Polícia Civil divulga nomes de 9 líderes do Comando Vermelho abatidos em ação letal no RJ

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A.RICARDO / Shutterstock.com Foto: Ninho do Urubu - Foto: A.RICARDO / Shutterstock.com

A cúpula da segurança pública do Rio de Janeiro anunciou nesta sexta-feira, 31 de outubro de 2025, a identificação de 99 dos 117 mortos durante a megaoperação realizada na terça-feira, 28, nos complexos da Penha e do Alemão. A ação, batizada de Operação Contenção, visava desarticular lideranças do Comando Vermelho e conter a expansão da facção criminosa na Zona Norte da cidade. O secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, detalhou os resultados em coletiva de imprensa, destacando que a maioria das vítimas possuía mandados de prisão em aberto por crimes como tráfico de drogas e homicídio.

A operação mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, além de unidades especiais como o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Quatro policiais morreram nos confrontos, elevando o total de vítimas para 121, incluindo 117 suspeitos. As autoridades apreenderam 118 armas de fogo, com destaque para 91 fuzis, em um dos maiores volumes registrados em uma única ação no estado.

Os complexos da Penha e do Alemão serviram como alvos principais devido ao papel central que exercem na logística do Comando Vermelho. A facção utiliza essas áreas para distribuição de drogas e armas, além de abrigar fugitivos de outros estados. A investigação, que durou mais de um ano, identificou comunicações em aplicativos de mensagens usadas pelos líderes para coordenar atividades criminosas.

Corpos enfileirados em rua do Rio de Janeiro após operação policial mais letal da história da cidade 29/10/2025 REUTERS/Ricardo Moraes

Perfis dos líderes neutralizados

Autoridades policiais revelaram os nomes de nove chefes do tráfico abatidos na operação, todos com histórico de comando em regiões fora do Rio de Janeiro. Esses indivíduos buscavam refúgio nas comunidades cariocas para coordenar ações remotas em seus territórios originais.

  • Russo comandava o tráfico em Vitória, no Espírito Santo, e enfrentava investigações por tráfico de drogas e associação criminosa.
  • DG e FB atuavam na Bahia, controlando rotas de distribuição de entorpecentes para o Nordeste.
  • PP liderava operações no Pará, com mandados por homicídio e porte ilegal de armas.
  • Chico Rato e Gringo gerenciavam pontos de venda em Manaus, Amazonas, onde promoviam extorsões a comerciantes locais.
  • Mazola respondia pelo tráfico em Feira de Santana, Bahia, com ligações a importação de armamento pesado.
  • Fernando Henrique dos Santos controlava atividades em Goiás, incluindo lavagem de dinheiro proveniente do crime.
  • Rodinha operava em Itaberaí, no interior do Rio, focando em armazenamento de drogas.

Esses perfis foram confirmados por meio de cruzamento de dados com bancos nacionais de foragidos.

A neutralização desses líderes representa um revés à hierarquia do Comando Vermelho, que expandiu sua influência para 26 estados brasileiros desde os anos 1970.

Estratégia adotada na ação

Polícias formaram o chamado “Muro do Bope” para isolar os suspeitos na Serra da Misericórdia, direcionando-os para áreas de mata onde equipes especializadas aguardavam. Essa tática, planejada por 60 dias, baseou-se em inteligência que mapeou rotas de fuga e pontos de resistência.

A incursão começou às 5h da manhã, com drones e helicópteros monitorando movimentos. Criminosos responderam com barricadas de veículos incendiados e lançamento de bombas via drones, o que prolongou os confrontos por horas. Agentes relataram que muitos suspeitos usavam uniformes semelhantes aos policiais para confundir as equipes.

A operação resultou em 113 prisões, sendo 33 de outros estados, reforçando a rede interestadual da facção. Peritos da Polícia Federal e da Força Nacional auxiliam na análise de balística das armas apreendidas.

Investigadores identificaram grupos de mensagens usados pelos líderes para punir moradores e coordenar ataques a viaturas. Essa rede digital facilitou a rápida mobilização de reforços durante a ação.

O planejamento incluiu simulações para minimizar riscos a civis, embora o governador Cláudio Castro tenha lamentado as baixas entre os agentes.

Identificações e origens das vítimas

Dos 99 identificados, 39 procediam de outros estados, complicando o processo de reconhecimento no Instituto Médico-Legal. Treze vinham do Pará, sete do Amazonas, seis da Bahia, quatro do Ceará, quatro de Goiás, três do Espírito Santo, um do Mato Grosso e um da Paraíba.

Necropsias no Instituto Médico-Legal Afrânio Peixoto confirmam que 42 das vítimas tinham mandados pendentes, e 78 possuíam antecedentes por crimes graves. Equipes da Defensoria Pública montaram tendas para auxiliar famílias no atendimento.

O cruzamento com bancos de dados interestaduais acelerou as identificações, revelando que muitos fugitivos usavam as favelas do Rio como base segura. Autoridades estimam que a operação interrompeu fluxos de armas avaliados em milhões de reais.

Moradores relataram a retirada de corpos de áreas de mata na quarta-feira, 29, totalizando mais de 70 achados pela comunidade. Perícia balística prossegue para ligar as armas aos confrontos.

Expansão do Comando Vermelho

O Comando Vermelho surgiu nos presídios da Ilha Grande nos anos 1970 e evoluiu para uma organização que impõe regras em territórios controlados. A facção gerencia serviços paralelos em favelas, como cobrança de “taxas” por proteção.

Nos complexos da Penha e do Alemão, os pontos servem como centros de distribuição nacional de drogas e armamento. Líderes de fora do estado instalam-se nessas áreas para evitar capturas em seus redutos originais.

A operação expôs comunicações que ordenavam execuções e torturas a dissidentes. Inteligência indica que o grupo expandiu para 26 estados, com presença em rotas de exportação de cocaína.

Autoridades planejam transferências de presos para presídios federais de segurança máxima, visando isolar remanescentes da cúpula.

Busca pelo principal alvo

A prisão de Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca da Penha ou Urso, permanece como prioridade. Aos 55 anos, ele comanda o tráfico nos complexos-alvo e é considerado o principal líder atual do Comando Vermelho no Rio.

Doca acumula mandados por tráfico, homicídio e organização criminosa, com investigações ligando-o a importações de fuzis via portos. Equipes de elite mantêm vigilância em áreas adjacentes aos complexos.

O delegado Felipe Curi afirmou que a captura é “questão de tempo”, com base em novas pistas obtidas na operação. Reforços federais, incluindo a Polícia Rodoviária Federal, monitoram rotas de fuga potenciais.

Ações subsequentes visam desmantelar arsenais remanescentes identificados em buscas domiciliares.

Apreensões e logística desbaratada

Agentes confiscaram 91 fuzis, 26 pistolas e um revólver, além de munições e drogas ainda em contagem. O valor estimado das armas supera R$ 7 milhões no mercado negro, representando perda significativa para a facção.

Drones capturaram imagens de 83 criminosos fugindo armados pela mata, vestindo roupas camufladas. Isso facilitou a tática de contenção, que empurrou os suspeitos para emboscadas.

A operação interrompeu comunicações em aplicativos, expondo planos de retaliação. Peritos analisam celulares apreendidos para mapear redes remanescentes.

Buscas em moradias revelaram depósitos de entorpecentes e explosivos, reforçando o papel logístico das comunidades.

Repercussão entre autoridades

O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União cobraram explicações ao governo estadual sobre a letalidade da ação. Relatórios preliminares destacam a necessidade de perícias independentes nos corpos.

O Supremo Tribunal Federal sinaliza retomada da ADPF das Favelas, que regula operações em comunidades. Governador Cláudio Castro defendeu a integração com forças federais, solicitando blindados ao Exército.

Órgãos da ONU criticaram o número de mortes, pedindo investigações sobre possíveis violações. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar remoções irregulares de corpos pela comunidade.

Ações federais, como a Operação Forja, desmantelaram fábricas de fuzis ligadas ao Comando Vermelho, com apoio da Polícia Federal.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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