Recarga de veículos elétricos entra em consulta pública do MME até 22 de novembroPor Luís Henrique Costa
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O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu uma consulta pública para embasar um diagnóstico sobre a expansão da infraestrutura de recarga de veículos elétricos no Brasil. A medida foi formalizada em 23 de outubro de 2026, quando o órgão publicou no Diário Oficial da União a Portaria SNTEP/MME nº 3.252, assinada pela secretária Nacional de Transição Energética e Planejamento, Mariana de Assis Espécie. O movimento acontece depois que as vendas desse tipo de automóvel superaram em cerca de 70% o total registrado em todo o ano de 2025.
A pasta quer reunir informações técnicas do mercado para desenhar um panorama da atividade no país. O objetivo inclui identificar barreiras legais e regulatórias e formular ajustes normativos. As diretrizes buscam integrar os aparelhos de recarga às redes de distribuição de energia e melhorar o planejamento energético diante do avanço rápido da frota eletrificada.
Vendas de eletrificados superam as projeções do próprio governo
O levantamento do ministério toma como base os dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) referentes aos primeiros nove meses de 2026. O ritmo de adoção de modelos elétricos e híbridos ficou acima do que os órgãos de planejamento do setor energético previam para o período.
Em nota técnica divulgada na abertura do processo, o MME informou que “em setembro a participação de veículos eletrificados alcançou 19,8% das vendas de veículos leves, ritmo que tem superado as projeções oficiais disponíveis”. A frase resume o descompasso entre o mercado e as previsões que orientam o planejamento do setor.
Os indicadores que sustentam a consulta reúnem os volumes consolidados no país, segundo a ABVE e o levantamento feito com a Tupi Mobilidade.
- Emplacamentos de janeiro a setembro de 2026: 381.609 veículos leves eletrificados vendidos no Brasil.
- Crescimento de cerca de 70% nos nove primeiros meses de 2026 frente a todas as vendas de 2025.
- Fatia de 19,8% sobre o total de veículos leves comercializados no país em setembro de 2026.
- Rede de 29.866 pontos de recarga públicos e semipúblicos em operação no território nacional.
Eletropostos seguem concentrados no Sudeste e no Sul
A expansão nas vendas não se repete na localização dos equipamentos. Os dados citados pelo governo mostram que a disponibilidade de eletropostos está centralizada nas regiões Sudeste e Sul, e grandes áreas do território seguem com baixa cobertura.
Pela divisão geográfica dos pontos públicos e semipúblicos instalados, o país apresenta os seguintes percentuais:
- Estado de São Paulo: 26,3% de todos os pontos de recarga em funcionamento no Brasil.
- São Paulo somado aos três estados da região Sul: 50,7% do total de aparelhos, ou metade da estrutura nacional.
- Região Norte, com sete estados: 3,4% da rede de carregamento do país.
Montadoras estrangeiras e aportes de R$ 130 bilhões até 2030
Para o governo federal, a eletrificação da frota deixou de ser um movimento passageiro e tende a se firmar como mudança estrutural do mercado automotivo. Entre os fatores apontados pelo ministério estão a entrada de novas fabricantes estrangeiras e os aportes anunciados para a produção e a montagem local desses carros, o que amplia a oferta ao consumidor.
A montadora chinesa BYD avança na nacionalização de componentes e já pediu licenças para dobrar a capacidade anual da fábrica de Camaçari, na Bahia, com meta de 600 mil veículos por ano. Stellantis, Volkswagen, Toyota e GWM também incluíram carros elétricos e híbridos no centro de seus cronogramas no país, que somam cerca de R$ 130 bilhões até 2030, conforme levantamentos do governo federal.
Governo projeta 15 TWh para a eletromobilidade em 2036
Com a frota maior nas ruas, o governo projeta que o abastecimento de baterias passe a exigir uma fatia relevante da matriz elétrica. A estimativa oficial é que o consumo voltado exclusivamente à eletromobilidade chegue a aproximadamente 15 terawatts-hora (TWh) no ano de 2036, medida equivalente a 1 bilhão de quilowatts-hora.
Segundo a nota técnica da pasta, esse volume representa uma “ordem de grandeza comparável à de outras novas cargas relevantes para a expansão da demanda elétrica considerada no planejamento setorial”. O desafio para o sistema, porém, vai além do total consumido e envolve a forma como essa demanda se distribui no tempo e no espaço.
Múltiplos carros conectados nos mesmos horários e em regiões específicas exigem que as concessionárias se preparem antes para evitar sobrecargas na rede local. O hábito de recarregar veículos em um mesmo período concentra a procura por eletricidade.
No documento, o Ministério de Minas e Energia declarou que “a recarga de veículos elétricos pode provocar concentrações localizadas de demanda em áreas urbanas, condomínios residenciais, garagens corporativas, centros logísticos e corredores rodoviários, com possíveis reflexos sobre os circuitos de distribuição e transformação que os atendem”. A nota técnica trata esses pontos como o foco do diagnóstico.
A consulta pública segue aberta por 30 dias para contribuições, que podem ser enviadas pelo portal do MME ou pela plataforma Brasil Participativo. O prazo final é 22 de novembro de 2026, e o formulário aceita estudos, pesquisas, bases de dados e notas técnicas.








