Cerca de 158,7 milhões de eleitores (158.745.000 pessoas aptas) voltam às urnas no Brasil e no exterior neste domingo (25) para o segundo turno das eleições de 2026. A votação definirá a disputa pela Presidência da República entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além da escolha de governadores em cinco estados e no Distrito Federal.
Na primeira etapa do pleito, realizada em 4 de outubro de 2026, a taxa de abstenção atingiu 21,08%, o equivalente a 33.469.000 eleitores ausentes. O ministro e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, comentou o índice registrado e os esforços para ampliar a participação popular na votação decisiva: “Então não é o ideal abstenção de 20%. A ideia é intensificar e aperfeiçoar todos os mecanismos disponíveis para a Justiça Eleitoral para que a gente consiga diminuir esse percentual num segundo turno“.
Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro e números do primeiro turno
A corrida pelo Palácio do Planalto opõe Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta a reeleição com o número 13 e tem Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice-presidente, a Flávio Bolsonaro, que concorre com o número 22 ao lado do candidato a vice Alfredo Gaspar (PL). No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou na primeira colocação com 47,03% dos votos válidos (56.103.033 votos), enquanto Lula recebeu 45,16% da preferência do eleitorado (53.870.724 votos). As propostas de governo registradas pelas duas chapas estão disponíveis para consulta no portal do TSE. Esta é a décima eleição presidencial no país desde a redemocratização e a promulgação da Constituição de 1988, marcando a oitava vez em que a escolha do chefe do Executivo nacional é decidida em segundo turno.
Enquanto 21 governadores foram eleitos já na primeira votação de outubro, seis unidades da Federação terão nova rodada neste domingo para definir os chefes dos Executivos estaduais: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Tocantins e o Distrito Federal. Nesses locais, a urna eletrônica apresentará primeiro a tela para o voto de governador, identificado por dois dígitos, e na sequência a tela para presidente da República, também com dois dígitos. Nas demais regiões do país sem disputas locais extras e nas seções instaladas no exterior, o eleitorado votará exclusivamente para o cargo de presidente.
Municípios com eleições suplementares para prefeito e plebiscitos em 2026
Paralelamente à disputa nacional e estadual, sete municípios brasileiros realizarão eleições suplementares para escolher prefeito e vice-prefeito, com mandato válido até 31 de dezembro de 2028. A medida abrange as cidades de Arroio do Sal (RS), Santana do Itararé (PR), Macedônia (SP), Martinópolis (SP), Narandiba (SP), Itaguaí (RJ) e Goiatins (TO). Esses novos pleitos municipais foram convocados após decisões da Justiça Eleitoral que barraram ou cassaram chapas eleitas em 2024 por infrações como compra de votos, abuso de poder político e econômico ou tentativa de terceiro mandato consecutivo, situação registrada em Itaguaí. Nas seis primeiras cidades, onde não há disputa estadual em aberto, a ordem de votação na urna será para presidente e depois para prefeito; já em Goiatins, os eleitores digitarão os números para governador, presidente e prefeito, nessa sequência.
O cientista político Leandro Gabiati explicou o funcionamento e a finalidade dessa convocação extraordinária nos municípios afetados: “Uma eleição suplementar basicamente é uma eleição que ocorre fora do cronograma normal. Ela tem o objetivo de dar solução a alguma eleição que teve problemas anteriormente. O objetivo nesse caso é que os municípios tenham autoridades legitimamente eleitas pela população”.
Veja também: Segundo turno das Eleições 2026 define presidente e seis governadores
Outro grupo de seis cidades terá um cenário específico na cabine de votação: após digitar o voto para presidente da República, os cidadãos responderão a um plebiscito local sobre a redefinição territorial de municípios. A consulta popular ocorrerá em quatro municípios de Mato Grosso e em dois do Paraná — Chopinzinho e São João, onde a pergunta trata da transferência administrativa da Comunidade do Alto Mirim.
Horários por fuso, prazos e regras do segundo turno das eleições
Para atender às diferenças de fuso horário no território nacional e organizar o atendimento aos cidadãos, a Justiça Eleitoral fixou horários e prazos específicos para este segundo turno:
- Data e horário oficial: 25 de outubro de 2026, das 8h às 17h pelo horário de Brasília (com entrega de senhas para quem estiver na fila às 17h).
- Horário local em fuso de menos uma hora: das 7h às 16h em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e na maior parte do Amazonas.
- Horário local em fuso de menos duas horas: das 6h às 15h no Acre e no extremo oeste do Amazonas.
- Voto em trânsito: 314.519 eleitores cadastrados para votar fora do domicílio eleitoral (voto para presidente e governador se estiverem no mesmo estado; apenas para presidente se estiverem fora da unidade da Federação).
- Prazos de justificativa e valor da multa: até 3 de dezembro de 2026 para ausências no primeiro turno e até 8 de janeiro de 2027 para o segundo turno, sob pena de multa de R$ 3,51 por turno não justificado.
O que o eleitor precisa levar e como justificar a ausência no domingo?
O comparecimento às urnas é obrigatório para cidadãos de 18 a 69 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e analfabetos. Como a Justiça Eleitoral trata cada etapa como um pleito independente, quem faltou ao primeiro turno pode votar normalmente neste domingo, bastando ter a inscrição regular e apresentar um documento oficial com foto, sem obrigatoriedade de cadastro biométrico. O TSE orienta que os eleitores consultem previamente o local de votação pelo aplicativo e-Título ou pelo serviço de Autoatendimento Eleitoral na internet, já que algumas seções foram transferidas após o início de outubro em razão de estragos provocados por fortes chuvas, obras de reforma e adaptações de acessibilidade. No dia da votação, o poder público deve disponibilizar transporte coletivo urbano e intermunicipal gratuito, mantendo a frota com frequência equivalente à de um dia útil.
Quem estiver fora do domicílio eleitoral sem cadastro para voto em trânsito ou impedido de comparecer tem até 60 dias após cada votação para enviar a justificativa pelo aplicativo e-Título, pela internet ou presencialmente nos cartórios eleitorais. A falta em três eleições consecutivas — sendo cada turno contado separadamente — sem justificativa ou sem a quitação das multas pode acarretar o cancelamento do título eleitoral e restrições legais, como o impedimento de emitir passaporte, tomar posse em concurso público, renovar matrícula em instituições públicas de ensino e receber remuneração de cargo ou função pública.
