Ataque a tiros na Avenida Brasil deixa dois mortos e um ferido em Bangu no Rio de JaneiroPor Luís Henrique Costa
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Na madrugada de 23 de junho de 2025, um ataque a tiros na Avenida Brasil, em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro, resultou na morte de duas pessoas e deixou uma terceira gravemente ferida. O crime, ocorrido por volta das 4h, próximo ao Hotel Palazzo, chocou moradores e causou longos congestionamentos na via. As vítimas, que estavam em um Voyage prata, foram alvos de disparos efetuados por criminosos, e a polícia investiga a possibilidade de que tenham sido confundidas com outros indivíduos. O motorista, identificado como Davi da Silva Castelo, de 38 anos, era gerente de uma loja no Ceasa e teria oferecido carona aos outros ocupantes. O caso expõe a crescente onda de violência na região, levantando questionamentos sobre a segurança em uma das principais vias da cidade.
A gravidade do episódio mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e da CET-Rio, que atuaram para socorrer a vítima ferida e gerenciar o trânsito. O sobrevivente, identificado apenas como Charles, foi encaminhado ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, mas seu estado de saúde não foi divulgado até o fechamento desta matéria. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) assumiu as investigações, com o objetivo de identificar os autores e esclarecer as circunstâncias do crime.
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- Vítimas: Davi da Silva Castelo, 38 anos, e Yago Lopes de Souza, mortos no local.
- Localização: Avenida Brasil, altura do Hotel Palazzo, pista sentido Centro.
- Horário: Aproximadamente 4h da madrugada de 23 de junho de 2025.
- Consequências: Congestionamento extenso e interdição parcial da via.
A violência na Avenida Brasil não é um fato isolado, mas reflete um cenário preocupante na Zona Oeste do Rio, marcada por disputas entre grupos criminosos e milícias.
Cenário de violência recorrente em Bangu
A região de Bangu tem sido palco de episódios frequentes de violência armada. Apenas três dias antes, na tarde de 20 de junho, outro crime chocou a comunidade local: um homem de 28 anos, identificado como Harllon de Brito Almeida, foi executado na Estrada Cancela Preta. Dois suspeitos em uma motocicleta abriram fogo contra a vítima, que não resistiu aos ferimentos. Uma segunda pessoa ficou ferida e foi socorrida. A polícia, que também investiga esse caso, ainda não confirmou se há relação entre os dois eventos, mas a proximidade temporal e geográfica levanta suspeitas.
Os crimes em Bangu muitas vezes estão ligados a disputas territoriais entre facções criminosas e milícias, que controlam áreas como transporte alternativo, fornecimento de gás e até serviços de internet clandestina. A Avenida Brasil, por sua vez, é uma via estratégica, frequentemente utilizada por trabalhadores e motoristas, mas também vulnerável a ataques devido à sua extensão e à proximidade com comunidades dominadas por esses grupos. A ação criminosa de 23 de junho, segundo testemunhas, pode ter sido motivada por uma confusão de identidade, com as vítimas sendo tomadas por membros de uma milícia local.
A Delegacia de Homicídios realizou perícia no local, coletando evidências como cápsulas de munição e analisando imagens de câmeras de segurança. A investigação busca determinar se os responsáveis pertencem a uma facção criminosa conhecida como “Bonde dos Crias”, apontada como suspeita em postagens nas redes sociais.
Impacto no trânsito e na rotina dos cariocas
O tiroteio na Avenida Brasil teve reflexos imediatos na mobilidade urbana. Por volta das 7h, a via, uma das principais artérias do Rio, apresentava retenções que se estendiam por quilômetros. A CET-Rio interditou uma faixa na altura da Rua Vigilante Fortunato, sentido Centro, para facilitar o trabalho da perícia. Motoristas relataram dificuldades para acessar o Centro da cidade, e muitos trabalhadores chegaram atrasados a seus compromissos.
A interrupção do tráfego não é novidade na Avenida Brasil. Em outubro de 2024, um tiroteio na altura do Complexo de Israel, na Zona Norte, resultou na morte de três pessoas e na interdição total da via por mais de duas horas. Esses episódios expõem a fragilidade da segurança em vias expressas, que, apesar de serem patrulhadas pelo Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), continuam sendo alvos de ações criminosas.
- Congestionamento: Retenções começaram às 5h e se intensificaram até as 8h.
- Interdição: Uma faixa foi bloqueada para perícia e remoção do veículo.
- Alternativas: Motoristas foram orientados a usar vias como a Linha Vermelha.
- Impacto: Atrasos em deslocamentos para o Centro e outras regiões.
A população local, já acostumada a conviver com a violência, expressou revolta e medo. Moradores de Bangu relatam que a sensação de insegurança é constante, especialmente em áreas próximas a comunidades como o Batan, onde o crime ocorreu.
Investigações em curso e desafios da segurança pública
A Delegacia de Homicídios da Capital trabalha com a hipótese de que o ataque foi um erro de identificação. Familiares de Davi, o motorista, afirmaram que ele não tinha envolvimento com atividades criminosas e estava apenas transportando colegas de trabalho. Yago Lopes de Souza, a segunda vítima fatal, também seria um trabalhador sem ligação com grupos criminosos. A possibilidade de que os ocupantes do carro tenham sido confundidos com milicianos do Catiri, sub-bairro de Bangu, é uma das linhas de investigação.
A polícia enfrenta dificuldades para avançar nas apurações devido à falta de testemunhas dispostas a colaborar, um problema comum em áreas dominadas por milícias ou facções. Além disso, a ausência de câmeras de segurança em pontos estratégicos da Avenida Brasil limita a obtenção de imagens claras dos suspeitos. Apesar disso, a DHC já solicitou imagens de estabelecimentos próximos, como o Hotel Palazzo, para tentar identificar os atiradores.
Outro desafio é o controle territorial exercido por grupos criminosos na Zona Oeste. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), a região registrou mais de 1.500 homicídios em 2024, muitos deles relacionados a disputas entre milícias e traficantes. A presença de milícias, que cobram taxas de proteção e dominam serviços essenciais, agrava a situação, transformando áreas como Bangu em zonas de conflito constante.
Histórico de crimes na Avenida Brasil
A Avenida Brasil tem um longo histórico de violência. Em abril de 2025, um policial militar foi assassinado na mesma via, também em Bangu, em um ataque que deixou seu veículo crivado de balas. Em 2015, outro caso semelhante envolveu a morte de um cabo da PM, atribuída a milicianos. Esses episódios reforçam a percepção de que a via é um ponto vulnerável, apesar de sua importância econômica e logística para o Rio de Janeiro.
- 2015: Ataque a carro deixa dois mortos, incluindo um PM, perto do Hotel Palazzo.
- 2024: Tiroteio no Complexo de Israel interdita a via e mata três pessoas.
- 2025: Policial militar é executado em abril, na altura de Bangu.
- Junho 2025: Atual ataque com duas mortes e um ferido.
A repetição de crimes na Avenida Brasil evidencia a necessidade de medidas mais eficazes de segurança, como o aumento do patrulhamento e a instalação de câmeras de monitoramento.
Reações da comunidade e autoridades
A notícia do ataque gerou comoção entre os moradores de Bangu, que usaram as redes sociais para lamentar as mortes e cobrar ações das autoridades. Muitos destacaram a rotina de medo imposta pela violência na região, onde tiroteios e execuções são frequentes. Familiares das vítimas, em especial de Davi, pediram justiça e reforçaram que ele era um trabalhador honesto, sem qualquer envolvimento com o crime.
A Polícia Militar informou que reforçou o patrulhamento na Avenida Brasil após o ocorrido, mas não detalhou planos para prevenir novos ataques. A CET-Rio, por sua vez, mantém equipes no local para monitorar o trânsito e orientar motoristas. A prefeitura do Rio ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas a violência na Zona Oeste tem sido um tema recorrente em debates sobre segurança pública.
A morte de Davi e Yago, somada à gravidade do estado de Charles, reacende o debate sobre a escalada da violência no Rio de Janeiro. A Avenida Brasil, símbolo de conexão entre diferentes regiões da cidade, tornou-se também um reflexo dos desafios enfrentados pelas autoridades para garantir a segurança da população.















