TCE-AC debate soluções para a Bacia do Igarapé São FranciscoPor Bruna
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O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) realiza audiência pública em 28 de outubro de 2026 para debater soluções para a Bacia Hidrográfica do Igarapé São Francisco, em Rio Branco. O encontro, das 8h às 13h no Plenário do Tribunal, reúne moradores, representantes indígenas, presidentes de associações, políticos, pesquisadores e instituições parceiras.
A bacia tem mais de 45 mil hectares e se distribui entre os municípios de Rio Branco e Bujari. A região enfrenta degradação ambiental, desmatamento, ocupação irregular e infraestrutura insuficiente. O cenário foi agravado pelas enxurradas de 2023, que atingiram diretamente mais de cinco mil famílias e causaram prejuízos socioeconômicos e ambientais.
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Conselheira diz que enxurrada de 2023 matou pessoas
Para a conselheira Nalu Gouveia, a dimensão do problema justifica a mobilização. Ela afirmou que a bacia atravessa 28 bairros de Rio Branco e também o Bujari, e que, em 2023, a enxurrada afetou e matou pessoas. Segundo ela, a audiência serve para ouvir quem vive na região e verificar se as políticas públicas chegam a quem precisa.
Pesquisador alerta para risco de enxurrada, além das cheias
O professor Ricardo Ribeiro, da Universidade Federal do Acre (Ufac), doutor em saneamento, ambiente e recursos hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais, disse que a população costuma associar o problema apenas às enchentes. Segundo ele, a bacia também sofre com enxurradas, fenômeno de maior risco porque a água corre muito mais rápido. A equipe identificou um corredor hidráulico de perigo extremo, com metodologia do Corpo de Defesa Civil da Austrália. Ele defendeu zoneamento adequado para preservar as áreas verdes e adaptar as zonas de risco significativo de enxurrada.
Projeto piloto de recuperação pode virar política de Estado
Um professor engenheiro florestal da Universidade de Brasília (UnB), instituição parceira dos estudos, propôs um piloto de recuperação da bacia com base em experiências no Distrito Federal. Ele defendeu que a iniciativa se torne permanente, como política de Estado, e não de um governante.
A presidente do TCE-AC, conselheira Dulcineia Benício de Araújo, explicou que o projeto tem três eixos: ambiental, estruturante e socioeconômico. O diagnóstico inclui o levantamento socioeconômico das famílias que vivem às margens dos igarapés. Ela afirmou que a execução cabe a outros poderes e que o Tribunal atua como indutor das ações.
Pela manhã, foram apresentados os estudos dos eixos de infraestrutura, socioeconômico e ambiental. A programação prevê ainda:
- Assinatura do Termo de Adesão do Projeto Produtor de Água
- Discussões em grupos
- Momento de participação do público
As contribuições serão sistematizadas para o documento final dos estudos com a Ufac e a UnB e para o Projeto Produtor de Água, com recomendações de políticas públicas ao Poder Executivo. Está prevista a continuidade das tratativas para formalizar um acordo de cooperação técnica entre as instituições parceiras.















