Revelação sobre Betelgeuse: estrela gigante é, na verdade, um sistema binárioPor Janderson Luiz
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Após séculos de observação, a estrela supergigante vermelha Betelgeuse, um dos pontos mais visíveis na constelação de Órion, finalmente teve um de seus mistérios desvendados. Astrônomos confirmaram, em 29 de julho de 2026, que o corpo celeste não está sozinho no espaço. Ela é acompanhada por uma estrela companheira mais quente, mais brilhante e significativamente mais massiva do que se imaginava anteriormente, desafiando previsões de modelos astronômicos.
Uma busca antiga e o desafio de observar Betelgeuse
A ideia de que Betelgeuse poderia ter uma companheira existe há muitos anos, com as primeiras sugestões surgindo no século XX. No entanto, confirmar a presença de outra estrela se mostrou uma tarefa complexa. Betelgeuse é uma supergigante vermelha de proporções imensas, com uma massa entre 16,5 e 19 vezes a do Sol e centenas de vezes mais extensa em diâmetro. Sua superfície é marcada por células convectivas gigantescas, pulsações e ejeções de material, além de ser envolta por uma densa atmosfera empoeirada. Toda essa atividade intensa e estrutura variável pode facilmente ofuscar ou imitar o sinal de um objeto próximo.
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Identificação da companheira Betelgeuse B
A confirmação da existência da estrela companheira, apelidada de Betelgeuse B, veio com o uso do Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, localizado no Chile. Os pesquisadores conseguiram obter a imagem mais nítida já registrada de uma fonte de luz fraca nas proximidades de Betelgeuse. O objeto foi encontrado quase exatamente onde as previsões indicavam que uma possível estrela companheira estaria. Para garantir a detecção, dois métodos independentes de processamento de imagem foram empregados, permitindo que a estrela fosse recuperada do brilho intenso emitido pela supergigante vermelha.
Massa surpreendente da nova estrela questiona modelos
Inicialmente, os astrônomos especulavam que Betelgeuse B teria uma massa parecida com a do nosso Sol. Contudo, as novas observações revelaram que a estrela companheira é muito maior do que o esperado, com uma massa entre 2,6 e 3,1 vezes a massa solar. Esse dado é crucial, pois desafia os modelos teóricos existentes sobre a formação e evolução de sistemas binários e de supergigantes vermelhas. A descoberta indica que a interação e o desenvolvimento desses corpos celestes podem ser mais complexos do que se pensava.
Miguel Montargès, autor principal do novo estudo, que faz parte do LIRA no Observatório de Paris-PSL, expressou sua surpresa com o achado. Ele disse que não acreditava que a sensibilidade dos equipamentos fosse suficiente para detectar Betelgeuse B conforme previsto. “Como é mais massivo do que o previsto, nós o vemos!”, afirmou Montargès, sublinhando a importância da massa inesperada para a detecção.
Características do sistema binário de Betelgeuse
A descoberta de Betelgeuse B traz novas perspectivas para a compreensão da constelação de Órion e de sistemas estelares complexos. As principais características do sistema binário recém-descoberto são:
- Betelgeuse A (a supergigante vermelha):
- Betelgeuse B (a estrela companheira):
* Massa: Aproximadamente 16,5 a 19 vezes a massa do Sol.
* Tamanho: Centenas de vezes mais extensa que o Sol.
* Comportamento: Pulsa, ejeta material e possui atmosfera densa.
* Tipo: Estrela jovem e quente.
* Massa: Entre 2,6 e 3,1 vezes a massa do Sol (mais massiva que o esperado).
* Órbita: Gira em torno da supergigante vermelha a uma distância similar à existente entre Saturno e o Sol.
A identificação de Betelgeuse B e a determinação de sua massa abrem caminho para estudos mais aprofundados sobre a dinâmica desses sistemas e o impacto da companheira na evolução da própria supergigante vermelha, que é conhecida por suas variações de brilho e eventos de ejeção de massa.















