Adonis retira xarope de Boldo L’Érabeille das prateleiras após descoberta de produto adulterado em Quebec

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O xarope de bordo L'Érabeille é vendido na Adonis, cujo rótulo omite a menção à empresa de Steve Bourdeau - Cortesia Foto: O xarope de bordo L'Érabeille é vendido na Adonis, cujo rótulo omite a menção à empresa de Steve Bourdeau - Cortesia

Os supermercados Adonis estão retirando de suas prateleiras o xarope de bordo L’Érabeille, que foi identificado como contendo produto adulterado fornecido por Steve Bourdeau. Este produtor já havia sido alvo de denúncias por vender xarope falsificado em outras redes de supermercados. A ação de recolhimento ocorre após análises laboratoriais confirmarem a presença de açúcar de cana misturado ao xarope puro.

A distribuidora L’Érabeille, sediada em Gatineau, havia adquirido o xarope de Bourdeau, expressando surpresa e frustração com a situação. A Metro, proprietária da rede Adonis, confirmou que o processo de retirada dos produtos foi iniciado imediatamente em suas filiais em Quebec e Ontário. O incidente levanta preocupações sobre a fiscalização de produtos alimentícios e o impacto na reputação de empresas envolvidas.

Retirada dos produtos e primeiras reações

A decisão de remover o xarope L’Érabeille das lojas da Adonis foi tomada após a revelação de que o produto vinha de um fornecedor já conhecido por falsificação. O rótulo da L’Érabeille ocultava a identificação da empresa 9227-8712 Québec inc., de propriedade do produtor Steve Bourdeau, cujo xarope foi comprovadamente adulterado. A notícia gerou uma resposta rápida dos supermercados, que agiram para garantir a integridade dos itens vendidos.

Pierre Alain, proprietário da L’Érabeille, lamentou profundamente o ocorrido, destacando o impacto negativo na imagem de sua distribuidora. “É horrível. As pessoas fazem qualquer coisa para enriquecer”, desabafou Alain, que afirmou estar recolhendo todo o estoque adquirido de Bourdeau. A cadeia de fornecimento de alimentos, que muitas vezes depende da confiança entre distribuidores e produtores, foi abalada por esta descoberta, forçando um controle mais rigoroso e imediato.

O esquema de falsificação e a adulteração

As investigações revelaram que os produtos vendidos por Steve Bourdeau continham xarope adulterado com pelo menos 50% de açúcar de cana. Esta prática desleal não só engana o consumidor, que paga por xarope de bordo puro, mas também prejudica os produtores legítimos. A adulteração foi confirmada por análises laboratoriais realizadas a pedido da equipe investigativa, expondo o método do produtor.

Anteriormente, o xarope Angela, também ligado a Steve Bourdeau, já havia sido retirado das lojas IGA pela mesma razão. Isso indica um padrão de conduta por parte do produtor de Saint-Chrysostome, em Montérégie. O produtor Bourdeau utilizava rótulos que encobriam a verdadeira origem do xarope, bem como latas genéricas, dificultando a identificação imediata dos produtos falsificados pelos consumidores e até mesmo por alguns distribuidores.

Impacto nos distribuidores e a investigação

A Associação dos Produtores de Xarope de Bordo de Quebec (PPAQ) tem desempenhado um papel crucial na denúncia e acompanhamento da situação. Luc Goulet, presidente da PPAQ, enfatizou que muitos distribuidores fizeram negócios com o produtor e precisam agora retirar os produtos adulterados do mercado. A associação realizou seus próprios testes de laboratório para desmascarar a fraude, agindo onde a fiscalização oficial ainda não havia chegado.

Os impactos financeiros e reputacionais para os distribuidores são significativos. Sylvain Desgranges, proprietário da Distributions JL, que comprou xarope de Bourdeau, expressou arrependimento e prometeu enviar amostras para análise. A falta de um recolhimento oficial por parte do governo não impediu que os supermercados agissem proativamente, mas a PPAQ apresentou uma denúncia ao Ministério da Agricultura, Pescas e Alimentação de Quebec, resultando no início de uma investigação formal para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos.

  • Empresas impactadas pela retirada:
  • * Supermercados Adonis (pertencente à Metro)
    * L’Érabeille (distribuidora de Gatineau)
    * Lojas IGA (xarope Angela)
    * Distributions JL (distribuidora)
    * Farm Boy

  • Ações tomadas:
  • * Retirada de produtos das prateleiras
    * Denúncia à PPAQ ao Ministério da Agricultura, Pescas e Alimentação de Quebec
    * Início de investigação formal por parte do Ministério
    * Testes laboratoriais independentes realizados pela PPAQ

Escala da fraude e alcance do produto

A extensão da operação de Steve Bourdeau revela a gravidade do esquema. Em gravações ocultas, o produtor chegou a afirmar ter vendido 1 milhão de latas de alimento no ano anterior, embora tenha revisado o número para cerca de 700 mil em contato telefônico posterior. Essa quantidade substancial indica que o xarope adulterado alcançou um grande número de consumidores.

Os produtos de Bourdeau foram distribuídos para algumas das maiores redes de supermercados, incluindo Metro, IGA e Farm Boy. Além disso, ele também vendia para restaurantes e, segundo um associado, exportava o xarope para a Europa. No entanto, Bourdeau contradisse essa última informação por e-mail, negando a exportação. Sua página no Facebook, que anunciava envios “para o mundo todo”, foi fechada recentemente, reforçando a tentativa de apagar rastros. O produtor, em sua defesa, alegou que o xarope adulterado poderia ter vindo de um de seus fornecedores, afirmando cumprir todas as leis e regulamentos aplicáveis.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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