Receita Federal apreende mais de 3 mil canetas ilegais no RS

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Canetas emagrecedoras - Reprodução/Globo Foto: Canetas emagrecedoras - Reprodução/Globo

A Receita Federal apreendeu 3.306 canetas emagrecedoras ilegais no Rio Grande do Sul entre janeiro e setembro de 2026. O volume supera em 2.566% o total de 124 unidades recolhidas em todo o ano de 2025 e tem valor estimado em R$ 1,27 milhão.

O chefe da Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal no RS, Eduardo Rossi Mielke, afirmou que as equipes verificam cargas em circulação no estado e realizam apreensões quase diariamente. “A gente faz um trabalho bem extenso de verificação de todas as cargas que circulam aqui no Rio Grande do Sul. E quase todo dia estamos topando com esse tipo de produto e fazendo apreensões”, declarou.

Produtos chegam escondidos de Paraguai sem refrigeração

As canetas entram principalmente pela fronteira com o Paraguai e seguem escondidas em veículos, ônibus, vans e encomendas postais. Em alguns casos, os fiscais encontraram as unidades em compartimentos de motores e pneus, locais expostos a altas temperaturas. Em uma apreensão recente nos Correios, embalagens com bolsas de gelo tentavam simular transporte adequado, mas não havia garantia de que a refrigeração necessária foi mantida durante o trajeto.

Mielke explicou que o crescimento reflete o aumento da demanda. “As variações nas nossas apreensões refletem o hábito de consumo das pessoas. No caso das canetas emagrecedoras, o volume aumenta porque há muito mais entrando ilegalmente no país para atender à demanda”, disse. No Brasil, as apreensões passaram de 33,3 mil unidades em 2025 para quase 350 mil entre janeiro e setembro de 2026, com valor estimado em R$ 117,1 milhões.

caneta emagrecedora, fita métrica
caneta emagrecedora, fita métrica – Gecko Studio/shutterstock.com

Endocrinologista alerta para impurezas e risco de morte

O endocrinologista Fernando Gerchman, do Hospital Moinhos de Vento, alertou que o uso dessas substâncias clandestinas oferece risco porque não há como assegurar pureza nem composição. “A gente não sabe o que tem de impureza. Pode ser um minério, pode ser um agente microbiológico, que pode gerar uma infecção, pode causar uma reação autoimune, inflamatória no corpo, gerando uma doença muito grave, que pode se perpetuar e ser irreversível ou até levar à fatalidade”, afirmou.

Como os produtos entram de forma clandestina, eles não passam pelos controles da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A recomendação é adquirir medicamentos apenas em farmácias e drogarias regularizadas. Mielke observou que o problema deixou de ser apenas tributário. “Acho que para a sociedade, acaba deixando de ser um problema tributário e vira um problema de saúde pública”, declarou.

Outras apreensões de saúde e estética também sobem no estado

O avanço não se limita às canetas. Entre janeiro e setembro de 2026, a Receita Federal no RS recolheu 13,4 mil unidades de anabolizantes e hormônios, ante 532 em todo 2025, e 7,2 mil pacotes de vitaminas e suplementos, ante 1,6 mil no ano anterior. O total de mercadorias apreendidas no estado no período somou R$ 114,87 milhões.

A fiscalização usa cruzamento de dados sobre peso, dimensões, origem e percurso para identificar cargas suspeitas. Produtos sem registro sanitário ou com risco à saúde são destruídos após a apreensão.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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