O Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou nesta segunda-feira (8) uma lista atualizada com empresas chinesas que, segundo Washington, auxiliam as Forças Armadas de Pequim. A medida provocou protesto imediato da China, que acusou os EUA de reprimir companhias do país de forma injustificada.
Entre as principais companhias citadas estão a gigante do e-commerce Alibaba, o mecanismo de busca Baidu e a fabricante de veículos elétricos BYD. A relação faz parte da chamada lista 1260H, que identifica entidades ligadas à estratégia de fusão militar-civil da China.
Empresas negam acusações e ameaçam reação
A Alibaba classificou a inclusão como um “erro” e afirmou que não é uma empresa militar nem participa de qualquer estratégia de fusão militar-civil. A companhia ameaçou tomar medidas legais para contestar a decisão.
A Baidu rejeitou as acusações, chamando-as de “completamente infundadas”, e disse que usará todos os recursos disponíveis para ser retirada da lista. A BYD ainda não se manifestou publicamente sobre o caso.
Alerta a empresas americanas
O deputado republicano John Moolenaar, presidente do Comitê Especial da Câmara sobre a China, classificou a lista como um alerta para empresas, governos e cidadãos dos EUA. Ele recomendou que companhias americanas parem de fazer negócios com as entidades listadas para evitar facilitar o avanço militar chinês.
A atualização ocorre poucos semanas após o presidente Donald Trump se reunir com o líder chinês Xi Jinping em Pequim, em um momento em que ambos os lados buscavam estabilidade nas relações bilaterais. Trump convidou Xi para uma visita a Washington em setembro.
Contexto de lista anterior e impacto
A nova versão é semelhante a uma lista publicada brevemente em fevereiro e depois retirada sem explicações. Agora, a relação inclui cerca de 188 empresas no total, incorporando novamente fabricantes de chips de memória como ChangXin Memory Technologies e Yangtze Memory Technologies, além de outros nomes do setor de inteligência artificial, como Tencent.
Embora a designação não imponha sanções automáticas imediatas, ela restringe contratações diretas do Pentágono com essas empresas e serve como sinalização para fornecedores e investidores americanos. A lista reforça a preocupação de Washington com a integração entre setor civil e militar na China.
Reação de Pequim
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, criticou a medida como uma “generalização imprudente” do conceito de segurança nacional. Ele exigiu que Washington corrija suas práticas e pare de reprimir empresas chinesas.
A inclusão de marcas globais como Alibaba e BYD pode aumentar as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo, mesmo em meio a esforços de diálogo.

