Uma menina de 9 anos passou por cirurgia na perna direita e permanece internada em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, após ser atropelada na ciclovia junto a um menino durante uma carreata de apoiadores do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O motorista do veículo, que tinha adesivos do Partido dos Trabalhadores (PT) e do presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva, foi preso em flagrante.
A informação sobre a operação da criança foi confirmada neste domingo (25) pelo pai da vítima, Jerrimar Pereira da Silva, que disse não estar no local no momento da colisão por ter permitido pela primeira vez que a filha saísse para brincar sem a presença dele. “Ela está se recuperando bem”, afirmou o pai. Em nota, a Prefeitura de Ilhabela detalhou o atendimento: “A menina, de 9 anos, sofreu fraturas na tíbia e na fíbula da perna direita, com desvio, e passou por procedimento de redução das fraturas. A paciente apresenta quadro estável”.
Prisão de Cardjon Peixoto e investigação da Polícia Civil em Ilhabela
O motorista foi identificado pela Polícia Civil como Cardjon Peixoto, de 56 anos, e autuado em flagrante sob suspeita de duas tentativas de homicídio qualificado, embriaguez ao volante e omissão de socorro. De acordo com o auto de prisão, que considerou depoimentos de policiais, relatos dos representantes das vítimas e imagens do ocorrido, o condutor recusou o teste do bafômetro, mas apresentava hálito etílico, dificuldade para caminhar e incapacidade de se equilibrar em um dos pés, recebendo avaliação médica com hipótese diagnóstica de embriaguez leve.
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No registro da Polícia Militar no boletim de ocorrência, consta que o investigado “admitiu ter ingerido bebida alcoólica, embora tenha atribuído o atropelamento a uma suposta confusão entre os pedais do acelerador e do freio, em veículo equipado com transmissão automática”. Dentro do automóvel, que não pertence ao motorista preso, os agentes apreenderam uma lata de cerveja aberta contendo cerca de 200 mililitros de líquido.
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O que aconteceu na ciclovia da Barra Velha em 24 de outubro de 2026?
Segundo o registro policial, o automóvel estava parado na retenção do trânsito provocada pela carreata quando subiu na calçada e invadiu a ciclovia para desviar do congestionamento, atingindo as duas crianças que caminhavam acompanhadas por uma adulta e colidindo contra um poste na sequência. As imagens analisadas pela investigação indicam que o motorista não parou imediatamente após o impacto, e relatos apontam que ele tentou deixar a área antes de ser detido por populares, chegando a ser agredido com um soco enquanto estava imobilizado aguardando a chegada da Polícia Militar.
As duas vítimas foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Enquanto a menina precisou de intervenção cirúrgica, o menino — irmão dela — sofreu lesões na perna esquerda, com inchaço, vermelhidão e escoriações, permanecendo em observação no Pronto-Socorro Infantil.
Local, horário e atendimento médico do atropelamento em Ilhabela
- Data e horário: 24 de outubro de 2026, por volta das 16h (horário de Brasília).
- Local: Rua Gerson Peres de Araújo, bairro Barra Velha, em Ilhabela (SP).
- Unidade de saúde: Hospital Municipal Governador Mário Covas Júnior.
- Órgãos atuantes: Samu, Polícia Militar e Polícia Civil.
Pedido de prisão preventiva e posicionamento da defesa de Cardjon Peixoto
O delegado responsável pelo caso apontou indícios de que o condutor assumiu conscientemente o risco de matar as vítimas, sem especificar a motivação da conduta. A autoridade policial não arbitrou fiança, pediu à Justiça a conversão do flagrante em prisão preventiva para garantir a ordem pública e solicitou a suspensão cautelar da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de Peixoto.
Em nota, a defesa do motorista lamentou o episódio, manifestou solidariedade às famílias e informou que adota as medidas jurídicas cabíveis sem comentar detalhes do inquérito. Os advogados pediram a concessão de fiança e o enquadramento do caso como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor.
Até o momento, não há decisão judicial confirmada sobre o pedido de prisão preventiva nem previsão de alta hospitalar para a menina de 9 anos. A Polícia Civil determinou exames de corpo de delito nas vítimas, perícia no carro e preservação das imagens de câmeras de segurança e corporais dos policiais, enquanto o pai da criança informou que reunirá o boletim de ocorrência e o prontuário médico para buscar orientação jurídica: “Agora é só a Justiça mesmo para dizer o que vai ser”, declarou Jerrimar da Silva.
