A segunda volta das eleições presidenciais no Peru segue decidida voto a voto. Com 95,8% dos votos apurados, o candidato de esquerda Roberto Sánchez, de 57 anos, continua liderando o resultado oficial da ONPE com 50,07% dos sufrágios, 23 mil a mais que a candidata de direita Keiko Fujimori, de 51 anos. A representante do Fuerza Popular, que havia assumido a dianteira inicialmente graças aos votos da capital Lima, voltou a reduzir a diferença com o apoio dos peruanos que vivem fora do país, onde conquista dois em cada três votos.
Polêmica em torno das projeções da Ipsos
As declarações recentes de Alfredo Torres, presidente executivo da Ipsos, geraram controvérsia no meio do apuramento acirrado. Embora o levantamento rápido completo divulgado pela empresa no domingo tenha dado vantagem estreita a Roberto Sánchez 50,3% contra 49,7% de Keiko Fujimori, Torres afirmou há poucas horas na televisão nacional que, ao incluir variáveis ainda pendentes como o voto no exterior e as atas observadas, a maioria dos cenários estatísticos preparados pela Ipsos aponta para vitória da candidata do Fuerza Popular. As falas geraram reação do Juntos por el Perú.
Roberto Zunini, secretário-geral da legenda de Sánchez, criticou o fato de o próprio dirigente da empresa questionar o trabalho da sua equipe. “É muito estranho que o senhor Alfredo Torres saia para se desmentir, para menosprezar o próprio estudo. Desde quando a estatística deixou de ser ciência?”, questionou.
A Transparência, entidade que fiscaliza o levantamento rápido feito pela Ipsos, lembrou que os números divulgados estão dentro de uma margem de erro de 1,9%, por isso qualquer diferença entre os candidatos deve ser vista com cautela.
O absenteísmo, outro grande personagem das eleições
O absenteísmo se tornou um elemento decisivo na segunda volta pela Presidência do Peru. Dos 27.325.432 peruanos convocados às urnas no último domingo, 25% optaram por ficar em casa, o que representa quase sete milhões de eleitores.
Trata-se do maior índice, depois da pandemia, de eleitores ausentes em segundas voltas nos últimos 20 anos. Na primeira volta das eleições gerais realizadas em abril, 7,1 milhões de eleitores não compareceram. No Peru, o voto é obrigatório.
O voto do exterior equilibra a disputa
A inclusão de mais cédulas vindas dos consulados peruanos no exterior segue equilibrando a balança. Embora Keiko Fujimori tenha reduzido ligeiramente o percentual de votos a seu favor nesse segmento, para 64% (dois pontos percentuais a menos que na atualização anterior), a chegada de atas do exterior permitiu diminuir a desvantagem total para 23 mil votos. Ainda falta bastante para apurar: o escrutínio geral (interior e exterior) está em 95,84% e o das atas consulares ultrapassa pouco os 26%. A tendência parece favorecer Fujimori, mas ainda há disputa pela frente.
A contagem aponta para empate até o fim
Nova atualização do apuramento, com cada vez mais atas de voto exterior incorporadas. Com quase uma em cada quatro já processadas, o panorama geral muda ligeiramente a favor de Fujimori, que alcança 49,93% dos votos totais contra 50,07% de Roberto Sánchez. Dois em cada três votos depositados nos consulados peruanos no exterior continuam indo para a candidata da direita.
Sem novidades nas últimas horas
O escrutínio está parado, sem nenhuma alteração no contagem nas últimas horas. A tendência parece favorecer Keiko Fujimori, filha do ex-autocrata Alberto Fujimori, impulsionada pelo voto exterior. No entanto, o candidato de esquerda Roberto Sánchez ainda tem chances caso seu desempenho nas urnas internas restantes seja bom. O processo deve ser longo, de dias ou semanas, já que as atas do exterior ainda precisam chegar a Lima para serem incorporadas ao apuramento.
A diferença continua diminuindo
Keiko Fujimori encurta distâncias graças ao voto exterior, um reduto importante onde a candidata de direita obtém dois em cada três votos e onde ainda resta muito a ser apurado. Com algo menos de 95,7% dos sufrágios processados, a líder do Fuerza Popular está a pouco mais de 26 mil votos do candidato do Juntos por el Perú, Roberto Sánchez.
Ipsos prevê vitória de Fujimori apesar da dianteira parcial de Sánchez
Alfredo Torres, presidente executivo da Ipsos, avalia que, embora o apuramento parcial dê leve vantagem a Roberto Sánchez, ainda faltam incluir segmentos do eleitorado que historicamente apoiam Keiko Fujimori, como o voto dos peruanos no exterior, grupo que costuma se inclinar para a direita.
Torres chamou atenção também para as atas observadas e impugnadas, concentradas em Lima, onde a candidata do Fuerza Popular teve apoio majoritário. “Fizemos cálculos internos com diferentes cenários e a verdade é que na maior parte deles vence Fujimori. O percentual que vemos agora quase não inclui voto estrangeiro”, alertou.
Pouco mais de 400 mil peruanos votaram no exterior na primeira volta pela Presidência, realizada em 12 de abril. Com 95,14% dos votos da segunda volta de domingo apurados, Sánchez tem 50,12%, vantagem parcial de 42.409 sufrágios sobre Fujimori.
Escrutado 95%, Sánchez lidera por 41 mil votos sobre Fujimori
O candidato de esquerda Roberto Sánchez amplia aos poucos sua vantagem sobre Keiko Fujimori. Com 95% apurados pela ONPE, o aspirante presidencial pela esquerda registra 50,11% dos votos, contra 49,88% da representante da direita. A diferença a favor de Sánchez é de quase 42 mil votos, vantagem que aumentou depois que a ONPE computou os votos das zonas rurais mais distantes de Lima.
Sánchez precisa ampliar ao máximo sua diferença, à espera da chegada à ONPE, na quarta-feira, de cerca de 4 mil atas dos votos emitidos no exterior. Na primeira volta pela Presidência, esses sufrágios favoreceram amplamente a direita.
Fujimori pede espera pelo apuramento completo e reafirma que respeitará o resultado
A candidata de direita Keiko Fujimori, que disputa voto a voto a Presidência do Peru contra o candidato de esquerda Roberto Sánchez, reiterou nesta segunda-feira seu apelo à “tranquilidade e serenidade” para aguardar o fim do apuramento, cujos resultados ela disse que respeitará “sejam quais forem”.
O resultado da votação de domingo indica um final voto a voto que antecipa um processo longo. Nesta segunda, com 94,9% do escrutínio, Sánchez aparece na frente com 50,01% dos votos, contra 49,9% de Fujimori.
“Temos que esperar até o final. Cada ata vai ser muito importante. O que cabe neste momento é paciência e muita serenidade”, declarou a jornalistas ao sair de casa Fujimori, que naquele momento ainda liderava a contagem. Fujimori concorre pela quarta vez à Presidência após perder as três segundas voltas anteriores.
“Faço um chamado aos representantes legais, que temos mais de cem no país e que vão ter que lutar e analisar cada uma dessas atas. Teremos que ver e respeitar os resultados sejam quais forem”, afirmou a candidata, que em 2021 não aceitou sua derrota contra o esquerdista Pedro Castillo ao denunciar sem provas consistentes suposta fraude.
A filha e herdeira política do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) indicou que o resultado revela “uma grande divisão dos peruanos, e cabe aos partidos políticos e seus dirigentes construir as pontes necessárias”. “Da nossa parte há toda a disposição”, disse. Fujimori reiterou que vão esperar até o último voto e conclamou todos os peruanos a fazerem o mesmo. (EFE)
A chegada dos votos do exterior termina na quarta-feira
Na próxima quarta-feira termina a chegada ao Peru das atas de votação dos peruanos no exterior, que correspondem a 2.506 mesas instaladas em 73 países para votar na segunda volta, o que fechará o cômputo das cédulas que definirá o vencedor entre o candidato de esquerda Roberto Sánchez e a candidata de direita Keiko Fujimori, informou o Itamaraty nesta segunda.
O traslado do material eleitoral usado nas mesas do exterior começou nesta segunda, continuará chegando de diferentes partes do mundo para a Oficina Nacional de Procesos Electorales (ONPE) e concluirá na quarta-feira 10 de junho, indicou o Ministério das Relações Exteriores.
Até o momento, a ONPE contabilizou 94,9% das atas totais de votação, mas resta a totalidade das 2.506 atas de igual número de mesas instaladas no exterior. O Ministério das Relações Exteriores informou que a segunda eleição presidencial no exterior terminou com total normalidade e fluidez graças ao trabalho coordenado das 119 repartições consulares nos 219 locais de votação.
A jornada de domingo incluiu a fusão de 490 mesas de votação, principalmente em cidades da Europa e Estados Unidos, o que foi feito conforme a norma vigente, e o processo eleitoral terminou após o fim da contagem das atas nas sedes consulares. Além disso, em cumprimento à Lei Orgânica de Eleições, uma cópia da ata eleitoral foi exposta nas sedes dos consulados, ficando visível para a comunidade peruana interessada, acrescentou o Itamaraty.
Restam cerca de 4.700 atas por processar, entre as quais estão as do exterior e de regiões mais remotas do país como a amazônica Loreto. (EFE)

