Endividamento das famílias sobe a 50,1%, maior nível da sériePor Jeronimo Santos
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O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro chegou a 50,1% da renda anual em agosto, o maior nível da série histórica do Banco Central. Foi uma alta de 0,2 ponto percentual em relação a julho, segundo o relatório Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgado nesta quinta-feira (29).
Na prática, as dívidas com bancos já somam mais da metade de tudo o que as famílias recebem em um ano. O cálculo inclui financiamentos, empréstimos pessoais, consignado e cartão de crédito. Sem o financiamento imobiliário, o índice fica em 31%.
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O peso das parcelas no orçamento mensal também bateu recorde. O comprometimento da renda subiu para 29%, o maior patamar desde março de 2011, início da série.
Inadimplência também chega a recorde de 8%
A inadimplência, que considera atrasos de mais de 90 dias em qualquer parcela, atingiu 8% em agosto, segundo o BC. É o maior nível desde o início da série, puxado por financiamentos de veículos, cartão rotativo e consignado para trabalhadores do setor privado.
A alta das taxas ajudou a empurrar o endividamento para cima. A Selic, a taxa básica de juros, chegou a 15% ao ano e hoje está em 13,75%. O ciclo de aperto monetário começou em setembro de 2024 e encareceu o crédito para as famílias.
Desenrola 3.0 prevê compra de dívidas pela União
Em 25 de setembro, o governo assinou a Medida Provisória 1.393/2026, que cria a terceira fase do Desenrola. Pela nova regra, a União poderá comprar carteiras de dívidas inadimplentes em leilões e repassar integralmente ao devedor o desconto obtido, com deságio mínimo de 90%.
O programa vale para dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil. O governo estima que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis e que até 15 milhões de pessoas sejam atendidas, com custo máximo de R$ 15 bilhões para a União.
A fase anterior, lançada em maio, encerrou-se no fim de agosto com mais de R$ 22,4 bilhões em dívidas renegociadas.
Cronograma prevê contratos a partir de fevereiro de 2027
- Dezembro de 2026: credores entregam as propostas
- Janeiro de 2027: homologação das propostas selecionadas
- Fevereiro de 2027: assinatura dos contratos e início do repasse dos descontos
A partir de fevereiro, os devedores poderão quitar à vista ou parcelar o saldo restante, com os descontos já aplicados.















