Após tombo histórico, Ibovespa busca trégua e dólar recua 1%; veja o fechamento
O Ibovespa fechou em queda de 0,51% nesta terça-feira, a 175.710,05 pontos, em pregão de acomodação após a maior queda desde 2020. O dólar cedeu 1,07%, a R$ 5,3488.
Na segunda-feira, o índice havia caído 13,88%, a 176.608,23 pontos, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O circuit breaker foi acionado pela primeira vez desde março de 2020.
Movimento de acomodação
O volume financeiro somou R$ 72,23 bilhões. O índice chegou a 178.526,08 pontos na máxima e marcou 175.130,23 pontos na mínima. Agentes financeiros atribuíram a queda da véspera a desmonte de posições que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro.
Levantamento da Elos Ayta apontou perda de R$ 734 bilhões em valor de mercado consolidado na segunda-feira. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que reafirmou a Lula a necessidade de sinalização propositiva ao mercado e que o governo tem medidas prontas, incluindo a busca do centro da meta fiscal.
Lula venceu Flávio Bolsonaro por 51,79% a 48,21% dos votos válidos. O resultado frustrou expectativas de investidores que se posicionavam para uma vitória do senador e uma agenda mais favorável ao ajuste fiscal. A B3 ampliou duas vezes o limite de queda dos contratos futuros na véspera para conter a volatilidade.
Comportamento do dólar e juros
O dólar havia subido 8,36% na véspera, a R$ 5,406. Nesta terça-feira, devolveu parte da alta. As taxas dos DIs também recuaram após dispararem mais de 250 pontos-base no pregão anterior.
O mercado acompanha os sinais do governo sobre a política fiscal e a definição de nomes para o Ministério da Fazenda. A sessão mostrou volatilidade no Ibovespa, mas com correção parcial em câmbio e juros. O volume da segunda-feira chegou a quase R$ 114,9 bilhões, bem acima da média diária do mês.
O índice Small Caps caiu 26,92% na véspera, maior queda diária de sua série histórica. O setor imobiliário recuou 28,63% e o de consumo 26,14% no pregão de segunda-feira. A acomodação desta terça-feira reflete ajuste de posições após a reprecificação causada pelo resultado eleitoral.
Perspectivas e próximos passos
Investidores deslocam o foco da eleição para a condução da política econômica. O mercado aguarda sinais concretos de compromisso com o equilíbrio das contas públicas. Durigan mencionou que o governo já tem medidas prontas para apresentação.
O Ibovespa perdeu quase 14% na maior queda desde março de 2020. No pior momento da segunda-feira, o índice chegou a cair mais de 17%, a 169.516,43 pontos. A sessão de terça-feira mostrou volatilidade, mas com correção parcial em câmbio e juros.
A B3 afirmou que a decisão de acionar o circuit breaker baseou-se na análise do cenário de formação do preço teórico do Ibovespa, que indicava queda superior a 20%. O mecanismo não era acionado desde março de 2020.
O volume financeiro da segunda-feira totalizou quase R$ 114,9 bilhões, perto do recorde registrado em abril. A acomodação desta terça-feira reflete o ajuste de posições após a forte reprecificação dos ativos brasileiros.
O mercado agora monitora as próximas sinalizações do governo sobre a política fiscal e a composição da equipe econômica para o novo mandato. A definição de nomes e a apresentação de medidas concretas devem influenciar o comportamento dos ativos nos próximos pregões.
Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

