmente acelerado, mas que não têm hábitos saudáveis de alimentação, não praticam atividade física ou têm alterações clínicas em exames laboratoriais. Mas, pelo fato de a pessoa ser magra, quem vê de fora já traduz como saudável”, disse Nathalia Torres. A especialista acrescentou que o organismo reage contra cortes abruptos na dieta: “O corpo não gosta de perda de peso drástica, ainda mais porque essas dietas restringem demais o consumo de alimentos com carboidratos e gordura, que são as principais fontes de energia para suprir nossas funções vitais básicas”.

O histórico clínico detalhado de Laísla Gebauer — incluindo a marca exata de 10% de gordura corporal, os seis meses de interrupção menstrual e o tratamento para engravidar — foi divulgado em 17 de outubro de 2026 em relato único da própria nutricionista, sem registros independentes em boletins médicos externos. Para pessoas de qualquer faixa etária que buscam adequar a composição corporal sem comprometer a produção hormonal ou o metabolismo, a orientação técnica das especialistas é procurar acompanhamento individualizado com nutricionistas, responsáveis pelo cálculo do plano alimentar, e com profissionais de educação física, habilitados para prescrever o volume seguro de treinamento.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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