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Tumba de 2900 a.C. com adornos de dentes perfurados é descoberta no sul de Wrocław

Tumba Egito
Foto: Tumba Egito -Abrill_/Shutterstock.com
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Um sepultamento masculino datado de aproximadamente 2900 a.C. foi desenterrado sob uma necrópole do Período Romano nas proximidades do vilarejo de Zorawina, região localizada ao sul da cidade de Wroclaw. A cova continha a ossada de um homem sepultado com peças rituais específicas e vestígios humanos extras que não pertenciam à estrutura anatômica principal da sepultura pré-histórica.

A descoberta ocorreu durante trabalhos de campo que investigavam níveis arqueológicos sobrepostos, momento em que os pesquisadores perfuraram camadas inferiores de um cemitério romano e localizaram o leito fúnebre anterior ao primeiro milênio antes da era comum. O indivíduo repousava em posição característica dos costumes funerários do período, acompanhado diretamente por artefatos fabricados a partir de matérias-primas minerais e biológicas, cujas especificidades técnicas revelam métodos complexos de manufatura manual de quase cinco milênios atrás.

Artefatos depositados na sepultura masculina detalham práticas do período

As escavações realizadas na área rural de Zorawina identificaram elementos materiais distintos dispostos ao redor e sobre os restos mortais do homem sepultado, compondo um conjunto funerário singular:

  • Colar com 42 dentes de animais: o adorno corporal estava posicionado próximo à parte superior do esqueleto, composto inteiramente por dentes da fauna local furados um a um na zona da raiz para permitir a passagem de cordões orgânicos de fixação. Cada peça passou por um trabalho de desgaste deliberado na extremidade radicular, processo que exigia precisão mecânica para não fraturar o esmalte dentário durante as perfurações individuais que formavam a peça ornamental contínua.
  • Machado feito de serpentinito: a ferramenta de pedra polida, produzida a partir de uma rocha metamórfica esverdeada conhecida por sua densidade e relativa facilidade de corte quando trabalhada com abrasivos, trazia ranhuras nítidas e lascamentos mecânicos decorrentes de atrito repetitivo em sua borda ativa. As fraturas visíveis na lâmina indicam que o instrumento cumpriu funções materiais práticas antes de integrar o ritual fúnebre, descartando a hipótese de uma confecção puramente simbólica destinada apenas ao momento da deposição na cova.
  • Fragmentos ósseos cranianos adicionais: os arqueólogos recolheram partes dispersas de dois outros crânios de indivíduos adultos inseridos intencionalmente dentro do mesmo espaço mortuário que abrigava a ossada primária. Esses ossos parciais pertenciam a adultos diferentes e não apresentavam conexão com o restante da estrutura corporal do homem enterrado, configurando um enigma estratigráfico sobre a circulação, manipulação prévia ou sacrifício associado àquela sepultura antiga.
Arqueólogo
Arqueólogo – Kostyantyn Skuridin/ Shutterstock.com

A coexistência dessas peças na mesma cavidade sugere que o homem enterrado possuía papel de relevância entre seu grupo ao sul de Wroclaw. Os 42 dentes perfurados demandaram a caça ou abate de dezenas de presas, além de representarem horas de trabalho contínuo de perfuração em matéria óssea densa. Por sua vez, o machado de rocha metamórfica comprova a extração e a circulação de minerais resistentes através da bacia geográfica regional.

A sobreposição deste enterro de 2900 a.C. pelo cemitério do Período Romano demonstra a ocupação contínua da mesma elevação do terreno de Zorawina ao longo de milênios. Povos separados por quase três mil anos escolheram a mesma coordenada espacial para depositar seus mortos. Os fragmentos dos dois crânios adultos continuam em processo de análise osteológica em laboratório para determinar o perfil biológico dos restos ósseos encontrados ao lado do homem com o colar de dentes.

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