Mulher processa Deolane Bezerra, Carlinhos Maia e Virgínia Fonseca por perder R$ 350 mil em apostas

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jogo do tigrinho aposta online casa de aposta Foto: rafapress/shutterstock.com

Uma moradora de Goiânia abriu um processo contra os influenciadores digitais Deolane Bezerra, Carlinhos Maia e Virgínia Fonseca após perder R$ 350 mil em apostas. A mulher, que não teve o nome revelado, afirma que foi influenciada pelas publicações dos famosos nas redes sociais para apostar na plataforma Esportes da Sorte e agora busca uma indenização de R$ 1,1 milhão. Ela relata que perdeu toda a herança de seu pai em apenas quatro dias, após ser atraída pelos anúncios que, segundo ela, sugeriam lucros rápidos e altos com investimentos baixos.

O impacto das publicidades de apostas

A mulher afirma que decidiu experimentar as apostas após ver os influenciadores promovendo a plataforma em seus stories. De acordo com o seu relato, as postagens mostravam ganhos expressivos com valores modestos, como a aposta de R$ 50 resultando em R$ 5 mil, criando uma imagem enganosa de facilidade.

Ela descreve que, assim que começou a jogar, perdeu dinheiro rapidamente e, em uma tentativa de recuperar as perdas, acabou apostando cada vez mais, até perder todo o montante que tinha herdado. A ilusão de que poderia recuperar o valor investido a levou a continuar apostando, o que resultou em uma espiral de perdas. “Acabou destruindo a vida da minha família inteira. Tem um ano que eu não durmo, não tenho paz pelo erro que cometi”, desabafou a mulher em entrevista.

Influenciadores e empresas no centro da ação

O processo também envolve quatro empresas além dos influenciadores. Entre elas está a própria Esportes da Sorte, plataforma onde as apostas foram feitas, além de facilitadoras de pagamento como Pay Brokers, ZRO Instituição de Pagamento e outras. A mulher questiona como essas empresas controlam o acesso às apostas, especialmente por pessoas vulneráveis, como menores de idade ou indivíduos com incapacidade mental. Ela ainda pede que a justiça investigue o funcionamento dos algoritmos da plataforma para verificar se os usuários têm chances reais de vencer ou se o sistema é projetado para gerar perdas contínuas.

O advogado da mulher, Cícero Goulart de Assis, afirma no processo que a plataforma permite depósitos ilimitados, mas restringe os saques a R$ 15 mil por dia, o que poderia aumentar o risco de perdas. Ele também solicita que o histórico de apostas dos influenciadores envolvidos seja apresentado no processo, para verificar se eles realmente obtêm os lucros que promovem em suas redes sociais.

Defesas e respostas das partes envolvidas

Até o momento, a defesa de Virginia Fonseca e da Paybrokers afirmou que não foram oficialmente intimados e, por isso, não irão se manifestar sobre o caso. A equipe de Virginia também informou que a influenciadora encerrou sua parceria com a Esportes da Sorte em maio deste ano, antes do início do processo judicial. A mediadora de pagamentos ZRO Bank esclareceu que não promove práticas de jogos e se limita a fornecer infraestrutura de pagamentos, seguindo todas as regulamentações brasileiras.

As outras partes citadas no processo, incluindo Deolane Bezerra, Carlinhos Maia e as demais empresas envolvidas, ainda não se pronunciaram até a última atualização da reportagem.

Regulação e controvérsias dos jogos de azar

No Brasil, a regulamentação dos jogos de azar tem sido tema de discussões desde a década de 1940, quando a Lei de Contravenções Penais foi promulgada, classificando jogos cujo resultado dependesse exclusivamente da sorte como ilegais. No entanto, em 2018, casas de apostas esportivas foram legalizadas no país, permitindo a operação de plataformas como a Esportes da Sorte.

A maioria dessas empresas opera com sede em outros países, o que dificulta o controle sobre suas práticas. Em janeiro de 2025, uma nova regulamentação entrará em vigor no Brasil, que visa ampliar o controle sobre essas plataformas e garantir a transparência nas apostas. De acordo com o secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Régis Dudena, essa regulação trará mais proteção tanto para os apostadores quanto para a economia nacional, com regras claras para evitar práticas ilícitas, como lavagem de dinheiro.

Preocupações com vício em jogos e os limites do marketing digital

Além dos aspectos legais, o caso levantou discussões sobre a influência do marketing digital nas decisões dos consumidores. O uso de influenciadores digitais para promover plataformas de apostas tem gerado críticas, especialmente por atrair um público jovem e vulnerável, que pode ser mais suscetível às promessas de ganhos fáceis.

A mulher que abriu o processo destaca que não se considerava viciada em jogos antes de começar a apostar, mas que a busca por recuperar o dinheiro perdido acabou se tornando um ciclo vicioso. Essa situação acende o alerta para a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa sobre a publicidade de apostas nas redes sociais, além de mais transparência sobre os riscos envolvidos nesse tipo de atividade.

Especialistas alertam para os perigos de transformar jogos de azar em entretenimento acessível e glamouroso, especialmente quando promovido por figuras públicas com grande alcance nas redes sociais. A responsabilização dos influenciadores e das plataformas que patrocinam esses conteúdos será um dos principais pontos a serem discutidos nos tribunais nos próximos meses.

Perspectivas do processo

O processo ainda está em fase inicial, aguardando o deferimento de justiça gratuita e a intimação dos réus para apresentarem suas defesas. A mulher espera que o valor solicitado como indenização cubra as perdas financeiras e morais sofridas desde o episódio, que ocorreu em setembro de 2023.

Enquanto o caso segue tramitando, a discussão sobre a responsabilidade das plataformas de apostas e de seus promotores continua crescendo, apontando para a necessidade de medidas mais rigorosas para proteger os consumidores de práticas abusivas e garantir que as apostas sejam feitas de maneira consciente e segura.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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