César Romero, ícone das artes visuais da Bahia, falece após incidente doméstico

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Cesar Romero Foto: Cesar Romero - Foto: Divulgação

O artista plástico, médico e crítico de arte César Romero faleceu na noite de terça-feira, 7 de outubro de 2025, em sua residência no bairro da Barra, em Salvador, Bahia. Aos 74 anos, ele se engasgou com comida durante uma refeição assistida por sua cuidadora, o que levou à asfixia fatal. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou ao local acionado por vizinhos, mas as tentativas de reanimação não surtiram efeito.

A Polícia Civil registrou o caso na 14ª Delegacia Territorial (DT) da Barra e determinou perícia para confirmar a causa exata da morte. Romero, solteiro e sem filhos, vivia sozinho com apoio de profissionais de cuidado.

Nascido em Feira de Santana, cidade a 100 quilômetros de Salvador, Romero equilibrava sua paixão pela arte com a medicina. Formado em psiquiatria pela Universidade Federal da Bahia em 1974, ele atendia pacientes enquanto produzia obras que celebravam a identidade cultural nordestina.

Trajetória inicial nas artes plásticas

César Romero iniciou sua carreira artística aos 17 anos, em 1967, ao vencer o prêmio da 1ª Exposição Intercolegial de Artes Plásticas (Eicap), em Feira de Santana. Essa conquista marcou o começo de uma trajetória dedicada à pintura, com foco em símbolos afro-brasileiros e elementos populares da Bahia.

Aos 29 anos, em 1979, ele recebeu o título de “Homem Destaque do Nordeste”, reconhecimento que ampliou sua visibilidade regional. Romero logo expandiu suas atividades para além da tela, atuando como colunista em jornais locais desde o final dos anos 1970.

Prêmios e reconhecimentos acumulados

A produção de Romero ganhou projeção nacional e internacional ao longo das décadas. Em 1980, ele integrou salões de arte no Brasil, consolidando sua técnica limpa e cromatismo vibrante.

  • Membro da Association International des Arts Plastiques (AIAP), ligada à Unesco, desde os anos 1990.
  • Exposições individuais na Alemanha, Espanha e Portugal entre 2000 e 2010.
  • Homenagem com sala dedicada no Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, em Feira de Santana.
  • Nome dado a uma rua no bairro Caseb, em sua cidade natal, em 2015.

Esses marcos destacam como Romero influenciou o cenário das artes visuais baianas.

Expansão para além da pintura

Romero diversificou suas contribuições culturais ao longo de mais de 50 anos de carreira. Além de pintor, ele atuou como fotógrafo e designer gráfico, colaborando em projetos editoriais na Bahia.

Sua escrita crítica apareceu em revistas e jornais, analisando tendências artísticas locais. Como músico, gravou discos com interpretações de clássicos da MPB, exibindo uma voz refinada em apresentações intimistas.

Amigos descreveram-no como um intelectual versátil, sempre engajado em promover a cultura regional. Essa multiplicidade de talentos o posicionou como referência para gerações de artistas emergentes.

A fragilidade recente, ligada à idade avançada, não o impediu de manter contatos com o meio artístico. Visitas de colegas, como o pintor José Dirson Argolo, ocorriam com frequência nos últimos meses.

Influência na identidade cultural baiana

As obras de César Romero exploravam temas como o sincretismo religioso e a herança africana na Bahia, com traços fortes e composições simbólicas. Críticos notavam em seu trabalho um processo de síntese que convidava o público a decifrar camadas culturais profundas.

Ele expôs nos Estados Unidos em 2005, onde sua série sobre folclore nordestino atraiu colecionadores internacionais. Essa projeção ajudou a elevar o debate sobre artes visuais periféricas no contexto global.

Em Feira de Santana, sua terra natal, Romero inspirou iniciativas locais de formação artística. Escolas e ateliês da região adotaram elementos de sua estética em oficinas comunitárias.

O acervo pessoal, parte guardado no museu local, inclui mais de 200 peças que documentam evoluções estilísticas desde os anos 1970. Essas coleções servem como recurso para estudos acadêmicos sobre arte contemporânea baiana.

Repercussão imediata na comunidade artística

A notícia da morte de Romero se espalhou rapidamente entre artistas e instituições culturais da Bahia. A prefeitura de Feira de Santana emitiu nota oficial lamentando a perda de um de seus filhos mais representativos.

O prefeito José Ronaldo de Carvalho destacou o legado de Romero em levar a identidade baiana ao mundo. Amigos próximos, como a empresária Ozana Barreto, recordaram anos de companheirismo e afeto compartilhado.

Procedimentos após o óbito

O corpo de César Romero foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) em Salvador para exames preliminares. A perícia da Polícia Civil deve entregar laudo em até 30 dias, esclarecendo se houve complicações adicionais, como suspeita de aneurisma.

O sepultamento ocorreu no Cemitério Bosque da Paz, na capital baiana, na manhã de quarta-feira, 8 de outubro. Familiares e amigos compareceram em número restrito, respeitando protocolos de saúde.

Investigações preliminares confirmam o engasgo como fator principal, com depoimentos da cuidadora corroborando a sequência de eventos. Autoridades descartam indícios de irregularidades no atendimento inicial.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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