Cometa interestelar 3I/ATLAS revela composição rica em CO2 e níquel em observações recentes no Chile

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Imagens 3D do cometa 3I ATLAS Foto: Imagens 3D do cometa 3I ATLAS - Foto: jhonny marcell oportus/ shutterstock.com

Astrônomos confirmaram a detecção do cometa 3I/ATLAS, o terceiro objeto interestelar conhecido, pelo sistema ATLAS no deserto de Atacama, no Chile, em 1º de julho de 2025. O corpo celeste, originário de outro sistema estelar, move-se em trajetória hiperbólica a mais de 61 km/s, sem ligação gravitacional com o Sol. Essa passagem permite análises detalhadas de materiais formados em ambientes distantes, sem representar ameaça à Terra, com distância mínima de 270 milhões de quilômetros.

O cometa atingiu o periélio em 29 de outubro de 2025, a 210 milhões de quilômetros do Sol, e observações recentes mostram atividade gasosa crescente. Telescópios como o James Webb capturaram dados infravermelhos que revelam sua composição única. Equipes internacionais coordenam monitoramento para mapear mudanças na superfície.

  • Observações preliminares indicam núcleo de cerca de 1 km de diâmetro.
  • A velocidade de sublimação de gases aumenta 20% a cada milhão de quilômetros de aproximação ao Sol.
  • Nenhuma fragmentação foi registrada até o momento, apesar da proximidade solar.
cometa
cometa – Foto: Nazarii_Neshcherenskyi/Shutterstock.com

Detecção inicial pelo sistema ATLAS

O telescópio ATLAS, financiado pela Nasa e localizado em Río Hurtado, identificou o objeto durante varreduras rotineiras em junho de 2025. Dados preliminares de arquivos revelaram imagens de 14 de junho, confirmando a origem interestelar pela excentricidade orbital superior a 6. Cálculos da União Astronômica Internacional validaram a classificação em poucos dias.

Equipes no Observatório Europeu do Sul e no Havaí contribuíram com confirmações independentes. A inclinação orbital baixa, próxima ao plano da eclíptica, facilitou o rastreamento inicial. Observações de maio pelo satélite TESS da Nasa sugerem atividade cometária precoce, a 6,4 unidades astronômicas do Sol.

Análise química da coma e cauda

Espectros obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble em 21 de julho de 2025 mostraram uma coma avermelhada, indicativa de poeira fina. A presença de vapor de água e monóxido de carbono diferencia o 3I/ATLAS de cometas solares típicos. Análises do Very Large Telescope no Chile detectaram vapor de níquel em níveis elevados, medidos por espectrógrafos durante múltiplos dias.

O dióxido de carbono congelado domina a superfície, sugerindo formação em temperaturas abaixo de -100°C. A liberação de gases forma uma cauda de 0,5 minutos de arco, apontando para leste, afastada do Sol pela pressão de radiação. Modelos de evolução química comparam esses dados com discos protoplanetários de outros sistemas.

Estudos indicam que o objeto pode ter mais de 7 bilhões de anos, originário do disco espesso da Via Láctea. A cor avermelhada da coma evoluiu para tons mais intensos em julho, refletindo mudanças na composição. Níveis de cianeto e sulfeto de carbonila foram quantificados em observações de outubro.

Monitoramento global e colaborações

Telescópios terrestres em Gavaí, Espanha e Austrália registram variações diárias na luminosidade. O Observatório Gemini Sul, no Chile, capturou imagens em 27 de agosto de 2025, revelando uma coma condensada com núcleo brilhante. Mais de 50 instituições de 20 países integram o esforço, coordenado pelo Minor Planet Center.

A Agência Espacial Europeia usou as sondas Mars Express e ExoMars Trace Gas Orbiter para observações em outubro, a 19 milhões de quilômetros de distância. Dados do satélite GOES-19 capturaram o cometa durante a conjunção solar em 21 de outubro. O Telescópio Vera C. Rubin, em operação no Chile, ampliou a detecção precoce.

  • A Rede Internacional de Alerta de Asteroides realiza exercícios de astrometria precisa.
  • O instrumento NIRSpec do James Webb mapeou distribuições de materiais em 6 de agosto.
  • Observações de rádio buscam emissões de moléculas como hidroxila.

Trajetória futura e saída do Sistema Solar

Após o periélio, o 3I/ATLAS acelera para além de 40 km/s, cruzando a órbita de Marte em dezembro de 2025. A influência gravitacional solar diminui gradualmente, permitindo saída interestelar. Observações ópticas terminam em meados de 2026, quando a distância excede limites de detecção.

A aceleração não gravitacional, medida em 1,662 × 10⁻⁶ au/dia², sugere forças adicionais como ejeção de gases. Modelos preveem pico de brilho em magnitude 10 nas próximas semanas, visível em telescópios amadores. A passagem por Gêmeos em 2026 marca o adeus definitivo.

O objeto segue plano orbital alinhado com planetas, passando próximo a Júpiter e Vênus. Sondas como Europa Clipper e Hera podem cruzar sua cauda entre 30 de outubro e 6 de novembro de 2025. Distância mínima à Terra ocorre em 19 de dezembro, a 271 milhões de quilômetros.

Comparações com visitantes anteriores

Diferente de 1I/ʻOumuamua, descoberto em 2017 sem atividade cometária, o 3I/ATLAS exibe cauda gasosa proeminente. Em relação a 2I/Borisov de 2019, apresenta maior concentração relativa de CO2, com menos vapor de água. Essas diferenças destacam variações em processos de formação interestelar, fornecendo dados sobre condições em sistemas remotos.

Análises espectrais confirmam ausência de poeira fina típica de cometas locais, com emissões moleculares específicas. A detecção de hidroxila pelo Observatório Neil Gehrels Swift reforça a presença de água, um marcador de potencial habitabilidade em origens distantes. Cada objeto adiciona camadas únicas ao catálogo de intrusos cósmicos, refinando modelos galácticos.

Observações recentes e anomalias detectadas

Em 25 de outubro de 2025, equipes registraram o cometa visível próximo ao Sol, contrariando previsões de ocultação. Imagens do coronógrafo CCOR-1 no satélite GOES-19 mostram posição em ascensão reta 13h 38m, sem sombreamento solar. A luminosidade estabilizou em magnitude 14,7, com coma de 0,6 minutos de arco.

Mudanças espectrais para tons azulados ocorreram perto do periélio, com temperatura excessiva de 5.000 K. A aceleração contínua no plano orbital, sem componente vertical, intriga modeladores. Observações do Instituto de Astrofísica de Canarias confirmaram atividade em 2 de julho, com alongamento de cauda de 3 segundos de arco.

A composição evolui com sublimação, liberando organohalogenos fracionados em +650‰. Dados do Telescópio Canadá-França-Havaí revelam elipsóide alongado no núcleo. Campanha astrométrica de novembro de 2025 a janeiro de 2026 refina órbita, integrando contribuições amadoras.

Detalhes técnicos das medições

Instrumentos de alta resolução identificam emissões de moléculas como cianeto e níquel a 1.000 K. Espectros do Nordic Optical Telescope em 2 de julho de 2025 exibem aparência difusa ativa. A taxa de sublimação projeta brilho máximo em magnitude 10, acessível a telescópios de 15-25 cm.

Observações do Transiting Exoplanet Survey Satellite indicam atividade desde maio de 2025. A coma avermelhada, similar a 2I/Borisov, escureceu em julho devido a poeira. Modelos preveem ausência de surtos até o momento, com níveis de brilho constantes.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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