Terapia para fibrose cística no SUS revoluciona tratamento e reduz internações em quase 85%
Um tratamento inovador para a fibrose cística, doença genética rara e debilitante, tem demonstrado uma significativa redução nas internações de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS). A terapia, que utiliza o medicamento Trikafta e é oferecida na rede pública há quase dois anos, alcançou uma diminuição de até 84,8% nos casos de hospitalização. Os resultados iniciais e promissores foram apresentados em 6 de agosto de 2026, durante um evento da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), na capital federal. Atualmente, mais de 2,4 mil pacientes já recebem essa medicação de alto custo por meio do SUS, consolidando um marco importante na atenção à saúde para esta condição crônica no Brasil.
Grande transformação no manejo da fibrose cística no Brasil
A introdução do Trikafta no rol de medicamentos disponibilizados pelo SUS representa uma mudança paradigmática na abordagem da fibrose cística. A drástica queda nas internações, que supera os 80%, alivia consideravelmente a pressão sobre os leitos hospitalares e os recursos do sistema público de saúde. Mais importante, essa melhoria traduz-se em uma vida com menos interrupções para os pacientes e suas famílias, que frequentemente enfrentam períodos prolongados de internação devido a complicações respiratórias. A terapia também mostrou uma redução impressionante de 91,6% na demanda por oxigenioterapia domiciliar, permitindo que muitos pacientes recuperem parte da sua autonomia e melhorem substancialmente sua mobilidade e independência.
Benefícios múltiplos além da redução de hospitalizações
O estudo de um ano, que avaliou a eficácia do Trikafta, revelou que os impactos positivos da medicação se estendem para várias outras áreas da saúde dos pacientes. Essas melhorias contribuem para uma qualidade de vida muito superior e para a redução de outros tratamentos e intervenções.
Saiba mais: Trikafta no SUS: terapia inovadora para fibrose cística reduz internações em quase 85%
- Aumento da função pulmonar: Os pacientes apresentaram um aumento médio de 10 a 14 pontos na capacidade pulmonar, um fator crucial para a respiração e para a resistência física diária.
- Controle de infecções e inflamações: Observou-se uma diminuição notável nos ciclos de inflamação e infecção, que são as principais causas de danos pulmonares progressivos na fibrose cística.
- Menor dependência de antibióticos: O uso de antibióticos sistêmicos foi reduzido em 66,7%, o que é fundamental para evitar o desenvolvimento de resistência bacteriana e proteger a flora intestinal.
- Melhora nutricional: Pacientes em tratamento também experimentaram benefícios consistentes em seu estado nutricional, um aspecto vital para o crescimento e desenvolvimento, frequentemente comprometido pela dificuldade de absorção de nutrientes.
O alto valor do tratamento e o papel fundamental do SUS
O Trikafta é um medicamento de ponta, cujo custo é proibitivo para a maioria das famílias brasileiras. No setor privado, o preço médio de uma caixa do medicamento pode chegar a R$ 194,5 mil, com o tratamento anual por paciente podendo ultrapassar a marca de R$ 2,5 milhões. A incorporação dessa terapia pelo SUS não é apenas uma questão de saúde, mas de equidade social, garantindo que o acesso a um tratamento transformador não seja determinado pela condição financeira. Este investimento público assegura que mais de dois mil pacientes em todo o país tenham a chance de viver com menos sofrimento e mais dignidade, aliviando um fardo financeiro imenso para os cuidadores e familiares.
Entenda a fibrose cística, uma condição complexa e hereditária
A fibrose cística é uma doença genética hereditária que afeta múltiplos órgãos do corpo, sendo resultado de um defeito no gene CFTR. Esse defeito faz com que as glândulas exócrinas produzam secreções muito espessas e pegajosas, ao invés de fluidas e lubrificantes. Essa anomalia de muco impacta principalmente os pulmões, o pâncreas, o fígado e o intestino, causando obstruções que levam a problemas respiratórios crônicos, infecções pulmonares recorrentes, dificuldades digestivas severas e problemas para ganhar peso. A doença exige acompanhamento médico contínuo e tratamentos complexos para gerenciar seus sintomas e complicações.
Acesso e administração do Trikafta para os pacientes
A obtenção do medicamento Trikafta é feita através das farmácias de alto custo vinculadas ao SUS. Para isso, os pacientes precisam apresentar uma receita médica devidamente preenchida e carimbada por um especialista na área. Uma das grandes vantagens da terapia é a sua administração, que ocorre por via oral, em casa. As diretrizes de tratamento são personalizadas para cada indivíduo, levando em conta seu quadro clínico específico e as recomendações médicas, o que facilita a adesão e a continuidade do tratamento fora do ambiente hospitalar.
Rigor científico e abrangência do estudo nacional sobre o Trikafta
O Ministério da Saúde destacou que o estudo que fundamentou a apresentação dos resultados foi meticulosamente conduzido, abrangendo um período de um ano. A pesquisa envolveu a avaliação de 647 pessoas, incluindo crianças, adolescentes e adultos, todos em tratamento com a terapia tripla moduladora elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor, popularmente conhecida como Trikafta. O acompanhamento desses pacientes foi realizado em 39 centros de referência especializados em fibrose cística distribuídos por diversas regiões do Brasil, garantindo a robustez dos dados e a representatividade dos resultados em um contexto nacional.

















