Ciência

Cometa 3I/ATLAS se aproxima da Terra em dezembro e cientistas debatem sua origem interestelar única

NASA
Foto: NASA - LaserLens/Shutterstock.com
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O cometa 3I/ATLAS, o terceiro objeto interestelar já catalogado, está no centro de um intenso debate científico desde sua descoberta em 1º de julho. Suas características incomuns, como alta velocidade e variações de cor, levaram a especulações minoritárias sobre a possibilidade de ser uma sonda alienígena. Contudo, a maioria dos astrônomos defende que as evidências robustas confirmam sua natureza como um corpo celeste natural. A expectativa é que o objeto atinja sua maior proximidade com a Terra no mês de dezembro, oferecendo uma nova janela de observação.

O enigma da velocidade e a raridade interestelar

As primeiras análises do 3I/ATLAS indicaram uma velocidade recorde entre os visitantes de fora do nosso sistema.

Viajando pelo Sistema Solar a 60 km/s, o objeto supera significativamente os seus antecessores interestelares, o 1I/’Oumuamua e o 2I/Borisov. Estes atingiram picos de 26 km/s e 32 km/s, respectivamente. Essa velocidade atípica é um dos fatores que contribuíram para a efervescência das teorias alternativas sobre sua origem.

O 3I/ATLAS é apenas o terceiro cometa interestelar a ser identificado, o que por si só já o torna um objeto de estudo fundamental. Os dados coletados até agora são cruciais para compreender a formação e a dinâmica de corpos celestes em galáxias distantes, fornecendo pistas sobre a composição química de outros sistemas estelares.

Alterações cromáticas e emissão de rádio

A mudança de cores apresentada pelo cometa é uma de suas propriedades mais fascinantes.

  • Inicialmente, o objeto emitia uma luz avermelhada, provavelmente associada à grande quantidade de poeira liberada em sua superfície.
  • Em setembro, o cometa passou a exibir uma tonalidade verde, que os cientistas atribuem à presença de dicarbono ou cianeto na coma (a nuvem de gás e poeira ao redor do cometa).
  • Entre setembro e o final de outubro, o 3I/ATLAS foi visto com uma cor azulada, que especialistas acreditam estar ligada à emissão de moléculas de cianogênio e amônia.
3IATLAS
3IATLAS – Foto: Jack_the_sparow/Shutterstock.com

Outro aspecto que gerou burburinho foi a detecção de comprimentos de onda de rádio por um conjunto de radiotelescópios na África do Sul. Apesar de ter alimentado as especulações sobre uma nave alienígena, a produção desses sinais é um fenômeno natural em cometas. Ocorre quando a água em estado sólido do cometa sublima (passa para o estado gasoso) ao se aproximar do Sol, um evento comum até em cometas originários do Sistema Solar.

NASA e a confirmação de comportamento cometário

O aumento repentino de luminosidade em meados de outubro também chamou a atenção dos observadores. Quando atingiu o periélio (ponto mais próximo do Sol), o 3I/ATLAS estava duas vezes mais brilhante do que o usual para objetos de seu tipo, um fenômeno cuja causa exata ainda está sob investigação.

Em outubro, a NASA divulgou um posicionamento oficial após investigações detalhadas com telescópios terrestres e espaciais. A agência espacial não detectou qualquer sinal que fugisse do comportamento esperado para um cometa. O cientista-chefe Tom Statler, em declaração a um portal britânico, ressaltou que, “apesar de ter algumas propriedades interessantes que são um pouco diferentes dos cometas do nosso Sistema Solar, ele se comporta como um cometa”.

Aproximação máxima e visibilidade para o público

A maior aproximação do 3I/ATLAS com o nosso planeta está prevista para 19 de dezembro. Nesse momento, o objeto deve atingir uma distância de aproximadamente 270 milhões de km da Terra.

Essa distância, embora segura, possibilita uma série de novas e mais precisas observações científicas. No entanto, sem equipamentos de visualização apropriados, como telescópios de médio ou grande porte, a chance de avistar o cometa a olho nu é remota. A comunidade astronômica global segue monitorando o 3I/ATLAS para coletar dados que ajudem a desvendar a origem e o comportamento do terceiro cometa interestelar já descoberto.

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