Resgate em Igaratá retira 117 bovinos e suínos de maus-tratos e gera multa de R$ 726 mil ao dono

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gados - Divulgação Foto: gados - Divulgação

Equipes de fiscalização resgataram emergencialmente 117 animais em situação de maus-tratos em uma propriedade rural de Igaratá, no interior de São Paulo, após uma denúncia anônima. A operação resultou na aplicação de uma multa administrativa total de R$ 726 mil ao proprietário do imóvel e na abertura de um inquérito policial.

Os animais sobreviventes foram retirados do local e encaminhados para uma fazenda disponibilizada para acolhimento, onde permanecem sob os cuidados temporários de um fiel depositário. Além da falta de água limpa e comida para o rebanho, os agentes encontraram quatro animais mortos na área e identificaram um casal de trabalhadores vivendo em condições degradantes, situação que passou a ser investigada pela Polícia Civil como possível trabalho análogo à escravidão.

Balanço da operação e dados da autuação em Igaratá

Gados
Foto: Gados -PeopleImages/shutterstock.com
  • Data da fiscalização: 20 de outubro de 2026
  • Local da propriedade: bairro Boa Vista, em Igaratá (SP)
  • Órgãos responsáveis: Polícia Militar Ambiental e Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo (ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento)
  • Animais resgatados com vida: 97 bovinos e 20 suínos
  • Animais encontrados mortos: 2 bovinos e 2 suínos
  • Total de animais contabilizados na autuação: 121 cabeças

Condições de higiene e saúde dos 117 animais resgatados

Durante a vistoria na propriedade de Igaratá, os agentes constataram que os bovinos e suínos sobreviventes apresentavam quadro de magreza extrema, tremores, apatia e dificuldade de locomoção, sendo mantidos confinados sobre excesso de barro e dejetos em áreas degradadas e sem qualquer cobertura para proteção contra o sol e a chuva. Os cochos destinados à alimentação do rebanho estavam completamente vazios, a única água disponível exibia coloração esverdeada com presença de larvas e moscas, e uma mistura de soja com bagaço de laranja apodrecia a céu aberto dentro de uma piscina abandonada.

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Os quatro animais sem vida estavam no mesmo espaço ocupado pelo rebanho vivo, alguns já em estado de decomposição. Após o trabalho da perícia técnica no imóvel, as carcaças foram enterradas na própria área com o auxílio de uma escavadeira cedida pela prefeitura.

Por que o proprietário em Igaratá recebeu multa de R$ 726 mil?

A penalidade financeira aplicada pela Polícia Militar Ambiental levou em conta o total de 121 animais submetidos a maus-tratos, somando os 117 resgatados com vida e os quatro mortos. Segundo a corporação, o valor final da autuação administrativa foi dobrado porque a propriedade rural está inserida no perímetro de uma Área de Proteção Ambiental (APA), unidade de conservação que possui regras de uso mais rígidas e prevê sanções agravadas para infrações cometidas em seu território.

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Na esfera criminal, o caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Igaratá com base no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, legislação federal que pune a prática de abuso e maus-tratos contra animais. Os investigadores também apuram a responsabilidade sobre o manejo, a alimentação e o fornecimento de água no imóvel, além de verificarem as condições de moradia do casal de funcionários encontrado pelos fiscais.

O caseiro da propriedade prestou depoimento como testemunha e, até o momento do registro da ocorrência, a Polícia Civil não havia apontado elementos suficientes para atribuir a ele responsabilidade criminal pela situação do rebanho. Em outra ação contra maus-tratos realizada na região do Vale do Paraíba, em 16 de julho de 2026, uma operação conjunta da Polícia Militar Ambiental e da Defesa Agropecuária de Taubaté no município de Jacareí flagrou 52 suínos confinados em ambiente insalubre e apreendeu cerca de 800 quilos de carne bovina e suína provenientes de abate clandestino.

Próximos passos do inquérito na Delegacia de Igaratá

A identidade do proprietário rural autuado não foi divulgada pelas autoridades policiais, e a confirmação sobre a existência de trabalho análogo à escravidão no imóvel ainda depende do avanço das investigações. A Polícia Civil aguarda a conclusão do laudo pericial para avaliar tecnicamente o estado clínico do rebanho e determinar a causa exata da morte dos quatro animais, uma vez que ainda não há confirmação pericial de que os óbitos ocorreram em decorrência direta dos maus-tratos.

Ausente durante a fiscalização na terça-feira (20) — segundo o registro policial, ele se encontrava em Praia Grande, no litoral paulista —, o dono da propriedade será intimado pela Delegacia de Polícia de Igaratá para prestar esclarecimentos oficiais.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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