Em 21 de julho de 2026, a estimativa para o salário mínimo de 2027 deverá ser ajustada para perto de R$ 1.750, devido à pressão inflacionária. Uma análise baseada nas novas diretrizes do Ministério da Fazenda projeta um piso salarial de aproximadamente R$ 1.746, um aumento significativo em relação aos R$ 1.717 registrados em abril no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).
É importante ressaltar que este montante ainda é uma projeção não oficial. A simulação considera o salário mínimo vigente, de R$ 1.621, e incorpora a taxa projetada de 5,3% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 2026, além de um crescimento de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, que representa o ganho real a ser adicionado no ajuste futuro.
Em seu Boletim Macrofiscal, divulgado em julho, o Ministério da Fazenda revisou a expectativa para o INPC deste ano de 4,6% para 5,3%. Essa alteração é resultado direto da valorização dos alimentos, da inflação no setor atacadista e das incertezas ligadas ao contexto global, incluindo os impactos de um El Niño mais forte.
O valor inicial de R$ 1.717, presente no PLDO, baseava-se em um cenário inflacionário menos acentuado. Com a recente atualização, o reajuste nominal do salário mínimo pode alcançar cerca de 7,7%, elevando o piso para R$ 1.746. Essa diferença representa um acréscimo de R$ 29 em comparação ao montante originalmente proposto ao Congresso.
O valor final do salário mínimo será determinado pelo INPC acumulado nos doze meses que terminam em novembro, conforme estabelecido pela legislação. A projeção atual da Fazenda, de 5,3%, corresponde ao ano-calendário e serve apenas como uma referência. Antes da definição oficial, o governo apresentará uma estimativa revisada no projeto de Orçamento de 2027, com entrega ao Congresso prevista para o final de agosto.
Essa correção do salário mínimo também representa um desafio adicional para as finanças públicas. Durante a criação do Orçamento de 2026, o Ministério do Planejamento havia apontado que cada real extra no piso nacional resultava em um incremento de aproximadamente R$ 429 milhões nas despesas previdenciárias anuais.
Ao aplicar essa proporção de impacto à diferença de R$ 29, os gastos com a Previdência Social poderiam superar em cerca de R$ 12,4 bilhões o montante previsto no PLDO. Esta é uma projeção inicial, que ainda será ajustada pelo governo para incluir o número real de beneficiários e os outros critérios para 2027.
Esse cálculo não abrange completamente os efeitos sobre o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o abono salarial e outras despesas que são atreladas ao salário mínimo. Por outro lado, parte dessa pressão é minimizada pelo crescimento da arrecadação da Previdência.
Mesmo considerando as compensações, o aumento de R$ 12,4 bilhões representa aproximadamente 17% da meta de superávit primário de R$ 73,2 bilhões estabelecida pelo governo para 2027. Desse modo, a atualização do salário mínimo se torna um fator adicional de desafio para um Orçamento já restrito em despesas discricionárias e que depende do crescimento da arrecadação para atingir seu objetivo fiscal.

