BioParque do Rio reabre após surto de gripe aviária com ações educativasPor Carolina Costa
8 min de leitura
![]() |
O BioParque do Rio, localizado na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro, reabriu suas portas ao público na quinta-feira, 21 de agosto de 2025, após um mês de suspensão devido a um surto de influenza aviária (H5N1) que resultou na morte de 19 aves, incluindo 16 galinhas-d’angola e três pavões. A reabertura, autorizada pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPA-RJ) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), segue rígidos protocolos de biossegurança para garantir a segurança de visitantes, funcionários e animais. O surto, identificado em 17 de julho, levou ao fechamento temporário da área Savana Africana, onde as aves infectadas estavam abrigadas, e à intensificação de medidas preventivas. A iniciativa visa equilibrar conservação, lazer e conscientização, com destaque para ações educativas sobre a gripe aviária programadas para o fim de semana.
O zoológico, um dos principais pontos turísticos da cidade, celebrou a retomada com uma promoção especial: crianças de até 12 anos têm entrada gratuita até 31 de agosto, desde que os ingressos sejam adquiridos pelo site oficial. Além disso, nos dias 23 e 24 de agosto, o parque oferecerá atividades circenses e oficinas educativas em parceria com a Defesa Agropecuária, voltadas para informar o público sobre os riscos e a prevenção da influenza aviária. O trabalho conjunto entre o BioParque, autoridades sanitárias e o Mapa foi essencial para conter o surto e assegurar a segurança, mantendo o compromisso com a biodiversidade.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
- Ações na reabertura incluem entrada gratuita para crianças até 12 anos.
- Oficinas educativas abordarão prevenção da gripe aviária de forma lúdica.
- Protocolos de biossegurança foram reforçados para evitar novos casos.
- Savana Africana segue com monitoramento intensivo por 14 dias.
Medidas de biossegurança reforçadas
Após a confirmação do surto de H5N1, o BioParque implementou uma série de medidas para conter a disseminação do vírus. A área da Savana Africana, onde ocorreram as mortes, foi interditada por 14 dias, conforme protocolos internacionais, e passou por desinfecção rigorosa. Animais de outras áreas foram realocados para evitar contato com aves silvestres, potenciais transmissoras do vírus. Equipes de manejo adotaram equipamentos de proteção individual (EPIs) adicionais, e o monitoramento contínuo foi intensificado com o apoio de veterinários e técnicos da Defesa Agropecuária.
O trabalho conjunto com o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas, São Paulo, permitiu a identificação rápida do vírus em amostras coletadas. Segundo o superintendente de Defesa Agropecuária, Paulo Henrique Moraes, as ações foram conduzidas com transparência e responsabilidade, garantindo que o risco à saúde pública fosse minimizado. A reabertura foi autorizada após análises confirmarem que os novos casos de mortes, registrados no final de julho, não estavam relacionados à gripe aviária, o que trouxe alívio às autoridades.
- Interdição da Savana Africana por 14 dias para desinfecção e monitoramento.
- Realocação de animais para evitar contato com aves silvestres.
- Uso de EPIs reforçado para equipes de manejo e cuidado com animais.
- Exames laboratoriais descartaram H5N1 em mortes registradas em julho.
Cronologia do surto no BioParque
O surto começou a ser investigado em 17 de julho, quando seis galinhas-d’angola morreram repentinamente na Savana Africana. Exames realizados pelo LFDA confirmaram a presença do vírus H5N1 em 23 de julho. Dois dias depois, em 25 de julho, outras sete galinhas-d’angola e dois pavões também foram diagnosticados com a doença, elevando o total de óbitos para 15. Como medida preventiva, três galinhas-d’angola e um pavão que apresentavam sintomas foram sacrificados para conter a disseminação.
No final de julho, a morte de mais quatro aves – três marrecos e uma maritaca – levou ao fechamento total do zoológico em 31 de julho. Apesar da suspeita inicial, os exames descartaram a presença de H5N1 nesses casos, permitindo a reabertura após a conclusão do período de quarentena. Durante o fechamento, 15 funcionários que tiveram contato com as aves infectadas foram monitorados pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), sem registro de transmissão para humanos, reforçando que o risco de contágio é baixo e ocorre apenas por contato direto com animais infectados.
- 17 de julho: Primeiras mortes de galinhas-d’angola na Savana Africana.
- 23 de julho: Confirmação de H5N1 em seis galinhas-d’angola.
- 25 de julho: Mais sete galinhas-d’angola e dois pavões mortos por H5N1.
- 31 de julho: Fechamento total após mortes de marrecos e maritaca.
- 21 de agosto: Reabertura com protocolos reforçados e ações educativas.
Gripe aviária e seus impactos
A influenza aviária H5N1 é uma doença respiratória que afeta principalmente aves, sendo transmitida por aerossóis, secreções ou contato direto. Aves silvestres, como as que frequentam áreas abertas do BioParque, podem ser portadoras assintomáticas, transmitindo o vírus a espécies mais vulneráveis, como as galinhas-d’angola e pavões. Desde 2023, o Brasil registra casos esporádicos da doença, com o primeiro surto confirmado em uma granja comercial no Rio Grande do Sul, em maio daquele ano, impactando exportações de carne de frango para 25 países.
No caso do BioParque, a rápida resposta das autoridades evitou que o surto se espalhasse para outras áreas do zoológico ou para criações comerciais próximas. A SES-RJ reforça que a transmissão para humanos é rara e ocorre apenas em situações de contato prolongado com animais infectados, sem registro de transmissão entre pessoas. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) relatou 939 casos humanos de H5N1 entre 2003 e 2023, com uma taxa de mortalidade de 49%, o que destaca a importância da vigilância contínua.
- H5N1 é transmitido por aerossóis, secreções ou contato direto entre aves.
- Aves silvestres podem ser portadoras assintomáticas do vírus.
- Brasil registrou primeiro caso em granja comercial em maio de 2023.
- Transmissão para humanos é rara, com 939 casos globais entre 2003 e 2023.
Ações educativas e conscientização
Para engajar o público na prevenção da gripe aviária, o BioParque planejou atividades educativas nos dias 23 e 24 de agosto, em parceria com a Defesa Agropecuária. As oficinas, voltadas especialmente para crianças, usarão materiais interativos e linguagem acessível para explicar os sinais clínicos da doença, formas de transmissão e medidas preventivas. O Projeto Educação Sanitária nas Escolas, iniciado pela SEAPA-RJ em 2023, serviu como base para essas ações, que buscam ampliar o conhecimento sobre os impactos da influenza aviária na saúde animal e ambiental.
Além das oficinas, o zoológico manterá suas atrações fixas, como tirolesa, parquinho e opções gastronômicas, garantindo uma experiência completa para os visitantes. A administração do BioParque destacou que as ações educativas reforçam o compromisso com a conservação da biodiversidade e a segurança pública, promovendo um ambiente de lazer aliado à conscientização.
- Oficinas lúdicas ensinarão sobre prevenção da gripe aviária.
- Projeto Educação Sanitária nas Escolas inspira ações no BioParque.
- Atrações fixas, como tirolesa e parquinho, seguem disponíveis.
- Foco na conservação e segurança reflete compromisso do zoológico.
Monitoramento contínuo e prevenção
O BioParque manterá o monitoramento intensivo da área Savana Africana e de outras seções do zoológico para evitar novos casos de H5N1. Alterações estruturais foram feitas para reduzir o contato entre aves residentes e silvestres, como a instalação de barreiras físicas e telas protetoras. A equipe veterinária, em conjunto com a Defesa Agropecuária, continuará realizando inspeções regulares e coletas de amostras para análises laboratoriais, garantindo a detecção precoce de qualquer anormalidade.
As autoridades sanitárias reforçam a importância da notificação imediata de mortes suspeitas de aves, prática que foi crucial para a identificação rápida do surto no BioParque. A médica-veterinária Renata Vitória Campos Costa, do Núcleo de Defesa Agropecuária de Valença, destacou que a colaboração entre zoológicos, veterinários e autoridades é essencial para proteger a saúde animal e evitar impactos econômicos, como os registrados em surtos anteriores no Brasil.
- Monitoramento intensivo na Savana Africana por tempo indeterminado.
- Barreiras físicas instaladas para proteger aves residentes.
- Inspeções veterinárias regulares para detecção precoce de casos.
- Notificação imediata é chave para controle de surtos, segundo especialistas.















