Brasil e Argentina reúnem 2,8 mil militares na Operação Arandu

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Bandeira do Brasil, Independência do Brasil - Structured Vision/ Shutterstock.com Foto: Bandeira do Brasil, Independência do Brasil - Structured Vision/ Shutterstock.com

Cerca de 2,8 mil militares do Exército Brasileiro e do Exército Argentino concluíram a fase principal do Exercício Combinado Arandu 2026 na última sexta-feira (16), no Campo de Instrução Barão de São Borja (CIBSB), em Rosário do Sul, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. A operação conjunta mobilizou um efetivo composto por 2,4 mil militares brasileiros e aproximadamente 400 argentinos, além de mais de 600 viaturas operacionais e blindadas no terreno.

Além da base em Rosário do Sul, as atividades ocorreram nos municípios gaúchos de Santa Maria e Faxinal do Soturno para ampliar a interoperabilidade — capacidade de forças armadas de diferentes nações operarem juntas sob doutrina e comando integrados. “É uma honra podermos estar aqui convivendo, integrando conhecimentos, fortalecendo nossos laços de amizade. Mais do que a parte operacional, a parte anímica é muito forte nesse exercício. São dois exércitos que há muito tempo estão juntos, têm os mesmos valores, tradições muito parecidas. Sempre compartilhando doutrina, conhecimento. Interoperabilidade, essa é a palavra”, afirmou o comandante Militar do Sul, general de Exército Luís Cláudio de Mattos Basto.

Estrutura de comando e fases do Exercício Combinado Arandu 2026

As tropas binacionais atuaram sob o comando de um estado-maior combinado para planejar e executar manobras táticas em cenários simulados de combate. A organização da operação em solo gaúcho estruturou uma brigada combinada de tropas blindadas e mecanizadas, um Batalhão de Aviação Combinado e forças-tarefas conjuntas divididas nas especialidades paraquedista, aeromóvel e de Operações Especiais, sob acompanhamento de oficiais como o comandante da Força de Desdobramento Rápido do Exército da Argentina, general de Brigada Ricardo Fresta.

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O cronograma operacional dividiu as ações de campo em quatro frentes táticas principais:

  • Operações de assalto aeromóvel e lançamento de tropas paraquedistas;
  • Manobras coordenadas de forças blindadas sobre lagartas e mecanizadas sobre rodas;
  • Ações táticas conduzidas por destacamentos de forças de Operações Especiais;
  • Coordenação integrada de apoio de fogo de artilharia e logística de campanha.

Blindados Guarani, Centauro II e Stryker nas manobras no Rio Grande do Sul

As manobras no terreno mobilizaram veículos blindados de transporte de pessoal e de combate pertencentes às duas forças terrestres, além de aeronaves da Aviação do Exército e das forças aéreas de ambos os países. O inventário deslocado para o Rio Grande do Sul reuniu os seguintes equipamentos militares:

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  • Exército Brasileiro: carros de combate Leopard 1A5 BR, viaturas blindadas Guarani e Centauro II, e o Sistema de Mísseis e Foguetes Astros;
  • Exército Argentino: carros de combate TAM 2C-A2 e viaturas blindadas sobre rodas Stryker 8×8;
  • Suporte aéreo: avião cargueiro KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira (FAB), e aeronave de transporte tático CASA C-212, da Força Aérea Argentina.

Simulação a laser e engenharia de combate no Campo de Instrução Barão de São Borja

Para reproduzir combates reais com precisão e segurança no Campo de Instrução Barão de São Borja, os contingentes utilizaram Dispositivos de Simulação e Engajamento Tático. A tecnologia opera com sensores e emissores a laser acoplados aos fuzis, aos uniformes dos soldados e à lataria das viaturas para registrar em tempo real o impacto dos disparos. O adestramento empregou ainda o sistema Fire Marker, equipamento que simula os efeitos visuais e táticos de disparos de artilharia pesada no campo de batalha.

A dinâmica no terreno contou com militares da 1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada no papel de força oponente, cuja função foi reproduzir táticas e reações de um exército adversário para exigir tomadas de decisão imediatas dos comandantes. Paralelamente aos confrontos simulados, tropas de Engenharia executaram a transposição de cursos d’água com o uso de portadas — pontes flutuantes móveis montadas sobre rios —, garantindo a travessia contínua dos veículos blindados diante de obstáculos naturais.

Encerramento do ciclo 2024–2026 e decreto de autorização da operação Arandu

A mobilização encerrada em 16 de outubro de 2026 concluiu o terceiro ciclo trienal de preparação conjunta (2024–2026) previsto nos acordos bilaterais de defesa entre Brasil e Argentina para padronizar procedimentos logísticos e manter a segurança na faixa de fronteira. O processo atual teve início em 2024 com conferências e reuniões de planejamento, avançou em 2025 para exercícios de simulação construtiva via software por meio do sistema COMBATER e terminou em outubro de 2026 com o deslocamento real de tropas. Os dois ciclos trienais anteriores do Exercício Arandu ocorreram entre 2018 e 2020, com manobra final no Brasil, e entre 2021 e 2023, com encerramento na Argentina.

A entrada do contingente argentino em território nacional, acompanhado de armamentos, viaturas e aeronaves para atuação entre os dias 10 e 17 de outubro de 2026, foi autorizada pelo Decreto nº 13.132, assinado em 6 de outubro de 2026 e publicado no Diário Oficial da União no dia seguinte. “A integração com o Exército Argentino já é de muito tempo. Ultimamente, temos procurado melhorar essa integração. Foi muito interessante porque algumas experimentações estão sendo feitas nesse exercício. Inclusive, fazendo com que o exercício combinado ocorra em vários escalões da força, e isso é muito bom, porque além da cooperação mútua e da integração, nos aproxima ainda mais, e isso é fundamental para ambos os países”, declarou o comandante de Operações Terrestres do Exército Brasileiro, general de Exército Kleber Nunes de Vasconcellos.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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