Papa Leão XIV assume Vaticano com mensagem de paz e continuidade

    Categories: Internacional
Robert Francis

Robert Francis - Foto: @UniCatolicos_es/X

A eleição de Robert Francis Prevost como papa Leão XIV, anunciada em 8 de maio de 2025, representa um marco histórico para a Igreja Católica. Pela primeira vez, um norte-americano assume o comando do Vaticano, trazendo um perfil progressista e conciliador. A fumaça branca, que saiu da chaminé da Capela Sistina, confirmou a escolha após dois dias de conclave. Prevost, de 69 anos, apareceu na sacada da Basílica de São Pedro, onde pronunciou suas primeiras palavras: “A paz esteja com todos vocês”.

O novo pontífice, que escolheu o nome Leão XIV, sucede o papa Francisco, falecido 17 dias antes, em 22 de abril de 2025, vítima de um AVC e insuficiência cardíaca. A multidão na Praça de São Pedro, estimada em 45 mil pessoas, aguardava ansiosamente o anúncio. Prevost, criado cardeal em 2023 por Francisco, já sinalizou a intenção de manter a agenda reformista de seu antecessor, com ênfase em uma Igreja mais próxima dos fiéis.

A escolha de Prevost reflete a busca por continuidade em um momento de desafios para a Igreja. Entre as prioridades do novo papa, estão a promoção da sinodalidade e a atenção às populações mais vulneráveis. A seguir, alguns pontos destacados no processo de eleição:

  • Conclave durou dois dias, com 133 cardeais votantes.
  • Fumaça preta foi registrada em duas ocasiões antes da eleição.
  • Anúncio do “habemus papam” ocorreu uma hora após a fumaça branca.

O novo papa, nascido em Chicago, também carrega uma trajetória singular, com forte atuação no Peru, onde construiu grande parte de sua carreira eclesiástica. Sua eleição reacende debates sobre o futuro da Igreja em um cenário de perda gradual de fiéis.

Primeiro discurso reforça mensagem de paz

O discurso inaugural de Leão XIV, proferido na sacada da Basílica de São Pedro, foi marcado por uma saudação inspirada no Cristo ressuscitado. “A paz esteja com todos vocês”, declarou, buscando transmitir esperança e unidade. Ele agradeceu ao papa Francisco, mencionando a influência do antecessor em sua formação como cardeal. O tom conciliador do discurso sugere que o novo pontífice pretende manter a abordagem sinodal, que promove maior participação dos fiéis nas decisões da Igreja.

Prevost surpreendeu ao incluir uma mensagem em espanhol, agradecendo à Diocese do Peru, onde atuou por décadas. A escolha do idioma reflete sua conexão com a América Latina, região que representa cerca de 40% dos 1,3 bilhão de católicos no mundo. O discurso também destacou a caridade como um pilar de seu pontificado, com ênfase em estar “próximo daqueles que sofrem”.

O pronunciamento durou cerca de dez minutos e foi recebido com aplausos pela multidão na Praça de São Pedro. A presença de fiéis, turistas e jornalistas reforçou o interesse global na eleição, mesmo em um contexto de declínio no número de católicos praticantes.

Trajetória de Prevost no Peru

Robert Prevost nasceu em Chicago, em 1955, mas sua carreira eclesiástica ganhou destaque no Peru, onde ingressou na Ordem dos Agostinianos. Durante décadas, ele serviu em comunidades locais, promovendo projetos sociais e pastorais. Sua atuação no país sul-americano foi marcada por iniciativas voltadas para populações marginalizadas, o que o aproximou da visão progressista do papa Francisco.

No Peru, Prevost também ocupou cargos de liderança na Igreja, incluindo o de bispo de Chiclayo, nomeado em 2014. Sua experiência na América Latina o tornou uma figura respeitada entre os cardeais, especialmente aqueles que defendem uma Igreja mais engajada socialmente.

A escolha de um papa com forte ligação com a América Latina pode fortalecer a influência da região no Vaticano. Dados recentes apontam que o continente abriga cerca de 540 milhões de católicos, embora enfrente desafios como a ascensão de igrejas evangélicas.

  • Principais momentos da carreira de Prevost no Peru:
    • Ingresso na Ordem dos Agostinianos em 1980.
    • Nomeação como bispo de Chiclayo em 2014.
    • Atuação em projetos sociais voltados para comunidades carentes.

Conclave reflete dinamismo da eleição

O conclave de 2025, iniciado em 7 de maio, foi marcado por um ritmo mais acelerado do que o esperado. Com 133 cardeais votantes, o processo envolveu um número maior de participantes em comparação com os 117 do conclave de 2013. A eleição de Leão XIV no segundo dia, após quatro rodadas de votação, seguiu a tendência dos conclaves de 2005 e 2013, que também escolheram pontífices rapidamente.

A fumaça preta, observada na manhã de 8 de maio e na noite anterior, indicava que as primeiras rodadas não alcançaram os dois terços necessários para a eleição. A demora na primeira votação, que durou cerca de três horas, pode ser atribuída a uma pregação inicial ou à inexperiência de muitos cardeais, que participavam de seu primeiro conclave.

O anúncio do “habemus papam”, feito pelo cardeal Dominique Mamberti, ocorreu às 13h, horário local, e foi seguido pela apresentação de Prevost na sacada. A multidão na Praça de São Pedro, que acompanhava o processo com expectativa, celebrou o momento com aplausos e cânticos.

Perfil progressista de Leão XIV

Leão XIV é descrito como um líder moderado e discreto, características que o colocaram como um dos favoritos no conclave. Sua proximidade com o papa Francisco, que o nomeou cardeal em 2023, reforça a expectativa de que ele seguirá uma linha reformista. Entre as prioridades de Francisco estavam a inclusão de minorias, o diálogo inter-religioso e a descentralização das decisões no Vaticano, pautas que Prevost já defendeu em seus discursos.

Rober Francis – Foto: Reprodução/Vatican

O novo papa também é conhecido por sua habilidade de mediação, o que pode ser crucial em um momento de divisões internas na Igreja. Questões como o papel das mulheres, o celibato sacerdotal e a abordagem às mudanças climáticas devem continuar no centro das discussões durante seu pontificado.

  • Reformas esperadas no pontificado de Leão XIV:
    • Continuidade da sinodalidade e maior participação dos leigos.
    • Foco em questões sociais, como pobreza e desigualdade.
    • Diálogo com outras religiões para promover a paz global.
    • Atenção às mudanças climáticas, seguindo a encíclica Laudato Si’ de Francisco.

Tradição da fumaça mantém simbolismo

A fumaça branca, que anunciou a eleição de Leão XIV, é uma das tradições mais emblemáticas do conclave. Originada no início do século XX, a prática utiliza produtos químicos para garantir a visibilidade da fumaça, que sai da chaminé da Capela Sistina. A fumaça preta, por sua vez, indica que nenhuma decisão foi tomada, mantendo o suspense entre os fiéis.

Em 2025, a chaminé voltou a atrair a atenção de milhares de pessoas na Praça de São Pedro, que apontavam celulares para registrar o momento. A tradição, embora antiga, continua a simbolizar a conexão entre o Vaticano e os fiéis, reforçando a relevância da Igreja em um mundo cada vez mais digital.

O processo de votação, que ocorre em segredo, é protegido por medidas rigorosas, como a proibição de dispositivos eletrônicos dentro da Capela Sistina. A expressão “extra omnes”, que marca o fechamento das portas, sinaliza o início do isolamento dos cardeais.

Multidão na Praça de São Pedro

A Praça de São Pedro foi palco de momentos de grande emoção durante o conclave. Cerca de 45 mil pessoas, entre fiéis, turistas e jornalistas, acompanharam as votações, especialmente nos horários previstos para a liberação da fumaça. O silêncio predominava em muitos momentos, interrompido por aplausos espontâneos e cânticos religiosos.

A presença de uma multidão tão expressiva reflete o impacto global da Igreja Católica, mesmo em um contexto de secularização. Dados do Vaticano indicam que o número de católicos praticantes caiu cerca de 10% nas últimas duas décadas, mas eventos como a eleição de um papa ainda mobilizam milhões de pessoas.

A segurança na praça foi reforçada, com barreiras e policiamento para garantir a tranquilidade do público. Muitos fiéis permaneceram por horas, enfrentando variações climáticas, para testemunhar o anúncio do novo pontífice.

Ordem agostiniana e sua influência

Leão XIV é o primeiro papa agostiniano em décadas, pertencente à Ordem de Santo Agostinho, conhecida por seu foco na vida comunitária e na espiritualidade. A ordem, fundada no século XIII, tem uma longa tradição de engajamento social e intelectual, influenciando a formação do novo pontífice.

No Peru, Prevost aplicou os princípios agostinianos em projetos voltados para a educação e o apoio a comunidades carentes. Sua escolha como papa pode trazer maior visibilidade à ordem, que conta com cerca de 2.800 membros em todo o mundo.

  • Características da Ordem dos Agostinianos:
    • Ênfase na vida comunitária e na caridade.
    • Tradição de estudos teológicos e filosóficos.
    • Presença em mais de 50 países, com foco em missões sociais.

Desafios demográficos da Igreja

A Igreja Católica enfrenta uma redução gradual no número de fiéis, especialmente em regiões como Europa e América do Norte. Estimativas apontam que os 1,3 bilhão de católicos representam cerca de 17% da população global, mas a prática religiosa tem diminuído. Na Europa, por exemplo, apenas 20% dos católicos frequentam missas regularmente.

Na América Latina, a ascensão de igrejas evangélicas tem impactado a influência católica, especialmente entre jovens. No Peru, onde Prevost atuou, cerca de 15% da população aderiu ao protestantismo nos últimos 20 anos. A escolha de um papa com experiência na região pode ser uma estratégia para reverter essa tendência.

O pontificado de Leão XIV também deverá abordar a renovação do clero, diante do envelhecimento de sacerdotes e da queda no número de vocações. Dados mostram que a média de idade dos padres na América Latina é de 60 anos.

Eleição mantém ritmo histórico

A duração do conclave de 2025, com dois dias de votação, alinha-se à média dos últimos cem anos. Desde o início do século XX, apenas dois conclaves ultrapassaram quatro dias, refletindo a eficiência do processo. A participação de 133 cardeais, um número elevado, não impediu a rapidez da decisão, o que sugere um consenso em torno de Prevost.

A missa Pro Eligendo Romano Pontifice, celebrada antes do conclave, reuniu cardeais e fiéis na Basílica de São Pedro, reforçando a solenidade do momento. A pregação inicial, que pode ter atrasado a primeira votação, abordou temas como unidade e missão da Igreja.

O processo de votação, que ocorre em até quatro rodadas diárias, exige que o candidato alcance dois terços dos votos. A eleição de Leão XIV na quarta rodada demonstra a força de sua candidatura desde o início.

Nome Leão XIV resgata tradição

A escolha do nome Leão XIV remete a uma linhagem de 13 papas, o último dos quais, Leão XIII, governou entre 1878 e 1903. Conhecido por sua encíclica Rerum Novarum, que abordava questões sociais, Leão XIII deixou um legado de engajamento com os desafios de sua época. A decisão de Prevost por esse nome sugere uma intenção de dialogar com questões contemporâneas, como desigualdade e justiça social.

Nomes papais são escolhidos com base em inspirações pessoais ou históricas, e a opção por Leão XIV pode refletir a admiração de Prevost por líderes que combinaram espiritualidade e ação social. A tradição de mudar o nome após a eleição simboliza a nova missão do pontífice.

  • Papas Leão na história:
    • Leão I (440-461): Conhecido por sua diplomacia com invasores bárbaros.
    • Leão III (795-816): Coroou Carlos Magno como imperador.
    • Leão XIII (1878-1903): Autor da encíclica Rerum Novarum.

Interesse global na eleição papal

A eleição de Leão XIV atraiu a atenção de milhões de pessoas em todo o mundo, com transmissões ao vivo em canais de televisão e plataformas digitais. Na Praça de São Pedro, a presença de jornalistas de mais de 50 países destacou a relevância do evento. Redes sociais, como o X, registraram picos de menções ao conclave, com hashtags relacionadas ao “habemus papam” alcançando milhões de usuários.

O Vaticano também modernizou a comunicação, divulgando atualizações em tempo real por meio de seu site oficial e perfis nas redes sociais. A fumaça branca, anunciada às 12h de 8 de maio, gerou uma onda de mensagens celebratórias em plataformas digitais.

A cobertura midiática reforçou a imagem da Igreja como uma instituição capaz de mobilizar multidões, mesmo em um contexto de desafios demográficos e culturais. A escolha de um papa norte-americano ampliou o interesse nos Estados Unidos, onde o catolicismo representa cerca de 20% da população.

Veja Também