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Novo decreto de 2025 adiciona Bolsa Família à renda familiar para o BPC

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Foto: bolsa familia - Divulgação
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Um decreto publicado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 26 de junho de 2025 alterou as regras de acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), incluindo os valores recebidos pelo Bolsa Família no cálculo da renda familiar per capita. O BPC, que garante um salário mínimo mensal a idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda, exige renda per capita de até um quarto do salário mínimo, equivalente a R$ 379,50 em 2025. Até então, o Bolsa Família era excluído desse cálculo, mas a nova medida determina que ele seja somado à renda bruta familiar, podendo dificultar a elegibilidade de algumas famílias. A mudança, regulamentada pelo Decreto 12.534/2025, faz parte de um pacote fiscal aprovado em 2024 para conter gastos públicos. A decisão gerou reações, com críticos apontando impactos negativos para famílias vulneráveis.

A alteração ocorre em um momento de crescimento acelerado das despesas com o BPC, que devem atingir R$ 121 bilhões em 2025, segundo estimativas do Ministério da Fazenda. O governo também flexibilizou a revisão periódica do benefício, que deixa de ser obrigatória a cada dois anos para pessoas com deficiência.

Famílias que recebem o BPC e o Bolsa Família agora enfrentam maior escrutínio, com exigências como biometria obrigatória e inscrição atualizada no Cadastro Único (CadÚnico).

  • Principais mudanças no BPC em 2025:
    • Inclusão do Bolsa Família no cálculo da renda familiar per capita.
    • Revisão periódica do BPC passa a ser facultativa para pessoas com deficiência.
    • Biometria obrigatória para concessão e manutenção do benefício.
    • Cadastro no CadÚnico atualizado a cada 24 meses.
    • Exclusão de auxílios temporários, como indenizações, do cálculo de renda.

Novo cálculo da renda familiar

A inclusão do Bolsa Família no cálculo da renda per capita para o BPC foi oficializada pelo Decreto 12.534/2025, publicado no Diário Oficial da União. Anteriormente, a Lei nº 13.982/2020 permitia excluir o Bolsa Família e outros benefícios, como aposentadorias de até um salário mínimo, do cálculo, facilitando o acesso ao BPC. Agora, famílias que recebem o Bolsa Família, com valor médio de R$ 667,49 por mês, podem ultrapassar o limite de R$ 379,50 por pessoa, dificultando a concessão do benefício.

Em 2024, o Congresso aprovou a Lei nº 15.077/2024, que já havia endurecido os critérios, exigindo biometria e limitando deduções no cálculo da renda bruta. A nova regra mantém isenções para auxílios temporários, como indenizações por rompimento de barragens, e para outro BPC ou benefício previdenciário de até um salário mínimo recebido por membros da mesma família.

A mudança visa equilibrar as contas públicas, mas críticos apontam que ela pode penalizar famílias em situação de pobreza extrema, especialmente aquelas com idosos ou pessoas com deficiência.

Flexibilização da revisão periódica

O mesmo decreto trouxe uma alteração significativa para beneficiários com deficiência: a revisão periódica obrigatória a cada dois anos passou a ser facultativa, a critério do INSS. Antes, os beneficiários precisavam comprovar regularmente a condição de saúde e renda, um processo que gerava filas e transtornos.

A flexibilização foi incluída no pacote fiscal de 2024, que buscava reduzir custos administrativos sem comprometer a fiscalização. O INSS agora pode determinar revisões com base em critérios como denúncias de irregularidades ou mudanças no perfil do beneficiário. Em 2024, 4,1 milhões de benefícios do BPC e Bolsa Família foram cancelados por irregularidades, gerando economia de R$ 4 bilhões.

A medida foi bem recebida por associações de pessoas com deficiência, que consideravam as revisões frequentes desgastantes, mas especialistas alertam que a falta de periodicidade fixa pode levar a falhas na fiscalização.

Crescimento acelerado do BPC

O BPC tem apresentado crescimento expressivo, com 6,3 milhões de beneficiários em março de 2025, contra 4,8 milhões em 2022. O custo do programa, estimado em R$ 121 bilhões para 2025, representa 1% do PIB, segundo o Ministério da Fazenda. A judicialização, com decisões que flexibilizam os critérios de renda, contribuiu para o aumento de concessões, especialmente para pessoas com deficiência.

Leonardo Rolim, ex-presidente do INSS, estima que R$ 14,5 bilhões anuais são gastos com pagamentos indevidos, cerca de 12% do orçamento do programa. A equipe econômica busca conter esse avanço com medidas como a exigência de biometria e cruzamento mensal de dados no CadÚnico.

A inclusão do Bolsa Família no cálculo da renda é vista como uma tentativa de direcionar o benefício a famílias em maior vulnerabilidade, mas a decisão enfrenta resistência de movimentos sociais e parlamentares.

  • Fatores que impulsionam os gastos com o BPC:
    • Aumento de 1,5 milhão de beneficiários desde 2022.
    • Judicialização que flexibiliza critérios de renda.
    • Pagamentos indevidos estimados em R$ 14,5 bilhões por ano.
    • Custo total de R$ 121 bilhões em 2025.

Regras mais rígidas contra fraudes

O pacote fiscal de 2024 introduziu medidas para combater fraudes no BPC e no Bolsa Família. A biometria obrigatória, implementada desde setembro de 2024, é exigida para concessão e manutenção de benefícios. Além disso, o cadastro no CadÚnico deve ser atualizado a cada 24 meses, com visitas de assistentes sociais para verificar a situação de beneficiários unipessoais.

A Polícia Federal colabora com o Plano de Ação 2025, lançado em março, que intensificou a fiscalização e cancelou 4,1 milhões de benefícios irregulares entre 2023 e 2024. A iniciativa inclui cruzamento de dados com concessionárias de serviços públicos para identificar inconsistências, como consumo incompatível com a renda declarada.

O INSS também passou a exigir a Classificação Internacional de Doenças (CID) para concessões a pessoas com deficiência, garantindo maior rigor na avaliação médica.

Reações à inclusão do Bolsa Família

A decisão de incluir o Bolsa Família no cálculo da renda gerou críticas em redes sociais e entre movimentos sociais. Parlamentares como o senador Flávio Arns (PSB-PR) defendem que o BPC não deveria ser considerado renda, pois penaliza famílias com idosos ou pessoas com deficiência.

Em 2024, a Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou um projeto para excluir o BPC do cálculo do Bolsa Família, mas a proposta não avançou. Críticos argumentam que o decreto de 2025 pode forçar famílias a escolher entre os dois benefícios, apesar de o governo negar essa obrigatoriedade.

A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) destacou que o limite de um quarto do salário mínimo é insuficiente para pessoas com deficiência, sugerindo um teto de meio salário mínimo, como proposto em 2020, mas vetado pelo governo Bolsonaro.

Bolsa Familia
Bolsa Familia – Foto: Divulgação/Gov.br

Regras de elegibilidade para o BPC

Para acessar o BPC, a renda familiar per capita deve ser igual ou inferior a R$ 379,50, equivalente a um quarto do salário mínimo de R$ 1.518 em 2025. A família é definida como o grupo que vive sob o mesmo teto, incluindo cônjuge, pais, irmãos solteiros, filhos, enteados e menores tutelados.

O decreto esclarece que rendas de familiares que não moram na mesma residência não são consideradas, refutando informações falsas divulgadas em redes sociais. Além disso, benefícios como outro BPC, aposentadorias de até um salário mínimo, contratos de aprendizagem e indenizações por desastres são excluídos do cálculo.

Beneficiários devem estar inscritos no CadÚnico e ter CPF ativo. A avaliação médica para pessoas com deficiência agora exige o registro do CID, e a concessão pode ser negada para deficiências leves, conforme a Lei nº 15.077/2024.

  • Critérios de elegibilidade do BPC:
    • Renda per capita de até R$ 379,50.
    • Inscrição atualizada no CadÚnico.
    • Biometria obrigatória para concessão e manutenção.
    • Registro do CID para pessoas com deficiência.

Pente-fino e fiscalização intensificada

O governo intensificou a fiscalização do BPC e do Bolsa Família com o Plano de Ação 2025, que prevê cruzamento mensal de dados e visitas domiciliares para beneficiários unipessoais. Em 2023, 1,8 milhão de cadastros unipessoais do Bolsa Família foram cancelados por irregularidades, e a meta é revisar 1,3 milhão de beneficiários entre 18 e 49 anos em 2025.

A economia estimada com o pente-fino é de R$ 4 bilhões anuais, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). A colaboração com a Polícia Federal inclui o uso de inteligência artificial para identificar padrões de fraude, como cadastros duplicados ou rendas incompatíveis.

O MDS também exige que concessionárias de serviços públicos compartilhem dados para verificar o consumo de energia e água, ajudando a identificar beneficiários com padrão de vida acima do declarado.

Impacto financeiro do BPC

O custo do BPC cresceu 11,6% acima da inflação entre janeiro e abril de 2025, totalizando R$ 41,8 bilhões. A previsão para o ano é de R$ 121 bilhões, contra R$ 74 bilhões em 2022. O aumento é atribuído à ampliação de concessões judiciais e à falta de critérios rigorosos no passado.

O pacote fiscal de 2024, liderado pelo ministro Fernando Haddad, buscava economizar R$ 71,9 bilhões até 2026, mas algumas medidas, como a limitação a deficiências graves, foram vetadas por Lula após pressão do Senado. A inclusão do Bolsa Família no cálculo da renda é uma das poucas alterações mantidas.

O economista Marcos Mendes, do Insper, sugere elevar a idade mínima do BPC para idosos, atualmente 65 anos, para reduzir a concorrência com a Previdência Social, que paga o mesmo valor a quem contribuiu por décadas.

Regra de proteção do Bolsa Família

Famílias que recebem o Bolsa Família e ultrapassam o limite de renda de R$ 218 por pessoa, mas permanecem abaixo de R$ 706, podem continuar no programa por até 12 meses, recebendo 50% do benefício. Para aquelas com renda estável, como aposentadorias ou BPC, o prazo é de dois meses, exceto para famílias com pessoas com deficiência, que têm até 12 meses.

Essa regra, atualizada em maio de 2025, visa facilitar a transição para o mercado de trabalho sem cortar abruptamente o benefício. O MDS destaca que famílias que voltam a atender os critérios de renda podem ter o valor integral restabelecido sem entrar na fila.

  • Detalhes da regra de proteção do Bolsa Família:
    • Prazo de 12 meses para famílias com renda entre R$ 218 e R$ 706.
    • Dois meses para rendas estáveis, como aposentadorias ou BPC.
    • 12 meses para famílias com pessoas com deficiência.
    • Restabelecimento do benefício integral sem fila, se elegível.

Debate político e social

A inclusão do Bolsa Família no cálculo da renda do BPC reacendeu discussões no Congresso. O senador Flávio Arns (PSB-PR) e a senadora Zenaide Maia (PSD-RN) criticam a medida, argumentando que ela penaliza os mais vulneráveis. Em 2024, a Comissão de Direitos Humanos aprovou um projeto para excluir o BPC do cálculo do Bolsa Família, mas a proposta não foi votada no plenário.

O governo argumenta que a medida é necessária para garantir a sustentabilidade fiscal, especialmente após o corte de R$ 7,7 bilhões no orçamento do Bolsa Família em 2025. O ministro Wellington Dias destacou que os cancelamentos de benefícios irregulares não afetam famílias que cumprem os critérios de elegibilidade.

O debate também ganhou força em redes sociais, com críticas à política fiscal do governo Lula. Usuários apontam que a medida pode forçar famílias a abrir mão de um dos benefícios, embora o governo esclareça que a acumulação é permitida, desde que a renda per capita não ultrapasse o limite.

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