Lula vai intensificar cobranças climáticas em discurso na ONU após desastres ambientais no Brasil

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presidente lula Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Lula eleva tom na ONU, cobrando ação climática global diante de queimadas e enchentes recordes no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende elevar o tom de seu discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, 24 de setembro de 2024. O Brasil enfrenta um ano marcado por recordes de queimadas na Amazônia e enchentes devastadoras em diversas regiões, trazendo o tema da crise climática para o centro das atenções. Lula pretende utilizar a visibilidade do evento para cobrar medidas urgentes da comunidade internacional, argumentando que o impacto dessas catástrofes atingiu o Brasil com uma gravidade que chegou antes do previsto.

No domingo, 22 de setembro, durante a Cúpula do Futuro em Nova York, Lula já havia adiantado parte de seu discurso, onde enfatizou a necessidade de uma agenda climática mais ambiciosa e a importância da reforma de instituições multilaterais, como a própria ONU. Embora essa fala tenha sido dirigida a um público mais restrito, a ausência de líderes das principais potências mundiais, como Estados Unidos, China e Rússia, deixou evidente a resistência de alguns países a mudanças estruturais no cenário global.

Agenda climática e a urgência da ação global

No discurso de terça-feira, Lula vai reiterar que o Brasil não pode arcar sozinho com as consequências da crise climática, e que os países desenvolvidos têm responsabilidade direta no agravamento desse cenário. Ele destacará estudos recentes que indicam que o limite de 1,5 grau Celsius de aquecimento global será atingido antes do previsto, o que coloca o mundo em risco de um “ponto sem retorno”, onde os efeitos da mudança climática seriam irreversíveis.

Lula deve lembrar seus colegas chefes de Estado que o aquecimento global não afeta apenas os países mais vulneráveis, mas também provoca crises migratórias e instabilidade global, que atingem as nações desenvolvidas. Segundo o presidente, a solução passa pela redistribuição de responsabilidades entre os países, com maior contribuição financeira e tecnológica dos grandes poluidores históricos.

Reforma da ONU e combate à fome

Outra pauta central no discurso de Lula será a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), uma reivindicação recorrente do presidente brasileiro. Ele voltará a defender que a estrutura do Conselho de Segurança, dominado pelas cinco potências permanentes — Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França —, precisa ser democratizada para refletir o atual equilíbrio geopolítico global. Lula argumentará que a concentração de poder nessas nações impede a adoção de decisões justas e eficazes em questões críticas, como mudanças climáticas e conflitos regionais.

Além disso, o combate à fome também estará na pauta de Lula. O presidente vai destacar que a fome não é apenas uma questão dos países mais pobres, mas uma preocupação global que afeta diretamente as crises de refugiados e as migrações em massa. Lula vem defendendo há anos que a erradicação da fome deve ser uma prioridade mundial, e acredita que essa pauta deve estar entre as mais urgentes nos debates internacionais.

Elon Musk e plataformas digitais

De forma indireta, Lula também deve fazer referência ao bilionário Elon Musk, proprietário da rede social X (anteriormente Twitter), durante seu discurso. Recentemente, Musk se envolveu em polêmicas ao criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) e as instituições democráticas brasileiras, o que gerou um desconforto diplomático. Lula deve cobrar dos países desenvolvidos uma maior responsabilidade na regulação das plataformas digitais, alertando para os riscos que a desinformação representa para a democracia global.

A defesa da democracia será um dos temas mais abordados por Lula, especialmente em um contexto em que o Brasil viveu recentemente os ataques ao STF e a disseminação de fake news durante as eleições. O presidente destacará que é fundamental que as grandes plataformas de mídia social sejam pressionadas para adotar medidas mais rigorosas no combate à desinformação e na preservação da integridade democrática.

Venezuela e a crise regional

Outro tema que Lula não deve deixar de mencionar é a situação política na Venezuela. O Brasil, que historicamente tem um papel de mediação nos conflitos da região, tem sido questionado por sua postura em relação à crise venezuelana, especialmente após as eleições contestadas. Lula deve mencionar a necessidade de uma solução pacífica e negociada para o conflito, defendendo o diálogo entre as partes e o respeito à soberania venezuelana.

Apesar de elogios iniciais à atuação brasileira na Venezuela, a falta de um desfecho claro para a crise aumentou as críticas ao governo de Maduro. Lula vai buscar reforçar o papel do Brasil como mediador, mas também pedirá maior envolvimento internacional para resolver a questão.

Contexto internacional e o papel do Brasil

Lula vem utilizando sua posição como líder de um dos maiores países emergentes para pressionar por mudanças nas estruturas de governança global. Em suas falas recentes, ele tem destacado que os problemas enfrentados por países como o Brasil, especialmente no que se refere à crise climática, têm suas raízes em decisões tomadas por nações ricas, e que uma resposta global coordenada é essencial.

A participação do Brasil nos debates globais sobre meio ambiente sempre foi significativa, mas o país está particularmente vulnerável às mudanças climáticas. A Amazônia, que é um dos maiores ecossistemas do mundo e um importante regulador climático global, está sob ameaça constante devido ao desmatamento e às queimadas. A proteção da floresta será um dos temas que Lula deve abordar, lembrando que o Brasil precisa de apoio internacional, tanto financeiro quanto técnico, para preservar essa área vital.

Mudança de tom e expectativas para o discurso

O tom do discurso de Lula na Assembleia Geral será mais enfático do que o utilizado na Cúpula do Futuro, que ocorreu no início desta semana. O presidente não teve tempo suficiente para abordar todos os temas na ocasião, e acabou sendo interrompido após ultrapassar o limite de cinco minutos estabelecido para a fala. Com um tempo maior na Assembleia, ele deverá expandir suas críticas à comunidade internacional, especialmente aos países que não têm cumprido suas metas climáticas.

Com todos os principais líderes mundiais presentes na Assembleia Geral, Lula deve aproveitar o momento para cobrar mais ambição nas metas de redução de emissões de carbono e um comprometimento mais forte com os acordos internacionais. Ele espera que essa abordagem mais incisiva traga resultados concretos, especialmente no que se refere ao financiamento de medidas climáticas nos países em desenvolvimento.

Um chamado à ação

Lula finaliza sua agenda na ONU com um recado claro: o tempo para agir está se esgotando. O agravamento das catástrofes climáticas, como queimadas e enchentes, são sinais de que o mundo precisa de respostas mais rápidas e eficazes. Para o presidente, as soluções dependem de uma reformulação das instituições globais e de um compromisso real por parte dos países desenvolvidos. A urgência é inegável, e o Brasil, como um dos países mais afetados, exige um papel central nesse debate.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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