Saúde em alerta: obesidade cresce 90% entre jovens de 18 a 24 anos e revela crise de hábitosPor Luís Henrique Costa
6 min de leitura
![]() |
Um levantamento recente sobre a saúde da população revela um cenário preocupante para a juventude. Dados do inquérito Covitel 2023 apontam um aumento de 90% na prevalência de obesidade entre pessoas na faixa etária de 18 a 24 anos, um crescimento que acende um sinal de alerta para as condições de vida e os hábitos adotados por essa geração.
A pesquisa identifica uma combinação de fatores como a principal responsável por essa escalada. Entre as causas estão o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, a baixa ingestão de frutas e vegetais, o sedentarismo acentuado e questões de saúde mental, como a ansiedade, que frequentemente impactam as escolhas alimentares e o estilo de vida.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
Este crescimento expressivo coloca em evidência um desafio de saúde pública que transcende a questão individual. A condição na juventude está diretamente associada ao desenvolvimento precoce de doenças crônicas, exigindo uma atenção coordenada entre famílias, sociedade e políticas públicas para reverter a tendência e promover um futuro mais saudável.
Fatores por trás do aumento expressivo
A dieta dos jovens adultos aparece como um dos principais vetores do problema. O estudo mostra que o consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em gorduras, açúcares e sódio, é significativamente alto neste grupo, enquanto a presença de alimentos naturais na rotina é baixa.
A ingestão regular de frutas, legumes e verduras, recomendada para a manutenção da saúde, atinge níveis insuficientes. Apenas 33,5% dos jovens consomem frutas e 39,2% consomem hortaliças cinco ou mais vezes por semana, indicando uma deficiência nutricional importante.
O consumo de bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos artificiais, também contribui de forma direta para o ganho de peso. Aliado a isso, o consumo de bebidas alcoólicas, muitas vezes calóricas e associadas a escolhas alimentares inadequadas, agrava o quadro.
Questões emocionais, como a ansiedade, também foram destacadas pela pesquisa como um gatilho para comportamentos alimentares compulsivos. A busca por conforto em alimentos calóricos é uma resposta comum que contribui para o ciclo do ganho de peso.
O papel do ambiente digital e sedentarismo
O sedentarismo é outro pilar central neste cenário, fortemente influenciado pelo comportamento digital. A pesquisa aponta que os jovens de 18 a 24 anos lideram o ranking de tempo de tela, com 76,1% deles passando três horas ou mais por dia em dispositivos como celulares, tablets ou televisão para fins de lazer. Esse hábito não apenas substitui a prática de atividades físicas, mas também está associado ao consumo de lanches e refeições de baixa qualidade nutricional durante o uso das telas, potencializando o ganho de peso.
A qualidade do sono também surge como um fator de risco relevante. De acordo com o levantamento, apenas 54,2% dos jovens nessa faixa etária dormem a quantidade de horas recomendada. A privação de sono afeta a regulação de hormônios ligados ao apetite, como a grelina e a leptina, o que pode levar a um aumento da fome e da preferência por alimentos altamente calóricos. Além disso, a falta de um sono reparador está ligada ao desenvolvimento de condições como hipertensão e depressão, que podem complicar ainda mais o quadro de excesso de peso.
Riscos associados ao excesso de peso na juventude
O aumento do peso corporal durante a juventude não representa apenas uma questão estética, mas um grave risco à saúde a curto e longo prazo. O excesso de gordura corporal eleva consideravelmente a probabilidade de desenvolvimento de doenças crônicas que antes eram mais comuns em adultos mais velhos. Entre as principais ameaças estão a resistência à insulina, que pode evoluir para diabetes tipo 2, e a hipertensão arterial, um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). A sobrecarga nas articulações também pode levar a problemas ortopédicos precoces, causando dor e limitando a mobilidade. Adicionalmente, condições como a apneia do sono e o acúmulo de gordura no fígado são cada vez mais diagnosticadas neste público, comprometendo a qualidade de vida e a longevidade.
Prevenção começa com hábitos familiares
A base para evitar o excesso de peso na vida adulta é construída durante a infância e a adolescência. O ambiente familiar desempenha um papel fundamental na formação de hábitos saudáveis duradouros.
É essencial que pais e cuidadores incentivem uma relação positiva com a comida e a atividade física, sem focar excessivamente no peso corporal. A estratégia mais eficaz é envolver toda a família na adoção de um estilo de vida mais ativo e uma alimentação equilibrada.
Estabelecer rotinas, como horários fixos para as refeições e realizar refeições em conjunto, fortalece os laços e permite um melhor controle sobre a qualidade do que é consumido. Desencorajar o hábito de comer assistindo à televisão ou usando o celular ajuda a criar maior consciência alimentar.
Estratégias de tratamento para jovens adultos
Para os jovens que já enfrentam o excesso de peso, o tratamento deve ser baseado em uma abordagem multidisciplinar e individualizada. O primeiro passo é buscar orientação profissional para uma avaliação completa do quadro de saúde.
Uma equipe composta por médico, nutricionista e, em muitos casos, um psicólogo, pode oferecer o suporte necessário para promover mudanças de comportamento que sejam sustentáveis a longo prazo, focando na saúde integral e não apenas na perda de peso.
Reeducação alimentar e atividade física
A reeducação alimentar é um dos pilares do tratamento. O processo consiste em aprender a fazer escolhas mais saudáveis de forma gradual, substituindo alimentos ultraprocessados por opções mais nutritivas e naturais, sem a necessidade de restrições severas que geram frustração.
Paralelamente, a inclusão de uma atividade física regular é indispensável. A chave para a adesão é encontrar uma modalidade que seja prazerosa, seja uma caminhada, musculação, dança ou um esporte coletivo, transformando o exercício em parte da rotina.
Intervenções para casos mais complexos
Em situações de obesidade mais severa, quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar o peso e as doenças associadas, podem ser consideradas intervenções médicas. Procedimentos como a colocação de um balão intragástrico, por exemplo, podem ser indicados como uma medida temporária para auxiliar na perda de peso inicial e na melhora de condições como diabetes e hipertensão, sempre sob rigorosa supervisão médica.















