Orkut tem campanha de relançamento após criador recuperar marca e criticar algoritmos da Meta

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Orkut Foto: Orkut - Foto: editorial: Gil C / Shutterstock.com

O engenheiro de software turco Orkut Büyükkökten, de 51 anos, iniciou em outubro de 2026 uma campanha global para relançar a rede social Orkut após recuperar a marca junto ao Google no fim de 2025. Em declarações divulgadas nesta sexta-feira (23), o criador da plataforma criticou a atuação da Meta nas eleições dos Estados Unidos e o modelo de negócios baseado em algoritmos de engajamento.

Para viabilizar o retorno do serviço com foco em comunidades e conexões humanas reais, o ex-funcionário do Google abriu uma petição online que já soma centenas de milhares de apoiadores, com o Brasil na liderança das adesões. “Eu saí do Google, mas não podia trazer o Orkut de volta porque não tinha a propriedade intelectual nem a marca. Depois de anos conversando com a empresa, no fim do ano passado consegui recuperar as duas coisas e agora posso relançá-lo oficialmente”, afirmou Büyükkökten.

Críticas à Meta, eleições e responsabilidade das plataformas

Meta logo apps facebook Instagram WhatsApp - Piotr Swat/ hutterstock.com
Foto: Meta logo apps facebook Instagram WhatsApp – Piotr Swat/ hutterstock.com

Ao avaliar o impacto das grandes empresas de tecnologia na democracia, Büyükkökten declarou que o Facebook teve peso direto nas eleições presidenciais norte-americanas por causa da disseminação de desinformação, muitas vezes impulsionada por agentes estrangeiros, fazendas de robôs (programas automatizados, chamados de bots) e inteligência artificial. Questionado sobre acusações da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que algoritmos da Meta favoreceriam Flávio Bolsonaro no Brasil, o engenheiro evitou confirmar viés no caso brasileiro, mas apontou interferência nos Estados Unidos.

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“Isso é muito assustador, porque a Meta favoreceu Trump nas eleições dos Estados Unidos. Não estou dizendo que a Meta favoreça algum candidato no Brasil, mas é muito danoso quando uma plataforma toma partido”, disse o criador do Orkut. Para ele, a suspensão de programas de checagem de fatos pelas plataformas prejudicou o debate público e também a saúde, citando mortes de pessoas que deixaram de se vacinar na pandemia de Covid devido a notícias falsas.

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Sobre o debate em torno do Supremo Tribunal Federal (STF) e das regras para as empresas de tecnologia, Büyükkökten manifestou posição contrária à regulação governamental. Ele argumentou que diretrizes estatais mudam conforme o governante de turno — citando como exemplo as diferenças entre Donald Trump, Kamala Harris e Joe Biden nos Estados Unidos — e que nenhum presidente deveria concentrar esse poder.

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“Não acho que o governo deva regular as plataformas, mas as empresas devem ser responsáveis por ter as ferramentas necessárias”, declarou. Na visão do engenheiro, a liberdade de expressão não pode cruzar a linha da desinformação, do tráfico, da violência armada, da pornografia infantil e do discurso de ódio político, cabendo às próprias companhias manter equipes ativas de verificação de fatos.

Números e datas da petição pelo retorno do Orkut

A mobilização pela volta da plataforma funciona no endereço oficial da rede social e busca medir a demanda do público para atrair recursos que acelerem o desenvolvimento do projeto. Os dados registrados na campanha demonstram a concentração do interesse no público brasileiro:

  • Data de abertura da petição e da carta aberta: 8 de outubro de 2026, às 10h (horário de Brasília)
  • Total de adesões até as 10h desta quarta-feira (21): cerca de 467 mil assinaturas
  • Alcance geográfico: 165 países com registros no contador oficial
  • Participação do Brasil no total de assinaturas: 61,9% dos apoiadores
  • Participação de Portugal e da Irlanda: 10,4% e 2,7% do total de apoios, respectivamente

O que muda para o usuário no novo Orkut?

A proposta apresentada na carta aberta “Uma internet mais gentil é possível” substitui o feed — o fluxo contínuo de publicações usado por redes como Instagram, TikTok e X — pelo modelo de comunidades temáticas. “Num feed, você é plateia; numa comunidade, você é membro”, escreveu Büyükkökten no documento de apresentação.

No texto, o engenheiro critica a captura da atenção por anúncios e a proliferação de conteúdos sintéticos gerados por inteligência artificial e deepfakes (vídeos ou áudios falsos manipulados digitalmente para imitar pessoas reais). “Uma geração de crianças entregue a algoritmos que as viciaram, dividiram e as venderam para anunciantes. Não é de surpreender que tenham crescido solitárias e ansiosas”, afirmou na carta. Apesar da crítica ao uso de robôs que simulam companhias virtuais para jovens das gerações Z e Alpha, o projeto do site prevê empregar inteligência artificial como ferramenta para ajudar os usuários a formarem amizades reais.

Para o público brasileiro, que terá prioridade no relançamento, Büyükkökten manifestou interesse em apoiar a volta de jogos sociais que fizeram sucesso nos anos 2000, como Colheita Feliz, Buddy Poke, Farmville e Mafia Wars. Já o modelo financeiro do novo Orkut pretende integrar pequenos negócios locais e marcas em comunidades próprias para conversas diretas com consumidores, sem vincular o alcance das publicações ao valor pago em anúncios.

Histórico da rede criada em 2004 e termos da campanha

O Orkut original foi lançado em janeiro de 2004, época em que Büyükkökten estudava na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e trabalhava no Google. Durante uma década de operação, a plataforma superou a marca de 10 milhões de usuários no Brasil e 300 milhões em todo o mundo, até ser encerrada pelo Google em setembro de 2014, quando a empresa decidiu priorizar a rede Google+. Em abril de 2022, o domínio oficial chegou a ser reativado com um comunicado sobre um novo projeto, mas o criador explicou que a iniciativa daquela época gerou apenas boatos porque ele ainda não detinha os direitos legais sobre o nome.

Apesar da abertura do cadastro de apoiadores em 2026, ainda não há data oficial para o relançamento do Orkut nem uma meta mínima de assinaturas divulgada para viabilizar o serviço. De acordo com os termos de uso do site oficial, atualizados em 6 de outubro de 2026, a petição tem caráter de campanha de pré-lançamento e a assinatura não garante abertura prévia de conta, reserva de nome de usuário ou posição em fila de espera.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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