Ventos máximos sustentados de 296 km/h colocaram o supertufão Champi no topo da lista de tempestades tropicais mais fortes do planeta em 2026. O ciclone alcançou a categoria 5 na escala Saffir-Simpson, nível máximo da classificação meteorológica para a intensidade de furacões, entre terça-feira (20) e esta quarta-feira (21), com rajadas estimadas em 361 km/h enquanto avança pelo Oceano Pacífico Ocidental em direção a Taiwan, Filipinas, China e Japão.
Autoridades asiáticas emitiram alertas de emergência e iniciaram bloqueios preventivos no transporte marítimo diante do deslocamento do fenômeno. A meteorologista e sócia-diretora da MetSul Meteorologia, Estael Sias, detalhou a janela de impacto direto na região insular: “A previsão indica que o período de maior aproximação poderá ocorrer entre sexta-feira (23) e o sábado (24)”.
Alertas, evacuações e paralisações na China, Taiwan e Filipinas
Em Taiwan, onde a administração da capital Taipé é chefiada pelo prefeito Chiang Wan-an, o monitoramento concentra-se no risco de chuva torrencial, ventos destrutivos e ondas gigantescas. Segundo Estael Sias, a distribuição dos danos deve variar conforme a geografia local: “O Norte e o Leste de Taiwan estão entre as áreas que poderão enfrentar os impactos mais significativos.”
Na costa leste da China continental, a rota de alerta abrange os municípios de Xangai e Xiamen, além das províncias de Fujian e Zhejiang. Em Zhejiang, o governo local iniciou nesta quarta-feira (21) os preparativos para retirar moradores de grupos vulneráveis, incluindo idosos, gestantes e pessoas com deficiência. As autoridades provinciais suspenderam preventivamente 36 rotas de balsas de passageiros e paralisaram 223 projetos de construção marítima.
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Nas Filipinas, onde o ciclone recebe o nome local de Rosal, a Administração de Serviços Atmosféricos, Geofísicos e Astronômicos das Filipinas (PAGASA, a agência meteorológica oficial do país) manteve o sinal de vento nº 2 sobre o arquipélago de Batanes. O aviso emitido aponta para a formação de ondas de até 10 metros de altura no norte filipino e volumes acumulados de chuva superiores a 200 milímetros.
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A aproximação do ciclone pelo Pacífico Ocidental também alterou o cronograma de defesa na Ásia e levou forças militares dos Estados Unidos e do Japão a reduzirem as atividades dos exercícios conjuntos Keen Sword, operação que tem como porta-voz o major Ephesian Poisette, diante da piora severa nas condições de navegação e voo na área de treinamento.
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Cronologia do supertufão Champi no Oceano Pacífico Ocidental
O deslocamento do sistema meteorológico pelo oceano cumpre o seguinte calendário de evolução e alertas na Ásia:
- Domingo, 18 de outubro de 2026: passagem do tufão próximo ao território de Guam, nas Ilhas Marianas;
- Terça-feira, 20 de outubro de 2026, às 18h UTC (15h no horário de Brasília): sistema atinge o pico de ventos sustentados na marca de 296 km/h (185 mph);
- Quarta-feira, 21 de outubro de 2026: governos da China, de Taiwan e das Filipinas acionam alertas meteorológicos, preparam evacuações e interrompem operações marítimas;
- Sexta-feira, 23 de outubro de 2026: abertura da janela prevista para a maior aproximação do ciclone sobre o território de Taiwan;
- Sábado, 24 de outubro de 2026: manutenção do período crítico em Taiwan e aproximação da faixa costeira do leste da China;
- Domingo, 25 de outubro de 2026: previsão de chegada do sistema ao Japão, onde é classificado localmente como Tufão nº 30.
Comparação do Champi com o furacão Polo e efeitos do El Niño em 2026
Batizado de ciclone monstro pela intensidade atingida em alto-mar, o supertufão Champi é o quarto ciclone de categoria 5 da temporada no Pacífico Ocidental e o sétimo do mundo em 2026, superando em velocidade de vento o furacão Polo, do Pacífico Oriental, que detinha a liderança global do ano com ventos sustentados de 285 km/h, mas que ainda conserva o recorde de menor pressão atmosférica central da temporada, com 892 hectopascais (hPa, unidade internacional de medida de pressão), frente aos 895 hPa registrados no centro do Champi.
Dentro da bacia do Pacífico Ocidental, a temporada de 2026 registrou outros três supertufões de grande intensidade, todos abaixo da marca alcançada pelo sistema atual: o Sinlaku, com ventos sustentados de 285 km/h; o Bavi, também com 285 km/h; e o Dolphin, que atingiu 267 km/h.
O ganho de força do Champi foi impulsionado por temperaturas da superfície do mar próximas de 30°C, somadas à alta disponibilidade de umidade na atmosfera e ao baixo cisalhamento vertical do vento, condição em que há pouca variação na velocidade e na direção dos ventos conforme a altitude, o que permite que a estrutura da tempestade cresça sem se desorganizar.
Esse conjunto de fatores ocorre em um ano de atividade intensa no oceano, impulsionada pelo fenômeno climático El Niño. “O El Niño modifica a circulação atmosférica e as condições oceânicas, influenciando a atividade dos ciclones em diferentes regiões”, disse Estael Sias. Enquanto o fenômeno reduz a formação de tempestades no Oceano Atlântico, ele eleva a frequência de sistemas severos no Pacífico.
Incerteza sobre toque em terra e caminho até o Japão
Ainda não há confirmação sobre o ponto exato de um possível toque em terra do ciclone. Os modelos meteorológicos divergem se o centro da tempestade atingirá diretamente o leste de Taiwan e a província chinesa de Fujian ou se fará uma curva para nordeste, permanecendo no mar antes de alcançar a costa da China continental.
No decorrer do deslocamento pelos próximos dias, a previsão aponta que o supertufão encontrará condições atmosféricas menos favoráveis e perderá força, caindo para as categorias 4 ou 3, sem eliminar o potencial para provocar ventos destrutivos e chuva torrencial. A projeção indica que o sistema chegará ao Japão no domingo, 25 de outubro de 2026, rebaixado ao estágio de tempestade tropical severa.
