Um levantamento com base nos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou que a eleição presidencial teve 35.521 votos registrados após as 17h (horário de Brasília) no segundo turno, realizado em 25 de outubro de 2026. Esse volume representa cerca de 0,03% dos votos válidos da disputa e corresponde a menos de 1% da diferença final de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre os dois concorrentes.
O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito ao derrotar o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). Após a confirmação do resultado oficial pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, o candidato do PL contestou a decisão judicial que estendeu o horário de votação e afirmou que pediria a anulação do pleito.
Auditoria nos logs de 497.897 seções do TSE e o sigilo na eleição presidencial
A identificação dos votos computados depois do horário regular de encerramento ocorreu por meio da verificação dos logs de urna, que são os arquivos digitais responsáveis por registrar os horários exatos de todas as operações executadas pelos equipamentos, desde a abertura até a confirmação de cada voto e o fechamento da seção. A apuração detalhada examinou os arquivos de 497.897 seções eleitorais espalhadas pelo país para separar os registros efetuados depois das 17h.
Ainda não é possível saber em qual dos dois candidatos foram dados os 35.521 votos registrados nesse período adicional. O sistema de proteção e sigilo das urnas eletrônicas, assim como a estrutura técnica dos arquivos de log disponibilizados pela Justiça Eleitoral, impede qualquer vinculação entre o horário do registro e a escolha feita pelo eleitor na cabine.
A apuração dos dados do TSE e o resultado final da votação de domingo (25) apresentaram os seguintes números exatos:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 51,79% dos votos válidos (cerca de 64,2 milhões de votos no total)
- Flávio Bolsonaro (PL): 48,21% dos votos válidos (aproximadamente 59,8 milhões de votos no total)
- Confirmações após as 17h em seções com boletins de urna conferidos e status “Totalizado”: 30.866 votos
- Confirmações após as 17h em seções que seguiam pendentes de validação no momento da análise: 4.655 votos
Prorrogação até as 19h pelo STF e pedidos das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro
A ampliação do horário de funcionamento das seções eleitorais até as 19h em todo o território nacional foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, pouco depois das 17h de domingo (25). O magistrado esclareceu que a ordem judicial tinha validade exclusivamente para as seções que ainda permaneciam abertas naquele instante, proibindo a reabertura de urnas onde a votação já havia sido encerrada pelos mesários.
Antes da ordem emitida pelo STF, as duas campanhas presidenciais haviam protocolado pedidos formais junto ao TSE solicitando tempo extra para a votação, mas com argumentos distintos. A coligação de Luiz Inácio Lula da Silva, que também acionou o Supremo, relatou problemas na operação do transporte público em diversas localidades, mencionando redução de frota, falta ou atraso de ônibus e a cobrança indevida de passagens dos eleitores. Já a campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao tribunal eleitoral o acréscimo de duas horas na votação em municípios atingidos por fortes chuvas, enchentes e quedas no fornecimento de energia elétrica, em requerimento que abrangeu localidades de estados como Minas Gerais e Paraná, além de registros sobre solicitações para Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina.
Pausa na totalização do TSE e contestação de Flávio Bolsonaro contra decisão de Zanin
Para cumprir a determinação do STF sem interferir na escolha dos eleitores que permaneciam nas filas, o TSE bloqueou de maneira temporária o recebimento dos boletins de urna e suspendeu a divulgação da totalização até as 19h. A medida técnica impediu o acesso parcial aos resultados enquanto a votação prorrogada ocorria nas seções abertas, e a apuração definitiva foi retomada logo após o encerramento do novo prazo e a conclusão dos ajustes nos sistemas do tribunal.
Ao anunciar a conclusão da apuração e confirmar a reeleição de Lula, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, informou ter telefonado pessoalmente para os dois candidatos. O magistrado também defendeu a lisura do pleito realizado no país e declarou ter “toda a segurança no processo eleitoral”.
Do lado da oposição, Flávio Bolsonaro optou por não reconhecer a derrota nas urnas e direcionou críticas à atuação do ministro Cristiano Zanin. O senador utilizou o fato de o integrante do STF ter atuado no passado como advogado de Luiz Inácio Lula da Silva nos processos da Operação Lava Jato, antes de sua indicação à Corte, para questionar a imparcialidade da decisão que estendeu o horário e justificar o anúncio de que apresentará um pedido de anulação da eleição.
