BYD Dolphin enfrenta desgaste rápido de pneus em teste de 100.000 km

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Byd Dolphin - Foto: Divulgação

Byd Dolphin - Foto: Divulgação

O BYD Dolphin, primeiro carro elétrico submetido ao teste de longa duração da revista Quatro Rodas, revelou um desafio inesperado ao atingir 13.740 km: o desgaste acelerado dos pneus dianteiros, que reduziram seus sulcos de 6,7 mm para 2,7 mm. Realizado em condições reais de uso urbano e rodoviário, o teste iniciado em 2023 no Brasil expôs a necessidade de manutenção preventiva para os proprietários do hatch elétrico mais vendido do país. Com torque instantâneo e peso elevado devido à bateria, o veículo exige cuidados específicos, como rodízio regular de pneus, para equilibrar o desgaste. O objetivo é garantir a durabilidade dos componentes e a segurança, especialmente em pavimentos variados das cidades brasileiras.

A descoberta, publicada em junho de 2025, destaca como o Dolphin, apesar de econômico em recargas, enfrenta peculiaridades na manutenção. O teste, que simula o uso cotidiano sem interferência da fabricante, reforça a importância de práticas como alinhamento e balanceamento.

  • Principais desafios encontrados:
    • Desgaste acentuado no eixo dianteiro.
    • Necessidade de rodízio a cada 10.000 ou 12.000 km.
    • Cuidados extras para proteger a bateria durante reparos.

Manutenção preventiva em foco
O teste da Quatro Rodas revelou que o rodízio de pneus, recomendado pelo manual do BYD Dolphin a cada 10.000 ou 12.000 km, é essencial para equilibrar o desgaste entre os eixos. Em 24.000 km, o veículo passou por alinhamento, balanceamento e rodízio, confirmando que os pneus traseiros mantiveram sulcos de 6 mm, enquanto os dianteiros atingiram 2,7 mm. A prática de rodízio nivelou o desgaste, com os pares dianteiro e traseiro alcançando 4 mm de sulco após ajustes, indicando que a troca de pneus será necessária aos 36.000 km.

Além disso, a equipe verificou que o torque instantâneo do motor elétrico, aliado ao peso da bateria instalada no assoalho, intensifica a pressão sobre os pneus dianteiros, especialmente em arrancadas e frenagens urbanas. Proprietários devem monitorar a pressão dos pneus a cada 15 dias, utilizando os sensores de monitoramento do veículo.

BYD – Foto: LewisTsePuiLung

Primeiro pneu furado
Durante o teste, o Dolphin enfrentou seu primeiro pneu furado, causado por um parafuso no pneu traseiro direito. O incidente ocorreu enquanto o repórter João Vitor Ferreira dirigia em São Paulo, ouvindo um ruído característico antes que o alerta de pressão aparecesse no painel. O reparo, feito com vulcanização em uma borracharia, custou R$ 60.

O procedimento exigiu atenção para não danificar a bateria, localizada sob o assoalho. O veículo foi erguido pela suspensão traseira, garantindo a segurança do sistema elétrico. O caso ilustra a importância de cuidados específicos em veículos elétricos durante serviços de rotina, algo que nem todas as oficinas estão preparadas para realizar.

Características do Dolphin e seus pneus
O BYD Dolphin, lançado no Brasil em julho de 2023, tornou-se líder de vendas entre os carros elétricos, com mais emplacamentos que todos os outros modelos do segmento somados até o fim daquele ano. Equipado com pneus Chao Yang, o hatch enfrenta desafios devido ao seu projeto, que não inclui tropicalização para o mercado brasileiro. A ausência de ajustes para pavimentos irregulares intensifica o desgaste, especialmente no eixo de tração.

  • Especificações dos pneus do Dolphin:
    • Marca: Chao Yang, originais de fábrica.
    • Sulcos iniciais: 6,7 mm no eixo dianteiro, 6 mm no traseiro.
    • Desgaste médio: 2 mm a cada 12.000 km no eixo dianteiro.
    • Recomendação: Rodízio a cada 10.000 km em uso urbano.

A falta de pneus específicos para elétricos, que oferecem maior durabilidade e eficiência, também contribui para o problema. Esses pneus, embora mais caros, podem reduzir o desgaste e melhorar a autonomia.

Cuidados com a bateria e autonomia
A bateria do Dolphin, com 44,9 kWh, exige cuidados adicionais para manter sua eficiência. O manual recomenda recargas em corrente alternada (AC) pelo menos uma vez por semana e evitar recargas constantes com baixa quilometragem. A calibragem da bateria, indicada a cada seis meses ou 70.000 km, envolve uma recarga e descarga completa, mas a equipe da Quatro Rodas enfrentou dificuldades para realizar o procedimento, descobrindo que o serviço não estava disponível em algumas concessionárias.

Em testes de estrada, a autonomia do Dolphin variou de 356 km a 405 km, dependendo de fatores como velocidade, aclives e temperatura. Para viagens longas, a recomendação é planejar recargas a cada 300 km, utilizando carregadores rápidos para minimizar paradas.

Desafios da manutenção em elétricos
Manter um veículo elétrico como o Dolphin exige adaptações por parte dos proprietários. Além do rodízio de pneus, a verificação regular da pressão e a escolha de oficinas qualificadas são fundamentais. A ausência de tropicalização, comum em carros importados como o Dolphin, aumenta a vulnerabilidade de componentes como suspensão e pneus em ruas brasileiras.

A garantia do veículo também apresenta peculiaridades. Enquanto a bateria tem oito anos de cobertura, componentes como suspensão, direção e a tela giratória da central multimídia possuem apenas um ano de garantia, um prazo menor que o padrão de dois anos oferecido por outras montadoras.

Teste de longa duração
O teste de longa duração da Quatro Rodas, iniciado em 2023, é reconhecido por simular o uso real de um veículo, sem interferência da fabricante. O Dolphin, comprado pela revista, será desmontado ao final dos 100.000 km para avaliar o desgaste de todos os componentes. Até o momento, o veículo já rodou mais de 24.000 km, enfrentando desde buracos em vias urbanas até viagens rodoviárias.

A experiência destaca a importância de práticas preventivas para proprietários de elétricos. O rodízio regular, aliado a uma condução suave, pode prolongar a vida útil dos pneus e reduzir custos de manutenção.

Adaptação ao mercado brasileiro
O sucesso do Dolphin no Brasil, com detalhes como a pintura cinza e interior bege com tons laranja, atrai consumidores, mas a manutenção exige planejamento. A ausência de tropicalização é um obstáculo para a BYD, que enfrenta o desafio de adequar seus veículos às condições locais. Pavimentos irregulares e buracos intensificam o desgaste de pneus e suspensão, exigindo maior atenção dos proprietários.

A popularidade do modelo, no entanto, reforça sua relevância. Em 2023, o Dolphin superou todos os concorrentes elétricos em vendas, consolidando-se como uma opção acessível para quem busca um veículo elétrico compacto.

Recomendações para proprietários
Proprietários do BYD Dolphin podem adotar estratégias para minimizar o desgaste e otimizar o desempenho. A escolha de pneus adequados para elétricos, embora mais cara, pode aumentar a durabilidade e a eficiência. Além disso, a condução suave, evitando acelerações bruscas, reduz a pressão sobre os pneus dianteiros.

  • Dicas para manutenção do Dolphin:
    • Verificar a pressão dos pneus a cada 15 dias.
    • Realizar rodízio a cada 10.000 km em uso urbano.
    • Utilizar carregadores lentos (AC) semanalmente.
    • Escolher oficinas preparadas para veículos elétricos.

Evolução do modelo
A BYD anunciou atualizações para a linha 2025 do Dolphin, incluindo a adição de um limpador traseiro, que melhora a visibilidade em chuvas. No entanto, o modelo testado pela Quatro Rodas, da linha 2023, não possui esse recurso, exigindo soluções paliativas como repelentes de água para o vidro traseiro. A fabricante também enfrenta críticas pela documentação imprecisa, como inconsistências no manual sobre intervalos de rodízio e procedimentos de calibragem.

O teste da Quatro Rodas continuará acompanhando o Dolphin até os 100.000 km, revelando novos desafios e particularidades do primeiro elétrico submetido a essa avaliação

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