O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação da votação do 2º turno das eleições de 2026 até as 19h (horário de Brasília) neste domingo (25) em todo o Brasil. Apesar da ordem judicial, mesários não receberam orientação a tempo, encerraram as urnas eletrônicas às 17h e diversos locais de votação fecharam os portões em São Paulo e em outros estados.
Como a liminar na Reclamação 101.673 saiu perto ou logo após o horário original de término, equipamentos foram desligados, boletins de urna impressos e cabines desmontadas antes da chegada do aviso oficial. Diante do fechamento prévio pelo país, Zanin esclareceu cerca de uma hora depois que a extensão até as 19h valia apenas para as seções que permaneciam abertas, determinando a totalização normal dos votos onde o encerramento já havia ocorrido.
Escolas fechadas em São Paulo e relatos de mesários no 2º turno
Em São Paulo, o fechamento dos portões às 17h deixou eleitores do lado de fora em unidades como a EMEF Emiliano Di Cavalcanti, na Zona Leste, a EMEI Francisca Julia da Silva, no Jardim Ângela (Zona Sul), a EMEF Professor Osmar Bastos Conceição e a Universidade Presbiteriana Mackenzie, no Centro. Também encerraram o atendimento os locais Benjamin Constant, Escola Shinquichi Agari, José Borges Andrade e Estadual Luzia de Queiroz Oliveira, na Zona Leste, além da EM Cacilda Backer, na Zona Sul, e da EE Dep. Geraldino de Santos, enquanto a Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e a EE Aroldo Azevedo, em Sapopemba, permaneceram abertas.
Na EMEF Emiliano Di Cavalcanti, ao menos 12 pessoas aguardavam em frente ao portão fechado após as 17h. “Estou aqui em um horário válido de votação, que foi estendido, e já faz mais de 1 hora que falaram que a escola iria reabrir para votar, e ainda não abriu”, afirmou uma eleitora no local. Na EMEI Francisca Julia da Silva, outra eleitora relatou que esperava liberação para votar enquanto a equipe de mesários deixava a unidade.
Dentro dos colégios, a falta de comunicação oficial gerou orientações divergentes entre os cartórios e os colaboradores da Justiça Eleitoral. No Colégio Fidelino de Figueiredo, em Santa Cecília, na região central da capital paulista, todas as seções foram fechadas às 17h, as urnas recolhidas e as cabines desmontadas, mas os trabalhadores receberam ordem para aguardar instruções trancados no prédio.
“Nós tínhamos visto, nós, mesários, as informações na internet e aguardamos até as 17h. Quando deu 17h, perguntamos, e a pessoa responsável por aqui falou: ‘Fechou, fechou’. E orientou para que todos fechassem [as urnas]”, disse uma mesária da unidade. Segundo ela, a saída do prédio foi bloqueada: “Não estão deixando ninguém sair. Mas não dá para saber se há eleitores para votar, porque estamos trancados no colégio”.
Na Universidade Presbiteriana Mackenzie, o mesário Lucas Auraz relatou que a confirmação da manutenção do horário original chegou poucos minutos antes do fechamento. “Às 16h55, a gente recebeu esse comunicado no grupo oficial que o TRE-SP montou falando que nada tinha mudado, que encerraria realmente às 17h. A gente [mesários] resistiu um pouco, que não ia entregar, que tinha uma decisão [do STF]. Aí a presidente acelerou para fechar tudo”, declarou.
Já na Universidade Anhembi Morumbi, na Mooca, onde a votação prosseguiu em parte do prédio mas uma urna chegou a ser encerrada, o cartório eleitoral determinou que a intenção de voto de quem chegasse à seção fechada fosse registrada em ata, mantendo os documentos fora do envelope lacrado até segunda ordem.
Por que o STF prorrogou a votação do 2º turno e travou a apuração no TSE?
A decisão do ministro Cristiano Zanin atendeu a um pedido da coligação do presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentado inicialmente ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do STF, Kassio Nunes Marques. A ação relatou oferta insuficiente e restrições na circulação de transporte público gratuito em diversas cidades em 25 de outubro de 2026, com foco em São Paulo e nos municípios baianos de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas.
“Considerando a gravidade dos fatos narrados, que chegaram ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal em 16:32:49, da data de hoje, e diante da urgência evidente na medida, determino prorrogação por duas horas, até às 19h, horário de Brasília, do encerramento do recebimento dos votos em todas as seções de todo o Brasil, cabendo ao TSE dar cumprimento”, escreveu Zanin na decisão liminar.
A campanha do candidato adversário à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também protocolou pedido no TSE neste domingo (25) solicitando a ampliação do horário de votação até as 19h para municípios atingidos por chuvas, alagamentos e bloqueios.
Com a ordem do STF, o TSE paralisou a apuração e a divulgação dos resultados após ter totalizado 0,25% das urnas nacionalmente, o equivalente a 1.225 seções eleitorais com votos para presidente computados. Os ministros da Corte Eleitoral entraram em reunião fechada para tratar do impasse operacional, uma vez que urnas eletrônicas desligadas às 17h não podem ser reabertas para receber novos votos e as regras de contingência do tribunal — como troca de equipamento ou uso de cédulas de papel — cobrem apenas falhas técnicas, sem previsão para reabertura por ordem judicial.
Horários, números e atos da prorrogação da votação pelo STF
- 16h32 (horário de Brasília): chegada da reclamação ao STF sobre falhas no transporte público gratuito em 25 de outubro de 2026.
- 17h00: horário original de encerramento em que diversas seções fecharam urnas e portões por falta de aviso oficial sobre a liminar na Reclamação 101.673.
- 17h06: início da divulgação da totalização de votos pelo TSE, atingindo 0,25% das urnas apuradas (1.225 seções eleitorais).
- 17h20: suspensão da divulgação da contagem de votos pelo TSE em cumprimento à determinação do ministro Cristiano Zanin.
- 19h00: novo horário limite estabelecido pelo STF, posteriormente restrito por Zanin às seções que ainda mantinham urnas abertas.
Frota reduzida de ônibus na Bahia e em São Paulo e o precedente de 2022
A prorrogação nacional do horário de votação em eleições gerais é uma medida inédita no país; no segundo turno de 2022, o então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, negou pedido semelhante do PT para estender o horário devido a operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em 2026, o pedido relatou que, em São Paulo, apenas cerca de 60% da frota de ônibus circulava, descumprindo decisão judicial que exigia 100% dos veículos e gerando esperas acima de 40 minutos no Centro e de até duas horas na Zona Oeste.
Na Bahia, outro estado citado na ação enviada ao STF, a fiscalização do Procon-BA encontrou 55 ônibus aptos a operar parados na garagem da empresa OT Trans, em Salvador. No mesmo estado, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade Urbana, Pablo Souza, após a retenção de 75 coletivos.
Ainda não há confirmação oficial sobre a quantidade total de eleitores que deixaram de votar em São Paulo e no restante do Brasil em razão do fechamento dos portões e do encerramento das urnas às 17h. Com a retificação feita por Cristiano Zanin, as seções que permaneceram abertas seguem recebendo votos até as 19h, enquanto os votos das urnas já encerradas passam pelo cômputo e totalização normais pelo TSE.
