Bebê de 18 dias inspira mãe a lutar pela vida em escombros após terremotos devastadores na VenezuelaPor Carolina Costa
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Dayana Patino encontrou no filho recém-nascido, de apenas 18 dias, a motivação essencial para resistir sob os destroços de um edifício que colapsou durante os terremotos recentes na Venezuela. Resgatada após mais de 30 horas ao lado de seu filho, Juan David, a mãe revelou a uma emissora britânica que a verificação constante da respiração do bebê era sua única fonte de energia para permanecer consciente.
Essa incessante preocupação com o recém-nascido destaca o profundo instinto maternal que, muitas vezes, suplanta a própria autopreservação em situações extremas, um aspecto psicológico poderoso frequentemente subestimado em relatos iniciais focados apenas nos fatos do resgate. “Se meu filho estivesse respirando, eu também estaria viva”, disse Dayana, descrevendo como tocava o nariz do pequeno intermitentemente para garantir que ele continuava a respirar.
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O resgate de Dayana e Juan David teve repercussão global, com as imagens do momento tornando o bebê um emblema de esperança em meio à devastação. Os dois tremores que abalaram a Venezuela na quarta-feira causaram a morte de pelo menos 1.450 pessoas.
Dezenas de milhares de pessoas permanecem desaparecidas, e as equipes de resgate continuam atuando, apesar da redução nas probabilidades de localizar mais sobreviventes. O líder interino da Venezuela descreveu o desastre como a “catástrofe natural mais devastadora” já vivida pela nação.
O desafio da sobrevivência sob os destroços
Dayana estava em seu apartamento, localizado no oitavo andar de um edifício na cidade costeira de La Guaira, ao norte da Venezuela, lavando a louça quando os primeiros tremores foram sentidos. Ao perceber o abalo inicial, ela instintivamente correu para proteger o bebê, pensando ser apenas um leve tremor, mas logo em seguida, a estrutura do prédio cedeu.
“Tive a sensação de estar flutuando no ar. Em seguida, parecia que eu afundava em uma mistura de água e terra, até cair no espaço onde fiquei presa. É um mistério para mim como não soltei meu bebê, mesmo com a força do impacto que me arremessava. Fiquei esmagada por mobiliários”, descreveu.
Ela relatou que, assim que ficou imóvel, tentou chamar por ajuda, porém, notou que suas súplicas não eram ouvidas. “Decidi que não gastaria minhas energias. Gritaria apenas quando fosse o momento certo, ao escutar sons ou vozes próximas”, afirmou.
Dayana contou que sua perna esquerda estava imobilizada sob o concreto, impedindo qualquer deslocamento, enquanto sua têmpora estava firmemente pressionada contra uma rocha. “É difícil explicar como mantive a serenidade, pois minha perna esquerda estava presa pelo concreto. Não conseguia me mexer, e a têmpora estava colada a uma pedra”, declarou à BBC.
Enquanto estava encarcerada, ela descobriu uma Bíblia debaixo de seu corpo. “Foi naquele instante que minha jornada de resistência teve início”, comentou. Mesmo em meio à escuridão dos escombros, ela conseguiu vislumbrar “um pequeno foco de claridade, semelhante à lua”, segundo seu relato.
O emocionante resgate e o reencontro familiar
A esperança ressurgiu quando ouviu a voz de seu irmão clamando por ela. “Pensei: esta é a minha única oportunidade. Gritei com toda a intensidade de meus pulmões, berrei ‘Estou aqui’ com toda a minha potência, e ele respondeu: ‘Eu a achei e prometo que não sairei daqui enquanto não a resgatar'”, narrou.
Terremoto de grande intensidade abala a Venezuela
O irmão de Dayana permaneceu no local durante todo o processo. Dayana e Juan David foram finalmente retirados dos destroços na noite de quinta-feira; a mãe teve ferimentos nas pernas, e o bebê, apenas escoriações leves.
A emoção do marido ao reencontrar família
Gerson, marido de Dayana, tinha acabado de chegar em casa no momento dos abalos sísmicos. Após estacionar o carro, ele conseguiu fugir pulando uma cerca. Ao se deparar com o prédio em ruínas, teve a certeza de que a esposa e o filho não haviam sobrevivido.
Depois que eles foram resgatados, ele classificou o acontecimento como “um milagre”. “Foi algo que não se pode descrever. Pensei que eles estavam mortos. E quando vi meu filho, foi como se eu tivesse renascido. Não conseguia acreditar… A vida retornou a mim”, emocionou-se Gerson.
Em vídeos do resgate que circularam amplamente nas plataformas digitais, Gerson é visto fechando os olhos, erguendo o rosto para o céu e abraçando o filho com profunda emoção.
A família perdeu a residência e todos os seus bens; o cachorro da casa ainda está desaparecido. Contudo, Dayana e Gerson expressam a intenção de reconstruir suas vidas. “Perdemos quase tudo, mas permanecemos vivos… Vamos erguer novamente tudo o que foi destruído”, declararam.















