O patrimônio avaliado em R$ 10 milhões deixado por Manfred e Marísia von Richthofen tornou-se alvo de cobranças na Justiça sob a administração do filho mais novo do casal, Andreas von Richthofen. Passados mais de 23 anos do duplo homicídio ocorrido em 31 de outubro de 2002 na zona sul de São Paulo, ele mantém uma rotina solitária no interior paulista e responde a processos por falta de pagamento de impostos e taxas. O crime que vitimou os pais foi planejado pela filha mais velha, Suzane, em conjunto com o então namorado Daniel Cravinhos e o irmão dele, Cristian Cravinhos, época em que o caçula tinha 15 anos.
Entre os bens transferidos ao herdeiro estavam propriedades no interior do estado e a residência da família no bairro do Brooklin. Morador de uma chácara no município de São Roque, Andreas vive em um endereço sem conexão com a internet ou linha telefônica, onde moradores próximos apontam falta de conservação.
Formação na USP e rotina sem internet no interior paulista
O ingresso de Andreas na Universidade de São Paulo (USP) ocorreu três anos após a morte dos pais, instituição na qual obteve o título de doutor em Química em 2015. Mesmo com a qualificação acadêmica, ele decidiu cortar laços com o meio universitário e com antigos conhecidos para se estabelecer em uma área de acesso restrito.
De acordo com moradores da região em São Roque, o proprietário deixa o imóvel apenas ocasionalmente para adquirir itens básicos de sobrevivência. Os relatos da vizinhança indicam que o terreno tem vegetação crescida e uma piscina sem limpeza periódica.
Antes de se fixar no interior, Andreas protagonizou um incidente em 2017 ao tentar pular o muro de uma casa no bairro de Santo Amaro, na zona sul da capital paulista, onde acabou detido. Na sequência do episódio, ele passou dois meses internado para tratar quadros de dependência química e alcoólica.
Passivo de R$ 500 mil e cobranças de IPTU e condomínio
A herança de R$ 10 milhões deu lugar a disputas nos tribunais por falta de quitação de tributos. O nome de Andreas figura como réu em 24 processos judiciais motivados por atrasos em taxas de condomínio e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que somam aproximadamente R$ 500 mil.
A situação do espólio envolve diferentes frentes de cobrança e alienação de patrimônio:
- Propriedades localizadas na zona sul da capital paulista correm o risco de perda por processos de usucapião.
- A antiga mansão da família no Brooklin foi negociada em 2014 pelo valor de R$ 1,6 milhão, quantia inferior à praticada pelo mercado imobiliário.
- Propriedades rurais situadas nos municípios de Sorocaba e São Roque registram autuações fiscais em aberto.
Ao comentar os acontecimentos antigos envolvendo o sobrinho, o tio materno Miguel Abdalla Neto tratou os fatos como situações pontuais. Ele descartou que o familiar tenha frequentado regiões associadas ao consumo de entorpecentes e declarou que a família mantém acompanhamento sobre o caso.
Doutorado em Química e mudança definitiva na pandemia
A trajetória universitária de Andreas no Instituto de Química da USP teve início em 2005 e resultou na graduação em Farmácia e Bioquímica no ano de 2010. O pesquisador permaneceu na pós-graduação com foco em estudos avançados até defender a tese de doutorado em 2015.
Enquanto cursava a faculdade, ele utilizou como moradia um endereço da família situado no Brooklin, local onde a mãe, Marísia, mantinha um consultório de psiquiatria. Pessoas que moravam nas imediações na época relatam a realização eventual de festas na residência.
Depois de encerrar o ciclo na universidade, o farmacêutico passou a evitar o convívio público. O distanciamento aumentou em 2021, no período da pandemia, quando se mudou de vez para a propriedade em São Roque e cortou qualquer participação em redes sociais ou declarações à imprensa.
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Visita de Suzane von Richthofen em 2025 e recusa de diálogo
Uma tentativa de contato presencial ocorreu em junho de 2025, quando Suzane von Richthofen foi até a propriedade de São Roque acompanhada do filho, que tinha um ano na ocasião. Beneficiada pela progressão para o regime aberto desde janeiro de 2023, ela pretendia conversar com o irmão a respeito de questões pendentes na Justiça.
O morador não aceitou receber a irmã no local e declarou que chamaria a Polícia Militar caso ela insistisse. O rompimento entre os dois dura desde o assassinato dos pais, em 2002, sem que investidas anteriores tenham retomado a relação.
Identificada civilmente como Suzane Louise Magnani Muniz após alterar o registro, ela mora no município de Bragança Paulista ao lado do companheiro, Felipe Zecchini Muniz. A ex-detenta matriculou-se na graduação de Direito da Universidade São Francisco e mantém rotina fora dos holofotes.
Cumprimento das penas dos réus e cobrança da Receita Federal
Entre os demais condenados pelo homicídio do casal Richthofen, Daniel Cravinhos obteve o direito ao regime aberto no ano de 2018. Ele adotou o sobrenome Gonçalves e fixou residência na capital paulista.
O irmão dele, Cristian Cravinhos, permanece vinculado ao regime semiaberto na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo. Uma nova sentença judicial proferida em 2024, decorrente de uma confusão em um bar, ampliou o tempo total de sua condenação para 41 anos de prisão.
No caso de Suzane, a saída para o regime aberto ocorreu mediante aprovação em exames criminológicos exigidos pela execução penal. Já em março de 2025, ela passou a responder a uma cobrança movida pela Receita Federal, que exige a devolução de R$ 53 mil referentes a valores de pensão por morte do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pagos após o assassinato dos pais.
Ações de usucapião e penhoras sobre os imóveis da herança
A falta de manutenção e o atraso nos impostos atingem diferentes endereços deixados por Manfred e Marísia. Em Sorocaba, um imóvel residencial registra débitos de IPTU não quitados desde o ano de 2018.
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Outros processos e medidas financeiras pesam sobre o conjunto de bens:
- Um pedido de reconhecimento de usucapião segue em tramitação na Vara de Família da comarca de São Paulo.
- O passivo acumulado ultrapassa a marca de R$ 500 mil e já provoca ordens de penhora judicial.
- Lotes de joias que pertenciam à família e foram recuperados serviram para quitar uma parcela das primeiras cobranças.
Toda a gestão desse patrimônio é conduzida diretamente por Andreas, que optou por não contratar advogados ou escritórios especializados para assessorá-lo. Embora parentes do lado materno se coloquem à disposição para auxiliar na administração, ele recusa a interferência para decidir sozinho.
Maternidade em Atibaia e estudos no interior de São Paulo
Na vida fora do sistema prisional, Suzane teve o primeiro filho em janeiro de 2024, em um hospital de Atibaia. A criança vive junto com a mãe e o pai em uma casa simples no interior do estado.
A rotina da universitária divide-se entre as disciplinas do curso no período da noite e a presença em encontros de cunho religioso. Ao longo de 2025, uma passagem temporária de moradia pela cidade de Águas de Lindóia provocou discussões entre os habitantes do município.
A união estável com Felipe Zecchini Muniz foi firmada já durante o cumprimento da pena em regime aberto. Na mesma etapa, ela retirou o sobrenome alemão da família paterna dos documentos para evitar o reconhecimento imediato.
Atendimento da Polícia Militar em Santo Amaro e internação
No episódio registrado em 2017, equipes da Polícia Militar foram acionadas por moradores de Santo Amaro depois que Andreas invadiu um imóvel da região. Os policiais encontraram o rapaz com vestimentas desalinhadas e em quadro de alteração emocional.
O atendimento resultou na transferência para uma instituição de saúde privada voltada à reabilitação. Na época, o tio Miguel Abdalla Neto divulgou um comunicado oficial para rebater boatos sobre a situação do sobrinho e informar que o tratamento apresentava evolução clínica.
Superada a internação daquele ano, Andreas deixou de procurar acompanhamento na rede pública de saúde. O núcleo familiar materno acompanha a situação de longe, mantendo a decisão de não interferir na escolha do herdeiro pelo isolamento em São Roque.
