Nasa registra parada incomum do cometa 3I/Atlas a 27 milhões de km de Marte

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Cometa e Espaço Foto: Cometa - Foto: Nazarii_Neshcherenskyi/shutterstock.com

Equipamentos da Nasa detectaram que o cometa interestelar 3I/Atlas interrompeu seu movimento por dias na órbita de Marte, a cerca de 27 milhões de quilômetros do planeta, em outubro de 2025. O fenômeno ocorreu durante a passagem do terceiro objeto interestelar confirmado no Sistema Solar, identificado em julho do mesmo ano pelo telescópio Atlas no Chile. Astrônomos afirmam que a pausa desafia as leis conhecidas da física, pois trajetórias hiperbólicas como a do cometa não permitem paradas abruptas devido à energia cinética envolvida.

A agência espacial norte-americana confirmou a ausência de falhas instrumentais nos registros, o que reforça a veracidade do evento. O 3I/Atlas, com velocidade média de 210 mil km/h, manteve-se quase imóvel em relação às estrelas de fundo, exigindo revisões em softwares de simulação orbital.

  • Observações telescópicas capturaram imagens nítidas do núcleo e coma do cometa.
  • Sondas marcianas registraram emissões de gás durante a proximidade.
  • A composição inclui alta concentração de dióxido de carbono, incomum para cometas locais.

Detecção inicial e confirmação do fenômeno

O cometa 3I/Atlas foi avistado pela primeira vez em 1º de julho de 2025, com trajetória que indicava origem fora do Sistema Solar. Em 2 de julho, observatórios no Chile, Arizona e Havaí confirmaram a presença de uma coma marginal e elongação semelhante a uma cauda de três segundos de arco, classificando-o como cometa. A designação 3I reflete sua posição como o terceiro visitante interestelar, após 1I/’Oumuamua em 2017 e 2I/Borisov em 2019.

A pausa ocorreu próximo ao periélio, previsto para 29 de outubro de 2025, a 203 milhões de quilômetros do Sol, entre as órbitas de Terra e Marte. Telescópios terrestres e espaciais, como o Hubble, registraram o objeto a 570 milhões de quilômetros em julho, revelando um núcleo gelado envolto em poeira em forma de gota.

Dados espectroscópicos indicam vibrações sutis no núcleo durante a imobilidade, sugerindo interações com plasma interestelar ou campos magnéticos. A Nasa descartou erros de medição após análises múltiplas.

rota do 3I-ATLAS
rota do 3I-ATLAS – Foto: NASA/JPL-Caltech

Composição química revela origens distantes

Análises da coma do 3I/Atlas mostram predominância de dióxido de carbono, com baixo teor de água, apontando para formação em regiões frias de um sistema estelar remoto. O núcleo mede entre 320 metros e 5,6 quilômetros de diâmetro, coberto por uma camada espessa de gás e poeira, e estima-se idade de 10 bilhões de anos, superior à do Sol.

A presença de grãos metálicos na superfície apoia hipóteses de ancoragem eletromagnética temporária. Microjatos de gás simétricos, raros em cometas, indicam estrutura interna complexa, com emissões de cianeto e vapor de níquel semelhantes aos de cometas do Sistema Solar.

Estudos do Telescópio Espacial James Webb em agosto de 2025 confirmaram proporção CO2-água de 1,4, alinhada a objetos locais, mas o excesso de CO2 sugere limitações na sublimação de gelo aquoso. Esses elementos químicos fornecem indícios sobre a evolução de sistemas estelares antigos.

Hipóteses para a imobilidade observada

Cientistas propõem interação com campos magnéticos solares como causa da pausa, criando uma âncora temporária que contrabalançou a velocidade do cometa. Dados de sondas da Esa, como Mars Express e ExoMars, capturados entre 1º e 7 de outubro, mostram o objeto a 30 milhões de quilômetros durante a aproximação máxima a Marte em 3 de outubro.

Outra teoria envolve ejeções simétricas de gás que neutralizaram o impulso, detectadas por espectrômetros em orbitadores marcianos. A ausência de cauda proeminente em imagens iniciais reforça a ideia de atividade baixa antes do aquecimento solar.

Observações do Very Large Telescope revelaram concentrações de níquel elevadas, sem emissões de ferro correspondentes, o que diverge de padrões cométicos conhecidos. Esses achados demandam inclusão de forças não gravitacionais em modelos preditivos.

A proximidade com Marte permitiu registros detalhados, transformando o evento em um laboratório natural para emissões gasosas e brilho.

Trajetória futura e observações contínuas

Após retomar o movimento, o 3I/Atlas segue para o periélio em 29 de outubro de 2025, passando por Vênus a 97 milhões de quilômetros em 3 de novembro e por Júpiter a 54 milhões de quilômetros em 16 de março de 2026. A conjunção solar em 21 de outubro ocultará o cometa da visão terrestre até dezembro, mas missões como Juice da Esa o monitorarão em novembro.

Sondas como Perseverance e Curiosity, da Nasa, junto ao Mars Reconnaissance Orbiter, coletaram dados durante a flyby de Marte, focando em polarização negativa extrema e alinhamento eclíptico. O objeto não representa risco à Terra, mantendo distância mínima de 269 milhões de quilômetros em 19 de dezembro de 2025.

A massa estimada em 33 bilhões de toneladas, três a cinco ordens de magnitude superior a predecessores interestelares, classifica-o como anomalamente grande, com aceleração não gravitacional mensurável. Atualizações em simulações orbitais incorporarão essas interações para previsões precisas.

Implicações para estudos de objetos interestelares

O evento destaca a diversidade de visitantes interestelares, com o 3I/Atlas exibindo oito anomalias documentadas, incluindo cauda anti-solar e enriquecimento em níquel. Observações do Telescópio Espacial Spitzer e do satélite TESS indicam atividade cometary desde maio de 2025, a 6,4 unidades astronômicas do Sol.

Pesquisas preveem imersão da sonda Hera na cauda iônica entre 25 de outubro e 1º de novembro, medindo drapejamento magnético. A idade estimada de 7,6 a 14 bilhões de anos sugere origem no disco espesso da Via Láctea, com baixos níveis de elementos pesados.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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