Ventos sustentados de 296 km/h transformaram o supertufão Champi no ciclone tropical mais forte de 2026 no Oceano Pacífico Ocidental. Apelidado de “ciclone monstro” e batizado localmente nas Filipinas como Rosal, o fenômeno alcançou a categoria 5, nível máximo da escala Saffir-Simpson (classificação que mede a intensidade dos ventos de furacões e tufões), mas avança em direção à Ásia sem qualquer risco de atingir o Brasil.
As medições do Centro Conjunto de Alerta de Tufões (JTWC, órgão militar dos Estados Unidos sediado no Havaí) apontaram rajadas máximas estimadas em até 361 km/h na terça-feira, 20 de outubro de 2026. Antes de perder força gradualmente ao encontrar águas com menor conteúdo de calor perto de Taiwan, o sistema passou ao sul da ilha de Guam, onde derrubou árvores, destelhou imóveis e levou ao fechamento de portos e aeroportos.
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Cronologia e medições do supertufão Champi no Pacífico
O deslocamento do sistema meteorológico pelo Oceano Pacífico Ocidental mobilizou satélites e centros de monitoramento desde o fim de semana passado. A evolução da tempestade e os dados técnicos consolidados ao longo da trajetória registraram os seguintes números e datas:
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- Sábado (17): passagem do centro da tempestade a uma distância entre 16 km e 20 km ao sul de Guam, território dos Estados Unidos na Micronésia, com ventos de 233 km/h (categoria 4), subindo para a categoria 5 horas depois.
- Terça-feira (20): captura de imagem pelo satélite Aqua da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) e medição do pico de ventos sustentados de 296 km/h.
- Quarta-feira (21): avanço pelo Mar das Filipinas, a leste de Luzon e a sudeste de Taiwan, com olho de 56 km de largura e pressão central mínima de 895 milibares (mb, unidade de medida de pressão atmosférica).
- Sexta-feira (23): previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para formação de área de baixa pressão e possível ciclone extratropical entre o litoral do Rio Grande do Sul e o Uruguai, evento sem qualquer ligação com o tufão asiático.
Rota do supertufão Champi na Ásia e buscas no Brasil
O supertufão Champi formou-se e atua exclusivamente no Oceano Pacífico Ocidental, com rota pelo Mar das Filipinas rumo a Taiwan, sudeste da China e sul do Japão, sem ter atingido o território continental dos Estados Unidos nem o México, afetando em solo americano apenas a ilha de Guam e as Ilhas Marianas do Norte. No Brasil, os alertas de chuva e vento no Sul decorrem de frentes frias e ciclones extratropicais na costa sul-americana, mas a repercussão do fenômeno asiático fez as buscas por “ciclone monstro” crescerem 2.650% em um dia, colocando o país em terceiro lugar mundial nas pesquisas sobre ciclone em 24 horas, atrás de Moçambique e Portugal, com maior volume de procura no Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
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Formação do supertufão Champi e recordes de 2026
A intensificação rápida do Champi foi alimentada por águas oceânicas com temperatura aproximada de 30°C no Pacífico Ocidental, somadas à umidade profunda e ao baixo cisalhamento do vento (variação na velocidade ou direção dos ventos conforme a altitude). Na meteorologia, furacão, tufão e ciclone tropical são nomes regionais para o mesmo fenômeno — sistemas de baixa pressão formados sobre mares quentes com ventos giratórios a partir de 120 km/h —, recebendo no noroeste do Pacífico a classificação de supertufão quando os ventos sustentados atingem ao menos 240 km/h.
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Com a marca de 296 km/h, o Champi assumiu a liderança das tempestades tropicais mais velozes da Terra em 2026 até o momento. Ele superou em velocidade de ventos o furacão Polo (285 km/h a 287 km/h) e o supertufão Sinlaku (285 km/h), embora o Polo tenha registrado uma pressão central mínima menor (892 mb contra 895 mb). O Champi é a sétima tempestade a atingir a categoria 5 no ano.
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A trajetória exata de toque em terra na Ásia ainda não está confirmada e depende das condições atmosféricas e da interação com o relevo de Taiwan. Os modelos meteorológicos divergem sobre o caminho final do sistema: parte das projeções indica avanço para o sudeste da China, nas províncias de Fujian e Zhejiang, enquanto outros cálculos apontam uma curva para nordeste em direção ao sul do Japão, sem tocar terra firme no território chinês.
