Pular para o conteúdo
Menu
Mix Vale

O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu uma consulta pública para embasar um diagnóstico sobre a expansão da rede nacional de recarga de carros elétricos. A abertura acontece depois que o volume de vendas desse tipo de veículo superou em cerca de 70% todo o total registrado em 2025. O processo foi aberto na sexta-feira (23).

Segundo a pasta, a consulta quer reunir informações técnicas do mercado para mapear o setor no país. O governo também pretende identificar barreiras legais e regulatórias e propor ajustes em normas. O objetivo final é integrar os carregadores às redes de distribuição de energia e melhorar o planejamento energético diante da frota eletrificada, que cresce depressa. Segundo a apuração, a consulta não altera a Resolução Normativa nº 819 da Aneel, editada em 2018, que já trata das condições de recarga por distribuidoras.

Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro

381.609 eletrificados emplacados em nove meses de 2026

O levantamento do MME usa números da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) referentes aos primeiros nove meses de 2026. Pelo material, a adoção de modelos elétricos e híbridos pelos consumidores ficou acima do previsto pelos órgãos de planejamento do setor energético. Outra medição, da Anfavea, entidade que representa parte das montadoras com produção local, registra 433.931 eletrificados emplacados no mesmo período, com alta de 126%, divulgada em 7 de outubro.

Carro elétrico
Foto: Carro elétrico – onurdongel/ Istockphoto.com

O ministério declarou, em nota técnica, que “em setembro a participação de veículos eletrificados alcançou 19,8% das vendas de veículos leves, ritmo que tem superado as projeções oficiais disponíveis”. O documento foi publicado na abertura do processo, em 23 de outubro de 2026.

Os principais indicadores que sustentam a consulta aparecem na lista abaixo. Eles cobrem o volume de vendas e a rede disponível no país.

  • 381.609 veículos leves eletrificados emplacados de janeiro a setembro de 2026.
  • Alta de cerca de 70% nos nove primeiros meses de 2026 em relação a todas as vendas de 2025.
  • 19,8% de participação sobre o total de veículos leves vendidos em setembro de 2026.
  • 29.866 pontos de recarga públicos e semipúblicos em operação, segundo levantamento da ABVE com a Tupi Mobilidade.

Metade dos pontos de recarga fica em São Paulo e no Sul

A oferta de carregadores não acompanha o ritmo das vendas e segue concentrada. Os dados citados pelo governo mostram que a disponibilidade de eletropostos se concentra no Sudeste e no Sul, deixando grandes áreas do país com baixa cobertura. A pasta também afirmou que o país ainda não tem informações sistematizadas sobre a cobertura territorial dos pontos.

A distribuição regional dos pontos públicos e semipúblicos segue os percentuais abaixo. O recorte usa os 29.866 pontos levantados pela ABVE e pela Tupi Mobilidade.

  • Estado de São Paulo: 26,3% de todos os pontos de recarga em funcionamento no Brasil.
  • São Paulo somado aos três estados do Sul: 50,7% do total de aparelhos.
  • Os sete estados da Região Norte: 3,4% da rede de carregamento do país.

Fabricantes estrangeiras miram fábricas e planos até 2030

Para o governo, a eletrificação da frota deixou de ser passageira e deve se firmar como mudança estrutural do mercado automotivo. O ministério aponta a chegada de novas fabricantes estrangeiras e os aportes diretos para produção e montagem local como fatores que ampliam a oferta ao consumidor.

Confira também: Ministério de Minas e Energia descarta horário de verão em 2026

A chinesa BYD avança na nacionalização de componentes e já pediu licenças para dobrar a capacidade anual da fábrica de Camaçari, na Bahia, com meta de 600 mil veículos por ano. Stellantis, Volkswagen, Toyota e GWM também incluíram carros elétricos e híbridos no centro de seus planos de investimento. Esses cronogramas somam cerca de R$ 130 bilhões até 2030, conforme levantamentos do governo federal.

Consumo de 15 TWh em 2036 pressiona a rede de distribuição

Com a frota maior, o abastecimento de baterias deve exigir fatia relevante da matriz elétrica. A estimativa oficial é que a eletromobilidade consuma cerca de 15 terawatts-hora (TWh) em 2036, unidade equivalente a 1 bilhão de quilowatts-hora. Segundo a nota, esse volume é comparável ao de outras novas cargas relevantes para a expansão da demanda elétrica prevista no planejamento setorial.

O desafio para o sistema, segundo o texto oficial, não está só no total de energia. Está na forma como essa procura se distribui no tempo e no espaço, já que muitos carros ligados nos mesmos horários e regiões exigem preparo prévio das concessionárias para evitar sobrecarga local.

Em trecho da nota técnica, o ministério declarou que “a recarga de veículos elétricos pode provocar concentrações localizadas de demanda em áreas urbanas, condomínios residenciais, garagens corporativas, centros logísticos e corredores rodoviários”. O documento também cita possíveis reflexos sobre os circuitos de distribuição que atendem essas áreas.

A consulta segue aberta para contribuições até 22 de novembro de 2026, prazo de 30 dias contados da abertura. Interessados podem responder pelo formulário disponível na página do MME, que aceita a anexação de estudos, bases de dados e notas técnicas.

Notícias relacionadas

Mais lidas

  1. Brasil

    Eduardo Sotto Mayor morre em São Paulo; família do jornalista doa órgãos e velório é em Taquaritinga

  2. Rio de Janeiro

    Mpox no Rio de Janeiro: estado chega a 211 casos confirmados em 2026 e supera total de todo o ano passado, de 119 informados

  3. Destaques

    Vale-cultura em compras pela internet: Comissão de Cultura da Câmara aprova cartão com chip

  4. Brasil

    Black Friday 2026: confira cinco dicas para comprar com segurança e evitar fraudes

  5. Brasil

    Petrobras confirma nova descoberta de petróleo na Margem Equatorial

  6. Curiosidades

    Fim do Horário de verão nos Estados Unidos: relógios atrasam uma hora em 1º de novembro e mudam diferença para Brasília

  7. Destaques

    Alertas demais, atenção de menos: o risco do excesso de avisos da Defesa Civil no celular

  8. Política

    Caso Master: perícia contratada por Vorcaro identifica supostas alterações em celular

Sua privacidade

O Mix Vale usa cookies para medir audiência e exibir anúncios que sustentam a redação. Você escolhe. Política de privacidade.