A chegada de mais uma marca chinesa ao mercado brasileiro está confirmada. A Leapmotor, apoiada pela gigante Stellantis, prepara sua estreia no país para o segundo semestre de 2025, trazendo dois SUVs elétricos que prometem agitar o segmento de utilitários médios. Além do já anunciado C10, a montadora apresentou o B10, um modelo com dimensões próximas ao Jeep Compass e tecnologias avançadas, posicionado para competir diretamente com rivais como o BYD Yuan Plus e o futuro Geely EX5. A confirmação veio durante uma visita à sede da empresa em Hangzhou, na China, onde jornalistas tiveram contato com os veículos em um circuito estático.
O B10, revelado globalmente no Salão de Paris em 2024, é um SUV médio projetado para mercados internacionais. Com 4,52 metros de comprimento, ele supera concorrentes como o Toyota Corolla Cross e o próprio Compass em cerca de 10 centímetros, oferecendo um entre-eixos de 2,74 metros, ideal para espaço interno generoso. A Leapmotor planeja iniciar as vendas simultâneas de ambos os modelos em 34 concessionárias no Brasil, aproveitando a estrutura de marcas da Stellantis, como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën, para ganhar tração no mercado.
A estratégia da Stellantis reflete uma mudança significativa no posicionamento da empresa no segmento de elétricos no Brasil. Após experiências menos bem-sucedidas com modelos como o Peugeot e-208 e o Fiat 500e, a gigante automotiva agora investe em uma marca chinesa para enfrentar a concorrência asiática, que domina o setor de veículos eletrificados. O B10, com sua combinação de porte, tecnologia e preço competitivo, surge como uma peça-chave nesse plano.
- Principais características do B10:
- Comprimento de 4,52 metros e entre-eixos de 2,74 metros.
- Motor elétrico traseiro com 218 cv e 24,5 kgfm de torque.
- Baterias de 56,2 kWh (380 km de autonomia) ou 67,1 kWh (460 km).
- Tecnologias como central multimídia de 14,6 polegadas e frenagem autônoma.
Um SUV médio com DNA global
Projetado para atender mercados exigentes, o Leapmotor B10 combina design moderno com um pacote robusto de tecnologias. Seu porte avantajado, com 4,52 metros de comprimento, 1,90 metro de largura e 1,66 metro de altura, garante presença imponente nas ruas. O entre-eixos de 2,74 metros é um dos destaques, prometendo espaço interno superior ao de rivais como o BYD Yuan Plus, que tem 2,72 metros, e o Jeep Compass, com 2,63 metros. No entanto, o porta-malas de 420 litros fica abaixo da média do segmento, superando apenas o Compass, que oferece 410 litros.
O design do B10 segue a linguagem visual contemporânea dos SUVs elétricos, com linhas fluidas, faróis em LED e rodas de 18 polegadas que conferem sofisticação. Internamente, o modelo aposta em um ambiente tecnológico, com destaque para o quadro de instrumentos digital de 8,8 polegadas e a central multimídia de 14,6 polegadas, que centraliza funções como navegação, comandos de voz e até um sistema de karaokê, recurso popular em mercados asiáticos. Bancos dianteiros com ajustes elétricos e acabamento em materiais de alta qualidade completam o pacote.
A motorização é outro ponto forte. O B10 é equipado com um motor elétrico traseiro que entrega 218 cavalos e 24,5 kgfm de torque, garantindo desempenho ágil para um SUV de seu porte. A tração traseira, incomum no segmento, pode atrair consumidores que buscam uma experiência de condução mais dinâmica. A autonomia varia conforme a bateria: a versão com 56,2 kWh alcança 380 km, enquanto a de 67,1 kWh chega a 460 km, ambos no padrão chinês CLTC, que tende a ser mais otimista que o europeu WLTP ou o brasileiro Inmetro.
Tecnologia e segurança no centro da proposta
O Leapmotor B10 se destaca por um arsenal tecnológico que o coloca entre os SUVs médios mais avançados de sua categoria. A central eletrônica do veículo é alimentada por 12 radares, um lidar e diversas câmeras, permitindo recursos de assistência à condução de nível avançado. Todas as versões incluem frenagem automática de emergência, alerta de saída de faixa com correção no volante, centralização de faixa e controlador de velocidade adaptativo, itens que elevam o padrão de segurança.
As configurações topo de linha vão além, incorporando alerta de ponto cego e assistente de estacionamento automático, funcionalidades que facilitam manobras em espaços apertados. O sistema de comandos de voz, integrado à central multimídia, permite controlar funções como climatização, navegação e entretenimento sem tirar as mãos do volante. A tela de 14,6 polegadas, com alta resolução, é um dos destaques do interior, oferecendo interface intuitiva e conectividade com smartphones.
- Recursos tecnológicos do B10:
- Central multimídia de 14,6 polegadas com comandos de voz.
- Quadro de instrumentos digital de 8,8 polegadas.
- Sistema de karaokê integrado.
- 12 radares, lidar e câmeras para assistência à condução.
- Frenagem automática, alerta de faixa e controle adaptativo.
Preços e posicionamento no Brasil
Embora os preços oficiais para o Brasil ainda não tenham sido divulgados, estimativas baseadas nos valores praticados na China oferecem uma pista do posicionamento do B10. No mercado chinês, o SUV é vendido por valores entre 110 mil e 140 mil yuans, equivalente a R$ 87,7 mil e R$ 113,6 mil na conversão direta. Para efeito de comparação, o BYD Yuan Plus custa entre 115 mil e 145 mil yuans, ou cerca de R$ 89,3 mil a R$ 115 mil. No Brasil, considerando os impostos de importação, que devem aumentar a partir de julho de 2025, o B10 pode chegar com preços na faixa de R$ 250 mil, alinhado aos concorrentes diretos.
A estratégia da Leapmotor no Brasil inclui aproveitar a rede de concessionárias da Stellantis, que conta com ampla capilaridade. Algumas lojas serão exclusivas da marca chinesa, enquanto outras compartilharão espaço com Fiat, Jeep, Peugeot ou Citroën, otimizando custos e facilitando a expansão. A meta é atingir consumidores que buscam SUVs médios elétricos com bom custo-benefício, um segmento que tem crescido no país com a entrada de marcas como BYD e GWM.
O aumento do imposto de importação para veículos eletrificados, que passará a incidir de forma gradual a partir de julho de 2025, pode impactar o preço final do B10. Mesmo assim, a Leapmotor aposta na combinação de tecnologia, desempenho e design para atrair compradores. A marca também planeja destacar a qualidade de construção, um ponto em que os SUVs chineses têm evoluído significativamente nos últimos anos.
A estratégia da Stellantis com a Leapmotor
A chegada da Leapmotor ao Brasil marca um momento de inflexão para a Stellantis no mercado de veículos elétricos. Após tentativas tímidas com modelos como o Peugeot e-208 e o Fiat 500e, que enfrentaram barreiras como preço elevado e autonomia limitada, a empresa agora adota uma abordagem mais agressiva. Em vez de apenas importar modelos ou adaptar plataformas existentes, a Stellantis decidiu trazer uma marca chinesa completa, com produtos desenvolvidos para competir em preço e tecnologia com gigantes como BYD e GWM.
A parceria com a Leapmotor não é exclusividade do Brasil. A Stellantis, que detém 20% da montadora chinesa, planeja usar a expertise da marca em eletrificação para fortalecer sua presença em mercados globais. No Brasil, a estratégia inclui a oferta de dois modelos distintos: o B10, voltado para o segmento de SUVs médios, e o C10, que terá versões elétrica pura e elétrica de alcance estendido (EREV). Essa tecnologia, que utiliza um motor a combustão como gerador para as baterias, oferece autonomia de até 1.000 km no ciclo chinês, mas com a desvantagem de maior complexidade na manutenção.
A escolha por manter a identidade da Leapmotor, em vez de rebatizar os modelos com marcas da Stellantis, reflete a confiança na proposta da fabricante chinesa. A rede de concessionárias híbrida, com lojas exclusivas e compartilhadas, também demonstra uma abordagem pragmática para ganhar mercado rapidamente. A Stellantis espera que a Leapmotor alcance uma fatia significativa do segmento de SUVs elétricos, que deve crescer com a maior aceitação de veículos eletrificados no Brasil.
Comparação com a concorrência
O mercado de SUVs médios elétricos no Brasil está cada vez mais competitivo, e o Leapmotor B10 chega em um momento de consolidação do segmento. O BYD Yuan Plus, um dos líderes da categoria, combina preço acessível, boa autonomia e rede de concessionárias estabelecida. Já o futuro Geely EX5, esperado para 2026, promete tecnologias avançadas e design premium. O B10, por sua vez, aposta no porte avantajado, no pacote tecnológico e no respaldo da Stellantis para se diferenciar.
Em termos de dimensões, o B10 leva vantagem sobre o Yuan Plus, que mede 4,45 metros de comprimento e tem entre-eixos de 2,72 metros. A autonomia de até 460 km na versão com bateria maior também é competitiva, embora o padrão CLTC seja menos rigoroso que os testes brasileiros. O Jeep Compass, embora não seja elétrico em sua versão convencional, é uma referência no segmento por sua robustez e apelo de marca, mas fica atrás em tecnologia embarcada.
- Como o B10 se compara aos rivais:
- BYD Yuan Plus: Menor (4,45 m), autonomia de até 430 km, preço a partir de R$ 229 mil.
- Geely EX5: Ainda sem dados confirmados, mas promete design premium e tecnologias avançadas.
- Jeep Compass: Não elétrico, mas com porte similar (4,41 m) e porta-malas de 410 litros.
Cronograma de chegada e expectativas
A Leapmotor planeja um lançamento simultâneo dos modelos B10 e C10 no Brasil no segundo semestre de 2025. A marca já confirmou a abertura de 34 concessionárias, com uma combinação de lojas exclusivas e compartilhadas com outras marcas da Stellantis. A produção inicial será totalmente importada da China, mas a Stellantis não descarta a possibilidade de fabricação local no futuro, dependendo da aceitação dos modelos e das condições de mercado.
O Salão do Automóvel de São Paulo, que retorna em 2025 após anos de ausência, pode ser uma vitrine importante para a Leapmotor. A marca está entre as 16 confirmadas para o evento, que promete ser um marco para o setor automotivo brasileiro. A expectativa é que o B10 seja um dos destaques, com demonstrações de suas tecnologias e possibilidade de test-drives para o público.
- Cronograma da Leapmotor no Brasil:
- Segundo semestre de 2025: Lançamento do B10 e C10.
- 2025: Participação no Salão do Automóvel de São Paulo.
- 2026: Possível expansão da rede de concessionárias e avaliação de produção local.
O futuro dos SUVs elétricos no Brasil
O segmento de SUVs médios elétricos tem se tornado um dos mais dinâmicos no Brasil, impulsionado pela crescente demanda por veículos sustentáveis e pela redução gradual dos custos de produção. Marcas chinesas, como BYD, GWM e agora Leapmotor, lideram essa transformação, trazendo modelos com preços competitivos e tecnologias que rivalizam com marcas tradicionais. A entrada da Leapmotor, com o respaldo da Stellantis, reforça a tendência de consolidação das fabricantes asiáticas no país.
O B10, com seu porte avantajado e pacote tecnológico, tem potencial para atrair consumidores que buscam um SUV elétrico com bom equilíbrio entre desempenho, autonomia e preço. A autonomia de até 460 km, embora otimista no padrão chinês, é suficiente para uso urbano e viagens curtas, enquanto o conjunto de assistências à condução eleva o padrão de segurança. A Stellantis, por sua vez, ganha um trunfo para recuperar terreno no segmento de elétricos, onde tem ficado atrás de concorrentes.
A infraestrutura de recarga no Brasil, embora ainda limitada em comparação com mercados como China e Europa, tem evoluído. Dados recentes apontam que o país conta com mais de 3.000 pontos de recarga públicos, com crescimento anual de cerca de 40%. Esse cenário favorece a adoção de modelos como o B10, que dependem de uma rede confiável para atrair consumidores fora dos grandes centros urbanos.
Impacto no mercado brasileiro
A chegada da Leapmotor reforça a importância do Brasil como um mercado estratégico para marcas chinesas. Com a Stellantis como parceira, a fabricante tem uma vantagem competitiva em termos de logística, rede de concessionárias e reconhecimento de marca. O B10, com seu posicionamento intermediário entre o BYD Yuan Plus e SUVs premium, pode preencher uma lacuna no segmento, atraindo consumidores que desejam um veículo elétrico com mais espaço e tecnologia sem pagar o preço de modelos de luxo.
O aumento dos impostos de importação, que será implementado a partir de julho de 2025, é um desafio para a Leapmotor e outras marcas que dependem de veículos importados. A alíquota, que deve subir gradualmente, pode encarecer o B10 em relação a modelos produzidos localmente, como o BYD Yuan Plus, que já tem fábrica em Camaçari, na Bahia. Ainda assim, a Leapmotor aposta na percepção de valor, com um pacote de equipamentos que justifique o investimento.
A concorrência no segmento de SUVs médios elétricos também deve se intensificar com a chegada de outros modelos, como o Geely EX5 e possíveis novidades de marcas como Toyota e Volkswagen, que planejam expandir suas linhas eletrificadas no Brasil. O B10, com sua proposta equilibrada, tem a chance de se estabelecer como uma opção sólida, especialmente para consumidores que valorizam tecnologia e espaço interno.
- Fatores que podem influenciar o sucesso do B10:
- Preço competitivo na faixa de R$ 250 mil.
- Rede de concessionárias ampla e bem distribuída.
- Infraestrutura de recarga em expansão no Brasil.
- Pacote tecnológico superior à média do segmento.
A aposta da Leapmotor em inovação
A Leapmotor, fundada em 2015, tem se destacado no mercado chinês por sua abordagem inovadora na produção de veículos elétricos. A empresa investe fortemente em pesquisa e desenvolvimento, com foco em tecnologias como baterias de alta densidade, sistemas de condução autônoma e integração digital. O B10 é um exemplo dessa filosofia, combinando hardware avançado, como o sistema de radares e lidar, com software que permite atualizações remotas e personalização da experiência do usuário.
No Brasil, a marca enfrenta o desafio de construir uma reputação em um mercado onde marcas chinesas ainda lutam contra preconceitos relacionados à qualidade. A parceria com a Stellantis, uma das maiores fabricantes automotivas do mundo, é um diferencial que pode acelerar a aceitação da Leapmotor. A experiência da Stellantis na adaptação de produtos às preferências locais também pode ajudar a ajustar o B10 às demandas dos consumidores brasileiros, como maior robustez para enfrentar estradas irregulares.
O segmento de SUVs médios, que representa cerca de 20% das vendas de utilitários no Brasil, é um terreno fértil para a Leapmotor. A eletrificação, embora ainda incipiente, tem ganhado tração, com as vendas de veículos elétricos e híbridos crescendo 65% em 2024, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico. O B10, com seu preço estimado e pacote de equipamentos, está bem posicionado para capturar uma fatia desse mercado em expansão.
Perspectivas para a eletrificação no Brasil
A entrada da Leapmotor no Brasil ocorre em um momento de transição para o setor automotivo. O governo brasileiro tem implementado políticas para incentivar a mobilidade elétrica, como isenções fiscais para a produção local e investimentos em infraestrutura de recarga. No entanto, o aumento dos impostos de importação para veículos eletrificados, previsto para 2025, pode limitar o crescimento de marcas que dependem de importações, como a Leapmotor.
A Stellantis, com sua experiência em manufatura local, pode mitigar esse impacto ao considerar a produção do B10 ou do C10 no Brasil no futuro. A fábrica da empresa em Goiana, Pernambuco, já produz modelos como o Jeep Compass e o Fiat Toro, e poderia ser adaptada para veículos elétricos. Essa possibilidade, embora não confirmada, seria um passo estratégico para reduzir custos e aumentar a competitividade da Leapmotor.
O consumidor brasileiro, por sua vez, tem mostrado maior interesse em SUVs elétricos, especialmente na faixa de R$ 200 mil a R$ 300 mil, onde o B10 deve se posicionar. A combinação de autonomia, tecnologia e espaço interno é um atrativo para famílias e motoristas que buscam uma alternativa aos SUVs a combustão. A Leapmotor, com o respaldo da Stellantis, tem a oportunidade de se tornar uma referência no segmento, desde que consiga entregar uma experiência consistente em pós-venda e manutenção.
