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Mix Vale

A mobilização nacional no Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio de 2025, alerta sobre os perigos dos cigarros eletrônicos, com foco nos jovens. No Rio de Janeiro, a campanha VapeOFF, liderada pela Fundação do Câncer, promove ações interativas na Praia de Ipanema para desmascarar a indústria do tabaco, conforme o tema da Organização Mundial da Saúde (OMS) deste ano. Com o slogan “Bonito por fora, tóxico por dentro”, a iniciativa destaca riscos como dependência de nicotina, doenças respiratórias e câncer. Mais de 50 organizações apoiam a causa, que inclui ações presenciais e nas redes sociais. O movimento reforça a proibição de vapes no Brasil e busca conscientizar sobre os malefícios disfarçados por embalagens atrativas.

A campanha ocorre em um momento crítico, com dados mostrando que 70% dos usuários de vape no Brasil têm entre 15 e 24 anos. A ação no Posto 10 de Ipanema, chamada “Roleta que dá a real”, usa brindes e cards informativos para engajar o público jovem. A mobilização também pressiona por maior fiscalização da proibição de cigarros eletrônicos, em vigor desde 2009.

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  • Principais objetivos da campanha:
    • Informar sobre os riscos dos vapes.
    • Combater a influência da indústria do tabaco.
    • Proteger adolescentes de produtos viciantes.

Ação interativa na praia

A campanha “Roleta que dá a real” transforma a Praia de Ipanema em um ponto de conscientização. Promotoras abordam jovens com uma roleta que oferece brindes acompanhados de mensagens sobre os perigos dos vapes. Cada card entregue revela fatos como a presença de metais pesados e substâncias tóxicas nos cigarros eletrônicos. A ação, realizada no sábado, 31 de maio, visa atingir um público que frequenta o local, majoritariamente adolescentes e jovens adultos.

A escolha de Ipanema reflete a estratégia de usar espaços de grande circulação para maximizar o alcance. A linguagem descontraída da campanha foi planejada para dialogar com o público-alvo, sem abrir mão de informações científicas. A iniciativa também se estende a terminais de ônibus, BRTs e painéis de LED na Ecoponte, ampliando a visibilidade no Rio de Janeiro.

Proibição reforçada no Brasil

A comercialização, importação e propaganda de cigarros eletrônicos são proibidas no Brasil desde 2009, conforme regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em 2024, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 855 atualizou as normas, mantendo a proibição e incluindo restrições ao uso de vapes em locais fechados, públicos ou privados. A medida visa conter o avanço desses dispositivos, que têm crescido em popularidade apesar das restrições.

Denúncias de vendas ilegais podem ser feitas à Anvisa, mas a fiscalização enfrenta desafios. Estabelecimentos como tabacarias, bares e plataformas online continuam oferecendo vapes, muitas vezes contrabandeados. A campanha VapeOFF defende que a manutenção da proibição é essencial para proteger a saúde pública, especialmente dos mais jovens.

  • Infrações comuns relacionadas aos vapes:
    • Venda em lojas físicas e online.
    • Propaganda em redes sociais.
    • Uso em espaços coletivos fechados.

Dados alarmantes sobre o uso de vapes

O Levantamento Nacional sobre Álcool e Drogas (Lenad), divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em 2025, revela que 77% dos usuários de cigarros eletrônicos não conseguiram abandonar o cigarro convencional com o uso do vape. Esses dados contrariam o argumento da indústria do tabaco, que promove os vapes como alternativa para cessação do tabagismo.

Outro dado preocupante vem do Ministério da Saúde: 70% dos usuários de vape no Brasil estão na faixa etária de 15 a 24 anos. A atratividade dos dispositivos, com sabores como menta, frutas e doces, contribui para o aumento do consumo entre adolescentes. A nicotina presente nos vapes, altamente viciante, representa um risco significativo para essa faixa etária.

vaper cigarro eletronico fumante cigarro pulmao
sergey kolesnikov/shutterstock.com

Riscos à saúde associados aos vapes

Os cigarros eletrônicos contêm substâncias que vão além da nicotina. Estudos apontam a presença de metais pesados, como chumbo e cádmio, e compostos orgânicos voláteis que podem danificar o sistema respiratório. Doenças como bronquiolite obliterante, conhecida como “pulmão de pipoca”, têm sido associadas ao uso prolongado de vapes.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 32.560 novos casos anuais de câncer de traqueia, brônquio e pulmão no Brasil para o triênio 2023-2025. Embora o tabagismo convencional seja o principal fator, os vapes emergem como uma nova ameaça. A campanha VapeOFF destaca que os dispositivos não são inofensivos, contrariando a imagem de modernidade promovida pela indústria.

  • Substâncias encontradas nos vapes:
    • Nicotina (altamente viciante).
    • Metais pesados (chumbo, cádmio).
    • Compostos orgânicos voláteis.
    • Flavorizantes potencialmente tóxicos.

Estratégias da indústria do tabaco

A indústria do tabaco utiliza táticas sofisticadas para atrair jovens. Embalagens coloridas, sabores atrativos e campanhas nas redes sociais com influenciadores digitais são algumas das estratégias. Essas ações exploram a curiosidade de adolescentes, muitas vezes sem mencionar os riscos à saúde.

No Brasil, a proibição de propaganda de produtos derivados do tabaco limita essas práticas, mas a fiscalização é insuficiente. Marketplaces e redes sociais continuam sendo plataformas para a venda ilegal de vapes. A campanha VapeOFF busca expor essas táticas, mostrando como a indústria prioriza lucros em detrimento da saúde pública.

Mobilização nacional e apoio institucional

A campanha VapeOFF conta com o apoio de 56 organizações, incluindo a ACT Promoção da Saúde, a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) e a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama). Uma carta-manifesto, assinada por essas entidades, solicita que os Poderes Legislativo e Executivo mantenham a proibição de cigarros eletrônicos e intensifiquem a fiscalização.

A mobilização também ganhou força nas redes sociais, com conteúdos educativos compartilhados pelas instituições parceiras. A hashtag #VapeOFF tem sido usada para ampliar o alcance da campanha, incentivando jovens a refletirem sobre os riscos dos cigarros eletrônicos.

Comparação com outros países

Países como Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, onde a comercialização de vapes é permitida, registram taxas de uso muito superiores às do Brasil. Dados do Inca apontam que a proibição brasileira tem reduzido o consumo entre jovens, protegendo a saúde pública. A liberação dos vapes, segundo especialistas, poderia levar a um aumento exponencial no uso, especialmente entre adolescentes.

A dependência de nicotina estabelecida pelos vapes também facilita a transição para cigarros convencionais, que são mais baratos no Brasil. O preço acessível do cigarro tradicional, um dos mais baixos do mundo, agrava o risco de aumento do tabagismo caso os vapes sejam liberados.

  • Países com alta prevalência de uso de vapes:
    • Estados Unidos.
    • Austrália.
    • Reino Unido.

Custos sociais do tabagismo

Um estudo do Inca, lançado em 28 de maio de 2025, revela que para cada R$ 1 de lucro da indústria do tabaco, o governo federal gasta R$ 5 com doenças relacionadas ao fumo. Intitulado “A conta que a indústria do tabaco não conta”, o relatório destaca os custos econômicos e sociais do tabagismo, incluindo tratamentos de câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias.

Os recursos gastos pela indústria em marketing, como pagamento de influenciadores e ações judiciais, também foram criticados. Segundo o estudo, cada R$ 156 mil investidos em estratégias promocionais equivale a uma morte associada ao tabagismo. A campanha VapeOFF usa esses dados para reforçar a necessidade de combater a influência da indústria.

Ações futuras da campanha

A mobilização não se limita ao Dia Mundial sem Tabaco. A Fundação do Câncer planeja manter ações educativas ao longo de 2025, com foco em escolas e comunidades. Parcerias com secretarias de saúde e educação estão sendo negociadas para ampliar o alcance das mensagens contra o uso de vapes.

As redes sociais continuarão sendo um canal central para a campanha, com vídeos curtos e infográficos voltados para o público jovem. A iniciativa também busca engajar pais e educadores, fornecendo materiais informativos sobre como identificar e prevenir o uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes.

  • Próximas etapas da campanha:
    • Ações em escolas e comunidades.
    • Parcerias com secretarias de saúde e educação.
    • Conteúdos educativos nas redes sociais.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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