Nova lei em tramitação cassa habilitação de quem abandonar pets em vias públicas

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Abandono de animal Foto: Abandono de animal - Foto: fotorince/Shutterstock.com

A prática de abandonar animais em vias públicas, muitas vezes facilitada pelo uso de veículos, tem gerado indignação e mobilizado esforços legislativos no Brasil. Um projeto de lei aprovado recentemente por uma comissão da Câmara dos Deputados busca endurecer as punições para esse tipo de crueldade, classificando o ato como infração gravíssima no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Com a possibilidade de suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por até 18 meses, além de multas e pontos na carteira, a proposta reflete uma crescente preocupação com a proteção animal no país. O texto, que ainda precisa passar por outras etapas antes de se tornar lei, tem o apoio de parlamentares e ativistas da causa animal, que veem na medida uma forma de coibir a reincidência e promover maior conscientização.

O Projeto de Lei 25/24, aprovado pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara em 24 de abril de 2025, estabelece que utilizar qualquer tipo de veículo para abandonar animais em vias públicas será considerado uma infração gravíssima. Isso inclui não apenas o motorista que comete o ato, mas também qualquer pessoa que auxilie ou facilite o abandono. A punição prevista é severa: sete pontos na CNH, multa de R$ 293,47 e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Quando o abandono envolve cães ou gatos, a suspensão é ampliada para 18 meses, reconhecendo a vulnerabilidade desses animais, que frequentemente são abandonados em áreas urbanas e rurais.

A proposta é vista como um marco na luta contra o abandono de animais, especialmente porque combina sanções administrativas no trânsito com penalidades já existentes na legislação ambiental. A Lei 9.605/98, por exemplo, já considera o abandono uma forma de maus-tratos, com penas de detenção de três meses a um ano, que podem chegar a cinco anos no caso de cães e gatos. A integração dessas medidas ao CTB amplia o alcance da repressão a esse tipo de comportamento, dificultando a impunidade.

Contexto do projeto de lei

O abandono de animais é um problema persistente no Brasil, com números alarmantes. Estima-se que milhões de cães e gatos vivam nas ruas, muitos deles abandonados por seus antigos tutores. Rodovias e áreas remotas são frequentemente escolhidas para esses atos, já que o uso de veículos permite que os responsáveis se afastem rapidamente, evitando testemunhas. O Projeto de Lei 25/24, elaborado pelo deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), busca atacar essa prática ao limitar o acesso dos infratores ao trânsito, um recurso essencial para a execução do abandono.

Outros três projetos tramitam em conjunto com o PL 25/24: os PLs 236/24, 951/24 e 257/24, apresentados pelos deputados Delegado Matheus Laiola (União-PR), Marcelo Queiroz (PP-RJ) e Delegado Bruno Lima (PP-SP). Esses parlamentares são conhecidos por seu engajamento na causa animal, tendo proposto diversas iniciativas para combater maus-tratos e promover o bem-estar de pets. A união dessas propostas em um texto substitutivo demonstra o consenso entre os deputados sobre a necessidade de medidas mais rigorosas.

  • Punições previstas no PL 25/24:
    • Infração gravíssima com sete pontos na CNH.
    • Multa de R$ 293,47.
    • Suspensão do direito de dirigir por 12 meses (18 meses para cães e gatos).
    • Aplicação também a quem auxiliar o abandono.

Impacto social do abandono de animais

O abandono de animais não é apenas uma questão de crueldade, mas também um problema de saúde pública e segurança. Animais abandonados nas ruas enfrentam fome, doenças e riscos de atropelamento, além de contribuírem para a superpopulação de animais errantes. Em muitas cidades brasileiras, a falta de políticas públicas eficazes para castração e adoção responsável agrava o cenário, deixando ONGs e protetores sobrecarregados.

A aprovação do PL 25/24 pela Comissão de Viação e Transportes foi celebrada por organizações de proteção animal, que enxergam na proposta uma oportunidade de mudar comportamentos. Campanhas educativas, aliadas a punições mais duras, podem dissuadir potenciais infratores e incentivar a posse responsável. Parlamentares como Delegado Matheus Laiola reforçam que a medida envia uma mensagem clara: abandonar animais é um crime que não será tolerado.

Além disso, o projeto dialoga com legislações internacionais. Na Itália, por exemplo, propostas semelhantes já tramitam, prevendo a suspensão de licenças de condução para quem abandona animais. Essa referência global fortalece o argumento de que medidas no trânsito podem ser eficazes para combater a crueldade animal, especialmente quando combinadas com outras sanções legais.

Tramitação e próximos passos

O caminho para que o PL 25/24 se torne lei ainda é longo. Após a aprovação na Comissão de Viação e Transportes, o texto segue para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), onde será avaliado quanto à sua constitucionalidade e mérito. Em seguida, a proposta será discutida no Plenário da Câmara dos Deputados. Se aprovada, ainda precisará do aval do Senado Federal e da sanção presidencial para entrar em vigor.

A tramitação em caráter conclusivo, inicialmente prevista, foi alterada, exigindo votação no Plenário, o que pode atrasar o processo, mas também garante maior debate. A expectativa é que a proposta ganhe apoio amplo, dado o apelo popular da causa animal. No entanto, ajustes no texto podem ocorrer, especialmente para esclarecer como a infração será fiscalizada e aplicada.

  • Etapas da tramitação do PL 25/24:
    • Aprovação na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (2024).
    • Aprovação na Comissão de Viação e Transportes (24 de abril de 2025).
    • Análise pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (em andamento).
    • Votação no Plenário da Câmara dos Deputados.
    • Aprovação pelo Senado Federal.
    • Sanção presidencial.

Consequências para os motoristas

A suspensão da CNH por até 18 meses é uma penalidade significativa, especialmente para motoristas que dependem do veículo para trabalhar. A medida, embora dura, é justificada pelos deputados como uma forma de punir e prevenir a reincidência. Ricardo Ayres, relator do projeto, argumenta que o uso do veículo facilita a prática do abandono, tornando a suspensão uma consequência lógica e proporcional.

Para os motoristas, a infração gravíssima também terá impacto financeiro e administrativo. Além da multa de R$ 293,47, os sete pontos na CNH podem se somar a outras infrações, aproximando o condutor do limite de 20, 30 ou 40 pontos, dependendo do histórico e da categoria da habilitação. A suspensão, por sua vez, exige a realização de curso de reciclagem e aprovação em prova para a recuperação da CNH, aumentando o custo e o tempo de penalidade.

A proposta também levanta questões sobre a fiscalização. Identificar o abandono de animais em vias públicas pode ser desafiador, especialmente em áreas sem câmeras de segurança ou testemunhas. Parlamentares sugerem que denúncias, imagens de câmeras de trânsito e ações de policiais rodoviários serão cruciais para a aplicação da lei.

Contexto legislativo e proteção animal

O PL 25/24 não é a única iniciativa recente voltada para a proteção animal no Brasil. Nos últimos anos, o Congresso Nacional aprovou leis que aumentaram as penas para maus-tratos e incentivaram a adoção responsável. A Lei 14.064/20, por exemplo, elevou a pena para até cinco anos de reclusão em casos de maus-tratos a cães e gatos, permitindo a prisão em flagrante.

Outros projetos em tramitação abordam questões complementares, como a obrigatoriedade de placas de conscientização em rodovias e multas mais altas para abandono em canis municipais. Em Juiz de Foras (MG), um projeto municipal aprovado em 2025 estabelece multas de R$ 1.500 por animal abandonado, com R$ 5.000 em caso de reincidência. Essas medidas locais reforçam a tendência de endurecimento das punições.

  • Leis e projetos relacionados à proteção animal:
    • Lei 9.605/98: Define maus-tratos como crime, com detenção de três meses a um ano.
    • Lei 14.064/20: Aumenta a pena para até cinco anos em casos de cães e gatos.
    • PL 2366/2024: Prevê pena de prisão e multa para abandono com veículos.
    • PL 58/2025 (Juiz de Foras): Multas de até R$ 5.000 por abandono.

Repercussão e apoio popular

A aprovação do PL 25/24 gerou ampla repercussão nas redes sociais e na mídia. Postagens de ativistas e parlamentares, como Delegado Matheus Laiola e Delegado Bruno Lima, destacam a importância da medida para a causa animal. Em plataformas como o X, a iniciativa foi elogiada por usuários que compartilham histórias de abandono e defendem punições mais severas.

Organizações como a Ampara Animal e a Sociedade Protetora dos Animais manifestaram apoio ao projeto, destacando que a suspensão da CNH pode funcionar como um dissuasor eficaz. No entanto, algumas vozes críticas questionam a viabilidade da fiscalização e sugerem que a lei deveria ser acompanhada de campanhas educativas mais robustas.

A sociedade brasileira, de forma geral, tem mostrado maior sensibilidade à causa animal. Pesquisas recentes indicam que cerca de 30% dos lares brasileiros possuem pelo menos um pet, e a demanda por políticas de proteção animal tem crescido. Esse contexto favorece a tramitação do PL 25/24, que pode se beneficiar do apoio popular para avançar rapidamente.

Desafios para a implementação

Embora o PL 25/24 seja promissor, sua implementação enfrentará desafios práticos. A fiscalização do abandono de animais exige coordenação entre órgãos de trânsito, polícias rodoviárias e autoridades municipais. Em muitas regiões, a falta de infraestrutura, como câmeras de monitoramento, pode dificultar a identificação dos infratores. Além disso, a aplicação da lei dependerá de denúncias e da atuação de agentes públicos, o que pode ser inconsistente em áreas rurais ou menos povoadas.

Outro ponto de atenção é a sobrecarga do sistema de trânsito. A suspensão de CNHs em larga escala, caso a lei seja amplamente aplicada, pode gerar acúmulo de processos administrativos nos departamentos de trânsito. Para evitar isso, será necessário investir em treinamento de agentes e na integração de sistemas de denúncia.

Por fim, especialistas defendem que a repressão deve andar lado a lado com a prevenção. Programas de castração gratuita, feiras de adoção e incentivos fiscais para ONGs de proteção animal são medidas que podem reduzir o abandono a longo prazo, complementando as punições previstas no PL 25/24.

Perspectivas para 2025 e além

O ano de 2025 tem sido marcado por avanços significativos na legislação de proteção animal, e o PL 25/24 é parte desse movimento. Com a possibilidade de entrar em vigor ainda neste ano, dependendo da agilidade na tramitação, a proposta pode transformar o combate ao abandono de animais no Brasil. A combinação de sanções no trânsito com penas criminais cria um arcabouço legal mais robusto, capaz de desencorajar práticas cruéis.

A expectativa dos parlamentares é que a lei, se aprovada, inspire outras iniciativas regionais e nacionais. Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que já possuem políticas avançadas de bem-estar animal, podem adotar medidas complementares, como multas municipais e programas de conscientização. Além disso, a visibilidade do tema pode atrair mais recursos para ONGs e abrigos, que enfrentam dificuldades financeiras para cuidar de animais resgatados.

  • Benefícios esperados com a aprovação do PL 25/24:
    • Redução dos casos de abandono em vias públicas.
    • Maior conscientização sobre posse responsável.
    • Fortalecimento da legislação de proteção animal.
    • Incentivo a políticas públicas de castração e adoção.

Papel da sociedade na proteção animal

A luta contra o abandono de animais não depende apenas de leis, mas também do engajamento da sociedade. Adotar pets de abrigos, denunciar casos de maus-tratos e apoiar iniciativas de castração são atitudes que fazem a diferença. O PL 25/24, ao trazer o tema para o centro do debate, reforça a importância de cada cidadão assumir sua responsabilidade na construção de um país mais justo para os animais.

Organizações de proteção animal têm intensificado campanhas para educar a população sobre os impactos do abandono. Histórias de animais resgatados, muitas vezes em condições de extrema vulnerabilidade, sensibilizam o público e incentivam a adoção responsável. A participação de celebridades e influenciadores nessas campanhas também tem ajudado a ampliar o alcance da mensagem.

Enquanto o PL 25/24 avança no Congresso, a pressão popular será fundamental para garantir sua aprovação. A causa animal, que já mobiliza milhões de brasileiros, ganha com essa proposta uma nova ferramenta para transformar a realidade de cães, gatos e outros animais abandonados.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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